Os amigos genuínos são aqueles que 'nascem para quando há aflição' e que realmente não abandonam a pessoa deprimida. (Provérbios 17:17
Poderia Ser Depressão Profunda?
Qualquer pessoa pode sofrer temporariamente de um ou mais dos seguintes sintomas, sem que seu problema seja grave. No entanto, se persistirem vários destes sintomas, ou se um deles for grave a ponto de interferir nas suas atividades normais, poderá (1) ser portador duma doença física e precisar de um exame médico geral, ou (2) sofrer de grave distúrbio mental — a depressão profunda.
Nada Lhe Dá Prazer. Não consegue sentir prazer em atividades que antes apreciava. Sente-se irreal, como se estivesse no meio duma bruma e simplesmente está vivendo por viver.
Total Inutilidade. Sente-se como se sua vida não tivesse nada de importante para contribuir e fosse totalmente inútil. Talvez se sinta cheio de culpa.
Drástica Mudança de Disposição. Se antes era extrovertido, talvez passe a ser introvertido, ou vice-versa. Talvez chore com freqüência.
Desesperança Total. Acha que as coisas vão mal, que não há nada que se possa fazer, e que a situação jamais melhorará.
Preferiria Morrer. A angústia é tamanha que freqüentemente você acha que seria melhor se estivesse morto.
Não Consegue Concentrar-se. Fica remoendo, vez após vez, certos pensamentos, ou lê sem compreender o que lê.
Alteração dos Hábitos Alimentares ou Intestinais. Não tem apetite ou come demais. Intermitente prisão de ventre ou diarréia.
Alteração nos Hábitos de Dormir. Dorme mal, ou demais. Talvez tenha freqüentes pesadelos.
Dores e Aflições. Dores de cabeça, cãibras, e dores no abdômen e no peito. Talvez se sinta sempre cansado, sem boa razão.
Por que fico tão deprimido?
Márcia sempre vivera de acordo com o ideal de criança perfeita aos olhos de sua mãe — até completar os 17 anos. Daí, ela abandonou as atividades escolares, parou de aceitar convites para festas e nem parecia importar-se mais quando suas notas caíram da nota máxima para outras inferiores. Quando os pais dela perguntavam gentilmente o que havia de errado, ela saía bruscamente, dizendo: “Deixem-me em paz! Não há nada de errado.”
Marcos, aos 14 anos, era impulsivo e hostil, tendo temperamento explosivo. Na escola, era irrequieto e perturbador. Quando ficava frustrado ou irritado, corria pelo deserto de motocicleta, ou arremessava-se por ladeiras bem íngremes no seu “skate”.
TANTO Márcia como Marcos sofriam de diferentes formas da mesma doença — a depressão. O Dr. Donald McKnew, do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA, afirma que de 10 a 15 por cento das crianças e jovens em idade escolar talvez sofram de distúrbios de temperamento. Um número menor sofre de depressão profunda.
Às vezes, existe uma causa biológica para o problema. Algumas infecções ou doenças do sistema endócrino, as alterações hormonais do ciclo menstrual, a hipoglicemia, certos medicamentos, a exposição a metais ou substâncias químicas tóxicas, as reações alérgicas, uma dieta desequilibrada, a anemia — tudo isto pode provocar a depressão.
Pressões Causam Depressão
No entanto, os próprios anos da adolescência são, muitas vezes, a fonte do stress emocional. Não dispondo da experiência dum adulto para lidar com os altos e baixos da vida, o jovem pode achar que ninguém se importa, e pode ficar dolorosamente deprimido diante de assuntos relativamente comuns.
Não conseguir satisfazer às expectativas dos pais, dos professores, ou dos amigos, é outra causa da melancolia. Danilo, por exemplo, achava que tinha de sair-se muito bem na escola para agradar a seus pais bem-instruídos. Não conseguindo isso, ficou deprimido e alimentou idéias suicidas. “Nunca fiz nada direito. Sempre desapontei a todo o mundo”, lamentava-se Danilo.
Que a sensação de fracasso pode provocar depressão é evidente no caso de um rapaz chamado Epafrodito. No primeiro século, este cristão fiel foi enviado numa missão especial, para ajudar o apóstolo Paulo, que estava preso. Mas quando ele chegou até Paulo, logo ficou doente — e foi Paulo que teve de cuidar dele! Pode imaginar, então, o motivo de Epafrodito talvez se ter considerado um fracasso, e ter ficado “deprimido”. Pelo visto, ele despercebeu todo o bem que havia realizado antes de ficar doente. — Filipenses 2:25-30.
Sentimento de Perda
Francine Klagsbrun escreveu em seu livro Too Young to Die—Youth and Suicide (Jovem Demais Para Morrer — A Juventude e o Suicídio): “Na raiz de muitas depressões de ordem emocional jaz um profundo sentimento de perda, de alguém ou de algo que tenha sido amado profundamente.” Assim, a perda dum genitor, seja na morte, seja através do divórcio, a perda dum emprego ou duma carreira, ou até mesmo a perda da saúde física, também poderia ser a causa da depressão.
Uma das mui devastadoras perdas para o jovem, porém, é a privação do amor, o sentimento de não ser desejado nem ter alguém que se importe com ele. “Quando minha mãe nos deixou, eu me senti traída e sozinha”, revelou uma jovem chamada Marie. “Meu mundo subitamente parecia ter virado de cabeça para baixo.”
Imagine, então, quão desnorteados e feridos se sentem alguns jovens quando confrontados com problemas familiares, tais como o divórcio, o alcoolismo, o incesto, o espancamento da esposa, o abuso sexual de menores, ou a simples rejeição por parte do pai (ou da mãe) que está mergulhado em seus próprios problemas. Quão veraz é o provérbio bíblico: “Mostraste-te desanimado no dia da aflição? Teu poder [inclusive a capacidade de resistir à depressão] será escasso”! (Provérbios 24:10) O jovem talvez até mesmo se culpe, erroneamente, pelos problemas da família.
Reconhecer os Sintomas
Há diferentes graus de depressão. Um jovem poderia, temporariamente, ficar com o moral baixo por algum transtorno. Mas, em geral, tal melancolia é relativamente curta.
No entanto, se persiste a disposição melancólica e deprimida, e o jovem nutre generalizado sentimento negativo, junto com sentimentos de inutilidade, de ansiedade e de ira, isto pode transformar-se no que os médicos chamam de depressão crônica de baixo grau [primária]. Como mostram as experiências de Marcos e de Márcia (mencionados no início), os sintomas podem variar consideravelmente. Um jovem pode ter episódios de ansiedade. Outro pode sentir-se sempre cansado, não ter apetite, ter dificuldades de dormir, perder peso, ou sofrer uma série de acidentes.
Alguns jovens tentam dissimular a depressão por se entregarem à busca louca de prazer: uma rodada infindável de festas, promiscuidade sexual, vandalismo, beber em excesso, e coisas semelhantes. “Realmente não sei por que tenho de sair o tempo todo”, confessou um rapaz de 14 anos. “Só sei que, quando estou sozinho, sem ninguém, eu me dou conta de quão mal me sinto.” É exatamente como a Bíblia descreveu: “Mesmo no riso o coração talvez sinta dor.” — Provérbios 14:13.
Quando Se Trata de Algo Mais do que Melancolia
Caso não se combata a depressão crônica de baixo grau, ela pode tornar-se uma doença mais grave — a depressão profunda. (Veja a página 107.) “Eu me sentia constantemente como se estivesse ‘morta’ por dentro”, explicou Marie, vítima de depressão profunda. “Eu simplesmente existia, sem sentir emoção alguma. Sentia-me constantemente apreensiva.” Na depressão profunda, a disposição tristonha é constante, e pode prosseguir durante meses. Por conseguinte, este tipo de depressão é o ingrediente mais comum no caso dos suicídios de adolescentes — o que agora é considerado uma “epidemia oculta” em muitos países.
A emoção mais persistente ligada à depressão profunda — e a mais mortífera — é uma profunda sensação de desesperança. O Professor John E. Mack escreve a respeito duma jovem de 14 anos, chamada Vivienne, vítima de depressão profunda. Segundo todas as aparências, ela era uma jovem ideal, tendo pais que se importavam com ela. Todavia, nas profundezas do desespero, ela se enforcou! Escreveu o Professor Mack: “A incapacidade de Vivienne de prever que sua depressão pudesse dissipar-se algum dia, que ela tivesse alguma esperança de finalmente obter alívio de sua dor, é um importante elemento na decisão dela de se matar.”
Os que padecem de depressão profunda sentem-se, assim, como se jamais fossem melhorar, como se não existisse o amanhã. Tal desesperança, de acordo com os peritos, não raro leva ao comportamento suicida.
O suicídio, contudo, não é a solução. Admitiu Marie, cuja vida se tornara um pesadelo vivo: “Idéias suicidas certamente me passaram pela mente. Mas compreendi que, conquanto eu não me matasse, sempre haveria uma esperança.” Pôr fim a tudo deveras não resolve nada. Infelizmente, diante duma situação desesperada, muitos jovens não conseguem sequer visualizar alternativas, ou a possibilidade de um desfecho favorável. Marie, assim, tentou ocultar seu problema por tomar injeções de heroína. Disse ela: “Eu me sentia muito autoconfiante — até passar o efeito da droga.”
Lidar com Tensões Menores
Há meios sensatos de se lidar com sentimentos depressivos. “Alguns ficam deprimidos porque estão com fome”, comentou o Dr. Nathan S. Kline, especialista em depressão, de Nova Iorque, EUA. “A pessoa talvez não tome seu desjejum, e, por alguma razão, deixe de almoçar. Daí, lá pelas quinze horas, começa a se perguntar por que não se sente bem.”
Aquilo que você come também pode fazer diferença. Admitiu Débora, uma moça afligida por sentimentos de desespero: “Eu não imaginava que tais alimentos sem valor nutritivo fossem tão prejudiciais ao meu estado de ânimo. Comia muito disso. Noto agora que me sinto melhor quando como menos doces.” Outras medidas úteis: Alguma espécie de exercício pode fazê-lo recobrar o ânimo. Em alguns casos, um exame médico geral seria apropriado, uma vez que a depressão pode ser sintoma duma doença física.
Vencer a Batalha da Mente
Muitas vezes, a depressão é provocada ou agravada por a pessoa nutrir pensamentos negativos sobre si mesma. “Quando você já passou por situações em que muitas pessoas a magoaram”, lamentou-se Etelvina, de 18 anos, “isso a leva a pensar que você não tem nenhum valor”.
Considere o seguinte: Cabe realmente a outros decidir o seu valor como pessoa? O apóstolo Paulo sofreu similar zombaria. Alguns diziam que ele era um orador fraco e sem talento. Será que isto fez com que Paulo se sentisse imprestável? De jeito nenhum! Paulo sabia que o que importava era satisfazer o padrão de Deus. Ele podia jactar-se daquilo que tinha realizado, com a ajuda de Deus — apesar do que os outros diziam. Se você, também, lembrar a si mesmo de que tem uma posição perante Deus, muitas vezes isto dissipa a disposição melancólica. — 2 Coríntios 10:7, 10, 17, 18.
E se você se sente deprimido por causa duma fraqueza, ou dum pecado que tenha cometido? “Embora os vossos pecados se mostrem como escarlate”, Deus disse a Israel, “serão tornados brancos como a neve”. (Isaías 1:18) Jamais desperceba a compaixão e a paciência de nosso Pai celeste. (Salmo 103:8-14) Mas está também esforçando-se arduamente para superar seu problema? Você precisa fazer sua parte, se há de aliviar a mente de sentimentos de culpa. Como diz o provérbio: “Ter-se-á misericórdia com aquele que . . . confessa e abandona [suas transgressões].” — Provérbios 28:13.
Outro meio de combater a melancolia é fixar alvos realísticos para si mesmo. Para ser bem-sucedido, você não precisa ser o primeiro aluno da turma. (Eclesiastes 7:16-18) Aceite a realidade de que os desapontamentos fazem parte da vida. Quando estes ocorrerem, em vez de pensar: ‘Ninguém se importa com o que acontece comigo e ninguém jamais se importará’, diga a si mesmo: ‘Eu vou superar isso.’ E não existe nada de errado em chorar bastante.
O Valor das Realizações
“O desespero não desaparece por si”, aconselha Daphne, que conseguiu superar com êxito algumas crises de desânimo. “A pessoa tem de pensar em sentido diferente ou envolver-se em alguma atividade física. Precisa começar a fazer alguma coisa.” Considere Linda, que declarou o seguinte, ao empenhar-se arduamente para combater seu estado melancólico: “Eu atualmente me dedico de forma intensa à costura. Cuido do meu guarda-roupa e, com o tempo, eu me esqueço do que me aflige. Isso realmente ajuda.” Fazer coisas em que você é bom pode elevar seu amor-próprio — que geralmente fica lá embaixo, na depressão.
É também proveitoso empenhar-se em atividades que lhe dêem prazer. Tente ir fazer compras de algo que muito aprecie pessoalmente, participar em jogos, preparar seu prato favorito, dar uma espiada numa livraria, jantar fora, ler, ou mesmo resolver palavras cruzadas, tais como as publicadas na revista Despertai!.
Débora verificou que, por planejar viagens curtas ou fixar pequenos alvos para si mesma, ela conseguia enfrentar sua disposição depressiva. No entanto, fazer coisas pelos outros provou-se uma das coisas que mais a ajudaram. “Encontrei essa jovem senhora muito deprimida, e passei a ajudá-la a estudar a Bíblia”, revelou Débora. “Estas palestras semanais me deram a oportunidade de dizer a ela como poderia sobrepujar sua depressão. A Bíblia lhe deu verdadeira esperança. Ao mesmo tempo, isto me ajudou.” Como Jesus disse: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” — Atos 20:35.
Converse com Alguém Sobre Isso
“A ansiedade no coração do homem é o que o fará curvar-se, mas a boa palavra é o que o alegra.” (Provérbios 12:25) Uma “boa palavra” que parta duma pessoa compreensiva pode constituir toda a diferença no mundo. Nenhum humano consegue ler seu coração, assim, abra-se com alguém em quem confie e que tenha a capacidade de ajudá-lo. “O amigo ama sempre e na desgraça ele se torna um irmão”, de acordo com Provérbios 17:17. (A Bíblia na Linguagem de Hoje) “Quando você guarda para si o que sente, é como se levasse sozinho uma pesada carga”, disse Ivan, de 22 anos. “Mas, quando você compartilha isso com alguém habilitado a ajudá-lo, isso se torna bem mais leve.”
‘Mas eu já tentei fazer isso’, talvez diga, ‘e tudo que ouvi foi um sermão sobre como ver o lado bom da vida’. Onde, então, poderá achar alguém que não só seja um ouvinte compreensivo, mas também um conselheiro objetivo? — Provérbios 27:5, 6.
Obter Ajuda
Comece por ‘dar seu coração’ a seus pais. (Provérbios 23:26) Eles o conhecem melhor do que ninguém, e, muitas vezes, podem ajudá-lo, se você deixar. Se eles discernirem que o problema é grave, talvez até mesmo façam arranjos para que você receba a ajuda dum profissional habilitado.
Membros da congregação cristã são outra fonte de ajuda. “Ao longo dos anos, eu simulava tão bem que ninguém realmente sabia quão deprimida me sentia”, revelou Marie. “Daí, porém, confidenciei meu problema a uma das senhoras de mais idade na congregação. Ela foi muito compreensiva! Ela havia tido algumas das mesmas experiências que eu. Assim, fui incentivada a compreender que outras pessoas tinham passado por coisas semelhantes e se saíram muito bem.”
Não, a depressão de Marie não desapareceu de imediato. Mas, gradativamente, ela passou a saber lidar com suas emoções, à medida que foi aprofundando seu relacionamento com Deus. Entre os verdadeiros adoradores de Jeová, você também poderá encontrar amigos, e uma “família” que estão genuinamente interessados em seu bem-estar. — Marcos 10:29, 30; João 13:34, 35.
Poder Além do Normal
A mais poderosa ajuda para dissipar a melancolia, contudo, é aquilo que o apóstolo Paulo chamou de “poder além do normal”, que provém de Deus. (2 Coríntios 4:7) Ele pode ajudá-lo a combater a depressão, se você se apoiar nele. (Salmo 55:22) Junto com seu espírito santo, ele lhe concederá poder além de seus recursos normais.
Esta amizade com Deus é deveras reconfortante. “Nos meus momentos de tristeza”, disse uma jovem mulher chamada Geórgia, “eu oro bastante. Sei que Jeová proverá uma saída, não importa quão profundo seja o meu problema”. Daphne concorda, acrescentando: “Você pode contar tudo a Jeová. Você simplesmente abre seu coração, e sabe que, mesmo se nenhum humano for capaz, ele realmente a compreende e se importa com você”.
Assim, se estiver deprimido, ore a Deus, e procure alguém sábio e compreensivo com quem possa externar seus sentimentos. Na congregação cristã, você encontrará “anciãos” que são conselheiros peritos. (Tiago 5:14, 15) Eles estão prontos a ajudá-lo a manter seu relacionamento com Deus. Pois Deus o compreende e o convida a lançar suas ansiedades sobre ele, ‘porque tem cuidado de você’. (1 Pedro 5:6, 7) Deveras, a Bíblia promete: “A paz de Deus, que excede todo pensamento, guardará os vossos corações e as vossas faculdades mentais por meio de Cristo Jesus.” — Filipenses 4:7.
[Nota(s) de rodapé]
A maioria dos especialistas médicos aconselham que as vítimas da depressão profunda devem receber ajuda dum profissional habilitado por causa do perigo de suicídio. Por exemplo, talvez haja necessidade de medicação, a qual só pode ser receitada por alguém da classe médica.
ficarem deprimidas quando sentem prolongada ansiedade, medo, pesar ou outras emoções negativas. A causa da depressão ou de profunda tristeza pode ser a morte de um parente, o divórcio, a perda do emprego ou uma doença persistente. As pessoas também ficam deprimidas quando desenvolvem sentimentos de inutilidade, quando acham que são um fracasso e que decepcionam a todos. Uma situação estressante pode devastar a qualquer um, mas quando a pessoa desenvolve sentimentos de desesperança e não consegue ver uma saída da situação ruim, o resultado pode ser a depressão profunda.
A ansiedade pode ser prejudicial para o bem-estar da pessoa. Pode levar à depressão, privando a pessoa de força e da iniciativa de agir. Diz o inspirado provérbio: “A ansiedade no coração do homem é o que o fará curvar-se.” (Pr 12:25) A preocupação pode provocar graves manifestações físicas. O livro How to Master Your Nerves (Como Dominar Seus Nervos) observa: “Os médicos sabem como a ansiedade pode afetar as funções do organismo. Pode elevar (ou baixar) a pressão arterial; pode elevar a contagem dos glóbulos brancos no sangue; pode repentinamente afetar o açúcar no sangue pela ação da adrenalina sobre o fígado. Pode até mesmo alterar seu eletrocardiograma. O Dr. Charles Mayo disse: ‘A preocupação afeta a circulação, o coração, as glândulas, todo o sistema nervoso.’” — Dos Drs. P. Steincrohn e D. La-Fia, 1970, p. 14.
Se sua esposa está deprimida, que tal tentar encorajá-la em harmonia com as palavras de Provérbios 31:28, 29? Lemos ali: “Seu dono se levanta e a louva. Há muitas filhas que demonstraram capacidade, mas tu — tu sobrepujaste a todas elas.” Pode ser, porém, que a esposa deprimida não aceite tal avaliação, visto que talvez se sinta um fracasso por não conseguir cuidar das tarefas domésticas tão bem quanto ela acha que deveria. Contudo, fazendo-a lembrar-se da mulher que ela é por dentro e do que ela era antes de ficar deprimida, você talvez possa convencê-la de que os seus elogios não são lisonjas vazias. Reconheça também que seja o que for que ela faça agora, isto representa um tremendo esforço. Poderá dizer: ‘Sei quanto lhe custou fazer isso. É muito elogiável que você está se esforçando tanto!’ Receber a aprovação e o louvor do cônjuge e dos filhos, aqueles que melhor conhecem a pessoa deprimida, é vital para o restabelecimento do respeito próprio. — Veja 1 Coríntios 7:33, 34.
O uso de exemplos bíblicos pode ajudar a pessoa deprimida a ver que mudanças no modo de pensar talvez sejam necessárias. Por exemplo, alguém pode ser muito sensível às opiniões dos outros. Talvez queira considerar o exemplo de Epafradito e perguntar: ‘Na sua opinião, por que ele ficou deprimido quando soube que sua congregação de origem tomara conhecimento de sua doença? Será que ele era mesmo um fracasso? Por que Paulo recomendou que os irmãos o tivessem em estima? Será que o real valor de Epafrodito, como pessoa, dependia do privilégio de serviço que tinha?’ Tais perguntas podem ajudar o cristão deprimido a fazer uma aplicação pessoal e a se dar conta de que não é um fracasso.
Como Fortificar com Palavras
A pessoa profundamente deprimida sente-se não apenas triste, mas provavelmente inútil e sem esperança. A palavra grega traduzida “almas deprimidas” significa literalmente “os de pouca alma”. Certo erudito em grego define-a assim: “Alguém que labuta com tanta dificuldade que seu coração afunda dentro de si.” Assim, suas reservas emocionais se esgotam e seu respeito próprio decai. — Veja Provérbios 17:22.
Primeiro, “compartilhando os sentimentos”, você poderá ajudar a pessoa deprimida a revelar a “ansiedade” no coração. A seguir, uma “boa palavra” da sua parte poderá ajudá-la a alegrar-se. (1 Pedro 3:8; Provérbios 12:25) Simplesmente deixar que ela fale a vontade e sinta que você se interessa poderá aliviá-la bastante. “Eu tinha alguns amigos para quem eu podia realmente abrir meu coração”, explicou Maria, uma cristã solteira que lutou contra a depressão. “Eu precisava de alguém que me ouvisse.” Ter alguém com quem compartilhar pensamentos íntimos sobre as tribulações da vida pode significar muito.
Contudo, é necessário mais do que apenas escutar e dar conselhos superficiais como: “Veja o lado bom da vida” ou “Tenha pensamentos positivos”. Tais palavras poderiam revelar falta de empatia e ser inteiramente inoportunas quando outra pessoa está deprimida, assim como Provérbios 25:20 indica, dizendo: “Quem tira a roupa num dia de frio é como . . . o cantor com canções para o coração sombrio.” Observações otimistas que não condizem com a realidade também podem fazer a pessoa deprimida sentir-se ainda mais perturbada. Por quê? Porque tais tentativas de ajudar não chegam às causas da sua depressão.
Este exemplo ilustra que, embora os cristãos, como um todo, ‘se alegrem no Senhor’, alguns dentre eles sofrem diversas formas de depressão. (Filipenses 4:4) A depressão mental profunda é um grave distúrbio emocional que tem até levado alguns ao suicídio. Às vezes, a química do cérebro e outros fatores físicos estão envolvidos. Todavia, não raro se pode reduzir a depressão mediante a ajuda discernidora provida por outros.
As palavras de Kirsten nos lembram que, no mundo atual, não podemos esperar ficar alegres o tempo todo. A vida tem altos e baixos. E há ocasiões em que devemos ficar tristes, quando expressões de alegria são completamente inapropriadas. (Eclesiastes 3:1, 4; 7:2-4) Além disso, alguns talvez tenham de lutar contra a depressão, que pode ter muitas causas. No entanto, as promessas da Bíblia são muito consoladoras, e a sabedoria incomparável que encontramos nela pode ajudar-nos a evitar as muitas armadilhas que trazem infelicidade. Deus diz: “Quanto àquele que me escuta, residirá em segurança e estará despreocupado do pavor da calamidade.” — Provérbios 1:33.
É possível lidar com a depressão
A DEPRESSÃO é algo comum a todos. Quando ocorre apenas ocasionalmente, não é motivo de preocupação. Antes, é um indício de que se deve fazer algo de construtivo para dissipá-la. Estes breves períodos, em que talvez nos sintamos muito “abatidos”, não são normalmente a verdadeira depressão. Calamidades tais como o falecimento de um ente querido, a perda de emprego, reveses financeiros, acidentes, e assim por diante, costumam ser vencidas pela maioria num tempo relativamente curto. Mas, a alguns, causam verdadeira depressão.
Um artigo sobre a depressão, publicado na revista Science World de 16 de dezembro de 1975, citou o Dr. Nathan S. Kline, professor clínico de psiquiatria da Universidade de Colúmbia, na cidade de Nova Iorque, como dizendo que o sintoma mais comum de verdadeira depressão não é a própria depressão, mas anedonia (palavra derivada do grego), que ele define como sendo “ausência de alegria e prazer. A incapacidade de apreciar as coisas que realmente dão valor à vida”.
O artigo prossegue dizendo que a perda de interesse no comer, resultando em perda de peso, é um dos sintomas de depressão. A pessoa acha dificuldade em dormir, e, mesmo que passe a noite dormindo bem, ainda se sente cansada. Ele ou ela não consegue concentrar-se e perde a capacidade de trabalhar. Por outro lado, alguns dormem excessivamente, passando a maior parte de seu tempo na cama. Para eles, o sono torna-se uma fuga da vida.
Para combater a depressão, primeiro procure analisar os motivos de sua condição e examine seus sentimentos e motivações mais íntimos. Veja se a sua situação realmente é “tão ruim assim”, se as circunstâncias justificam seu sentimento de depressão. Também, visto que a depressão pode ter uma causa física, verifique se sofre dum distúrbio do metabolismo, de hipoglicemia, anemia, mononucleose, diabetes ou outra doença que talvez possa contribuir para a fraqueza e o desânimo. Veja quanto de sua depressão está na sua própria atitude mental e quais as influências que sofre, produzindo tal sensação de “abatimento”. Talvez verifique que está tendo uma reação de “escapismo” ou que, de maneira mórbida, até mesmo “goste” de seu estado deprimido — uma espécie de comiseração de si mesmo.
O QUE PODERÁ FAZER
O que poderá fazer, especialmente quando descobre que não há base clínica para a sua condição de depressão? Embora a psiquiatria talvez lhe possa dar ajuda em certos casos, a melhor e realmente duradoura ajuda pode ser obtida da Bíblia e da congregação cristã. Por quê? Porque Deus criou o corpo e a mente do homem, e conhece a constituição humana. O salmista disse: “Senhor, vós me perscruteis e me conheceis, sabeis quando me sento e quando me levanto, de longe penetrais os meus pensamentos. Vós examinais o meu caminhar e as minhas paradas, e todo o meu proceder vos é familiar.” (Sal. 139:1-3, Pontifício Instituto Bíblico) Portanto, o conselho de Deus é a melhor terapia mental.
Aquilo de que o deprimido tem mais necessidade, portanto, é a oração a Jeová Deus. Davi, servo de Deus, mais de uma vez esteve num estado muito deprimido, às vezes por causa de seus próprios erros, e outras vezes porque seus inimigos estavam prestes a sobrevir-lhe com a intenção de matá-lo. Nestas situações, ele sempre orava fervorosamente. Em certa ocasião, ele expressou seu desânimo no apelo que fez a Deus:
“Mostra-me favor, ó Jeová, pois estou definhando. Sara-me, ó Jeová, porque os meus ossos foram perturbados. Sim, a minha própria alma ficou muito perturbada; e tu, ó Jeová — até quando? Retorna deveras, o Jeová, socorre deveras a minha alma; salva-me por causa da tua benevolência. Porque na morte não há menção de ti; no Seol, quem te elogiará? Fatiguei-me com o meu suspiro; a noite inteira faço nadar o meu leito; faço transbordar o meu próprio divã com as minhas lágrimas.” — Sal. 8:2-6.
Sabemos, do registro bíblico, que Deus respondeu às orações de Davi e o fortaleceu, para prosseguir e realizar algo meritório. Mesmo quando achamos que nenhum humano entende, sabemos que Deus compreende. Ele diz a respeito de si mesmo: “Não se esquadrinha o seu entendimento. Ele dá poder ao cansado; e faz abundar a plena força para aquele que está sem energia dinâmica. . . . Os que esperam em Jeová recuperarão poder. Ascenderão com asas quais águias. Correrão e não se fatigarão; andarão e não se cansarão.” — Isa. 40:28-31.
O apóstolo Paulo aconselha: “Persisti em oração, permanecendo despertos nela com agradecimento.” (Col. 4:2) Mas, talvez se sinta vencido, parecendo que tudo recai sobre sua pessoa. Neste caso, lembre-se de Jonas, afundando no mar, com algas marinhas enroladas na cabeça. Sua ‘alma se debilitou’. Mas, ele orou. Mais tarde, ficou muito irado e deprimido por causa de sua própria atitude errônea. Achava que seria melhor morrer do que continuar a viver. Não obstante, ele orou. Em ambos os casos, ele foi liberto. — Jonas 2:5-7; 4:1-8.
Mas, talvez fique tão deprimido, que acha que não pode mais orar a Deus. Talvez pense que não está mais habilitado para se chegar a Deus. O apóstolo João escreveu para nosso consolo em tal situação:
“Por meio disso é que saberemos que nos originamos da verdade e asseguraremos os nossos corações diante dele quanto a tudo em que os nossos corações nos possam condenar, porque Deus é maior do que os nossos corações e ele sabe todas as coisas. Amados, se os nossos corações não nos condenarem, temos franqueza no falar para com Deus; e tudo o que pedimos, recebemos dele, porque estamos observando os seus mandamentos e estamos fazendo as coisas que são agradáveis aos seus olhos. Deveras, este é o seu mandamento, que tenhamos fé no nome do seu Filho Jesus Cristo e que estejamos amando uns aos outros, assim como ele nos deu mandamento.” — 1 João 3:19-23.
João nos diz ali que, quando nosso próprio coração parece condenar-nos, quando nos sentimos impróprios ou indignos de orar a Deus, Ele não pensa assim a nosso respeito. Deus pode ver e entender o sentimento tenebroso que temos. Ele sabe que não queremos estar nesta situação. Se nos apercebermos disso, venceremos nossas dúvidas ou nossos temores, e nos chegaremos a Deus, apresentando-lhe toda a nossa aflição. Ele ouvirá compadecido e agirá para equilibrar novamente as nossas idéias. — 1 João 4:17; 18:1; 1 Ped. 3:12.
Entretanto, se não conseguir orar, poderá receber ajuda por recorrer aos anciãos da congregação cristã. Tiago, meio-irmão de Jesus, nos diz: “Há alguém doente entre vós [em sentido espiritual]? Chame a si os [anciãos] da congregação, e orem sobre ele, untando-o com óleo em nome de Jeová. E a oração de fé fará que o indisposto fique bom, e Jeová o levantará. Também, se ele tiver cometido pecados, ser-lhe-á isso perdoado.” — Tia. 5:14, 15.
Além da oração, obtenha da Palavra de Deus sabedoria equilibrada e consolo, por lê-la e meditar sobre ela diariamente. Se não sentir vontade de ler, peça que alguém leia para você. A palestra sobre o que se lê o animará grandemente. — Jos. 1:8; Sal. 63:6, 7; 77:12.
EXIGE ESFORÇO
Em tudo isso, também precisa ter a atitude de querer restabelecer-se da sua depressão. Até mesmo com a ajuda e as orações de outros, você mesmo precisa fazer algum esforço em harmonia com a fé. Jesus disse a Pedro, predizendo a então futura negação de Pedro a seu respeito e o estado de extrema depressão em que Pedro se sentiria depois: “Tenho feito súplica por ti, para que a tua fé não fraquejasse; e tu, uma vez que tiveres voltado, fortalece os teus irmãos.” (Luc. 22:32; veja Lucas 22:54-62.) Pedro tinha de ter também compaixão com seus irmãos cristãos, os quais, após a morte de Jesus, precisavam de encorajamento e ajuda, e ele tinha de ter o desejo de ajudá-los. O interesse nos outros é uma das maiores ajudas para se vencer a depressão. Pense naqueles que lhe são achegados, considere suas necessidades e a responsabilidade que tem para com eles. Até certo ponto, eles também sofrem assim como você, por causa de sua depressão. Pense em quão felizes eles se sentirão quando você se restabelecer de seu estado deprimido.
Nunca deve achar que seu caso é diferente de todos os demais, e que seu fardo, não importa qual seja, é mais do que pode agüentar. Não pense que é impossível enfrentar a situação com a esperança de sair-se vitorioso. O apóstolo Paulo descreveu uma situação que o deprimia profundamente. “No distrito da Ásia”, disse ele, “estávamos sob extrema pressão, além de nossa força, de modo que estávamos muito incertos até mesmo quanto às nossas vidas. De fato, sentimos em nosso íntimo que tínhamos recebido a sentença de morte. Isto se deu para que tivéssemos confiança, não em nós mesmos, mas no Deus que levanta os mortos.” (2 Cor. 1:8, 9) Paulo assegurou aos cristãos coríntios, que também suportavam sofrimentos, que sua tribulação não era impossível de suportar: “Não vos tomou nenhuma tentação exceto a que é comum aos homens. Mas Deus é fiel, e ele não deixará que sejais tentados além daquilo que podeis agüentar, mas, junto com a tentação, ele proverá também a saída, a fim de que a possais agüentar.” (1 Cor. 10:13) Não há situação da qual Deus não nos possa restabelecer, se expressarmos fé.
Mesmo se achar que ninguém mais entende a sua situação — se se sentir abandonado por todos, console-se com as palavras de Davi: “Caso meu próprio pai e minha própria mãe me abandonassem, o próprio Jeová me acolheria.” (Sal. 27:10) Naturalmente, seus irmãos na congregação cristã não vão abandoná-lo. De fato, o conselho deles, às vezes, pode parecer-lhe fora de propósito — mostrar falta de entendimento de como se sente. Talvez pareçam firmes demais, na sua tentativa de incitá-lo a fazer alguns esforços para você ajudar a si mesmo. Mas, lembre-se de que eles procuram ajudá-lo, e você, no seu estado deprimido, está inclinado a se ofender com mais facilidade. Escute o que eles têm a dizer, reconhecendo o interesse deles, e faça o que puder segundo as sugestões deles.
Além disso, faça todo o empenho para associar-se com concristãos. Eles têm o espírito de Deus e podem estimulá-lo ao amor e a obras excelentes. Onde está o espírito de Jeová, ali há liberdade — está livre da servidão à opressão. (Heb. 10:24; 2 Cor. 3:17) Evite isolar-se. (Pro. 18:1) Convide seus amigos a que o visitem. Assista às reuniões cristãs. — Heb. 10:25.
Visto que a depressão é um estado em que há falta de alegria, quem está deprimido precisa tentar sentir alegria com as coisas que tem e sente. Reflita sobre as coisas pelas quais deve ser grato e alegre; rejeite pensamentos negativos e mórbidos. (Fil. 4:8) Isto o ajudará a evitar os males que podem ser causados pela depressão, ou, se estiver deprimido por padecer de algum mal, esse pensamento sadio pode aliviar-lhe o sofrimento. Talvez lhe ajude passar alguns dias ou semanas num ambiente diferente — em algum lugar agradável, onde não é constantemente lembrado das coisas associadas com a sua dificuldade. É reconhecido em círculos médicos que “o coração alegre faz bem como alguém que cura, mas o espírito abatido resseca os ossos”. Também é verdade que “o coração alegre tem bom efeito sobre o semblante, mas por causa da dor de coração há um espírito abatido”. — Pro. 17:22; 15:13.
OS OUTROS PRECISAM SER LONGÂNIMES PARA COM OS DEPRIMIDOS
Os parentes e amigos precisam lembrar-se de que a pessoa deprimida tem dificuldade em ajudar a si mesma. É também importante ser paciente, não se devendo achar que o deprimido procura ser birrento e irritante para com os outros. Sempre fale com bondade e amor. Há ocasiões, porém, em que talvez precise falar com firmeza, para convencer o deprimido da necessidade de se esforçar.
Os que são da congregação cristã devem fazer todo o possível para consolar e ajudar o desalentado. Use de bom senso com respeito a quando e quantas vezes o deve visitar, mas não fique desanimado se os seus esforços não produzirem logo frutos. Não desista da pessoa, como estando além de ajuda. Havia pessoas deprimidas na primitiva congregação cristã, o que motivou o apóstolo Paulo a escrever: “Exortamo-vos, irmãos: admoestai os desordeiros, falai consoladoramente às almas deprimidas, amparai os fracos, sede longânimes para com todos”, e, “endireitai as mãos pendentes e os joelhos debilitados”. — 1 Tes. 5:14; Heb. 12:12.
Toda pessoa, no seu próprio coração, quer ser feliz. Se reconhecermos este fato, seremos compassivos com aquele que é infeliz, reconhecendo que há um obstáculo, bem real para aquela pessoa, que se lhe interpõe no caminho. Com o profundo desejo de ajudar, procuraremos descobrir, se possível, qual é este obstáculo, e fazer todo o possível para lhe restabelecer a felicidade. Por outro lado, a pessoa infeliz e deprimida precisa fazer empenho para ter um estado mental feliz, aceitando a ajuda no espírito em que é oferecida e fazendo esforço para se restabelecer, primeiro por meio da oração, e depois fazendo o que se acha ser necessário.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Fobia social
A fobia social, um transtorno ansioso de evolução crônica, vem despertando crescente interesse em pesquisa nos últimos anos. Neste artigo, algumas características clínicas são abordadas. Os subtipos generalizado e não generalizado de fobia social são revistos e discutidos, além de serem mencionados aspectos relacionados à comorbidade e ao diagnóstico diferencial. Dois breves relatos de casos ilustram o perfil clínico dos subtipos não generalizado e generalizado de fobia social.
INTRODUÇÃO
Embora Hipócrates já tivesse descrito a ansiedade social patológica (Marks, 1985), pouco se abordou sobre o assunto, até que Marks & Gelder (1966) distinguiram-na da agorafobia e de outras fobias. De acordo com Liebowitz et al. (1985a), até a metade da década de 1980, a fobia social era considerada um transtorno ansioso negligenciado. A partir daí, um número crescente de publicações têm surgido, revelando um grande interesse em pesquisa sobre o tema.
O que caracteriza a fobia social é uma intensa ansiedade em situações sociais (de contato interpessoal) ou de desempenho, ou mesmo ambas, acarretando sofrimento excessivo ou interferindo de forma acentuada no dia-a-dia da pessoa. O quadro 1 relaciona os critérios diagnósticos para a fobia social, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais – DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994).
Note-se que o DSM-IV enfatiza que, para se fazer o diagnóstico, é importante que o transtorno cause interferência significativa em alguma área importante da vida do indivíduo (trabalho, vida social, atividades acadêmicas e lazer).
Outras características clínicas
O fóbico social reconhece que o seu medo é exagerado ou irracional e teme mostrar sinais de ansiedade, como rubor facial, tremor e sudorese. Em algumas situações, a ansiedade pode assumir a forma de um ataque de pânico. Entre outros medos que se manifestam estão os de parecer ridículo ou tolo, de ser o centro das atenções, de cometer erros e de não saber o que se espera dele. Idéias de referência simples (não delirantes) ocorrem com freqüência nesse paciente. Desta forma, é comum que ele se sinta alvo de comentários ou gozação por parte de outras pessoas, idéias estas que podem ser corrigidas com argumentação lógica. Um estudo realizado no AMBAN do Instituto de Psiquiatria (IPQ) do HCFMUSP (Barros & Lotufo Neto, 1995) mostrou que 75% da amostra de fóbicos sociais apresentaram idéias de referência não delirantes no Present State Examination (PSE), um instrumento utilizado para avaliação diagnóstica.
Classificação
Com a inclusão do subtipo generalizado de fobia social no DSM-III-R (APA, 1987), como sendo aquele em que o indivíduo teme ou evita a maioria das situações sociais, senão todas, um problema surgiu, uma vez que o DSM-III-R não estabeleceu critérios operacionais que determinassem o que seria a "maioria das situações sociais". Essa lacuna persistiu no DSM-IV.
Algumas tentativas foram feitas para se tentar classificar mais precisamente os subtipos de fobia social. Em uma delas, os pacientes foram divididos em dois grupos: os que apresentavam ansiedade de desempenho, como falar em público, comer, beber, escrever diante das pessoas e usar banheiro público, foram considerados de subtipo restrito e aqueles que temiam situações de interação social, como iniciar e manter conversas, festas, reuniões, foram considerados de subtipo generalizado (Turner et al., 1992). Essa proposta de classificação levou em conta aspectos unicamente qualitativos. A fronteira entre esses dois tipos de ansiedade, entretanto, nem sempre é nítida e, na prática, o que se observa é uma mescla de situações de desempenho e de interação social. Em uma situação de flerte, por exemplo, ambas parecem estar presentes.
Um outro estudo (Holt et al., 1992) dividiu os pacientes em subtipos generalizado (temor da maioria ou de todas as situações sociais), não generalizado (temor de um certo número, mas não da maioria das situações sociais) e restrito (temor de uma ou duas situações sociais). De forma semelhante, Mannuzza et al. (1995) dividiram os pacientes em dois grupos, e os de subtipo generalizado temiam a maioria das situações sociais e os de subtipo não generalizado, a minoria delas. O maior problema desses dois últimos estudos aparece no DSM, isto é, não estabeleceram o que é maioria ou minoria das situações sociais.
O estudo de Barros (1996), utilizando até três situações de esquiva de situações sociais para caracterizar o subtipo não generalizado e quatro ou mais para caracterizar o subtipo generalizado, introduziu um critério operacional adicional até então não identificado em outros estudos. Os resultados mostraram que o subtipo generalizado apresentou um perfil psicopatológico mais grave que o subtipo não generalizado, sendo o número de situações de esquiva um bom critério para diferenciá-los, além de ser um procedimento de fácil aplicabilidade.
Relevância médico-social
Embora não seja considerado um transtorno incapacitante, é reconhecido como passível de acarretar prejuízos graves em diferentes áreas da vida como trabalho, atividades acadêmicas, relacionamento familiar, amoroso e vida social (Schneier et al., 1994).
A idade de início do quadro se dá na adolescência ou mesmo na infância, sendo mais comum em mulheres, indivíduos de nível socioeconômico mais baixo e não casados (Schneier et al., 1992).
Ainda não existem estudos prospectivos sobre o curso natural da fobia social, mas os estudos retrospectivos apontam para um curso crônico de difícil remissão espontânea (Davidson et al., 1993).
Com a criação do subtipo generalizado de fobia social pelo DSM-III-R e a possibilidade de se fazer o diagnóstico concomitante de transtorno de personalidade evitativa, a prevalência da fobia social ao longo da vida elevou-se de 3,8% (Davidson et al., 1993) para 13,3% (Kessler et al., 1994). Entretanto, em relação a esse aspecto, os números parecem variar bastante. Em um dos estudos identificados (Furmark et al., 1999), os autores afirmam que, embora a prevalência estimada em sua amostra tenha sido de 16%, esta pode variar de 2% a 20%, de acordo com os níveis de sofrimento e prejuízo funcional utilizados para definir os casos.
Em um estudo recente, Faravelli et al. (2000) observaram a prevalência de aproximadamente 3% em sua amostra de fóbicos sociais. Sabe-se que a ansiedade social é um fenômeno comum na população em geral. A questão que se coloca é quando considerá-la patológica.
Comorbidade
É elevada a comorbidade em fobia social. Segundo Schneier et al. (1992), transtornos comórbidos ocorrem em 69% dos fóbicos sociais, sendo, de um modo geral, secundários do ponto de vista cronológico. A presença de comorbidade parece estar relacionada a um maior prejuízo funcional (Wittchen et al., 1999).
Síndromes depressivas ocorrem com freqüências que variam de17% a 70% entre os fóbicos sociais (Amies et al., 1983; Stein et al., 1990; Van Ameringen et al., 1991; Schneier et al., 1992). A depressão maior é citada como mais freqüente que a distimia nestes estudos. Embora a ideação suicida esteja presente entre os pacientes com fobia social, esta parece estar mais relacionada à intensa desmoralização apresentada por esses pacientes que à presença de depressão maior comórbida (Cox et al., 1994). Por outro lado, Dilsaver et al. (1992) observaram que 45% dos pacientes da amostra com diagnóstico primário de depressão maior preenchiam critérios para o diagnóstico de fobia social, e que esta só se manifestava na vigência do quadro depressivo.
Problemas com álcool são citados em alguns estudos que abordam a fobia social. Na maioria deles, o início dos sintomas fóbicos precedeu o início dos problemas com álcool (Mullaney e Trippett, 1979; Schneier et al., 1992). Outros estudos observaram que o abuso de álcool era mais freqüente entre fóbicos sociais quando comparados a agorafóbicos (Amies et al., 1983; Lotufo-Neto e Gentil, 1994).
Comorbidade com outros transtornos de ansiedade também ocorre na fobia social e é citada com prevalências distintas (Turner et al., 1991; Schneier et al., 1992; Marques et al., 1995). Entre os estudos encontrados, o de Goisman et al. (1995) merece uma atenção especial, uma vez que, em sua amostra de mais de 700 pacientes com transtornos ansiosos, foi observado que mais de 75% dos 199 fóbicos sociais apresentavam outro diagnóstico co-mórbido. Para esses autores, os critérios diagnósticos do DSM não foram usados de maneira uniforme, acarretando dificuldades na discussão dos resultados.
Transtornos alimentares também aparecem na literatura em comorbidade com a fobia social. Halmi et al. (1991) observaram elevada ocorrência de fobia social (34%) em sua amostra de 62 pacientes com transtornos alimentares. Entre pacientes com bulimia nervosa, os transtornos que ocorreram com maior freqüência foram os transtornos ansiosos e, entre eles, a fobia social (Brewerton et al., 1995).
Pacientes com parafilias e compulsões sexuais não parafílicas, como masturbação compulsiva, sexo por telefone e outras modalidades de pornografia também apresentaram comorbidade elevada com fobia social 32%, de acordo com Kakta et al. (1994).
A fobia social foi descrita também como secundária a problemas físicos como gagueira e tremor essencial (George e Lydiard, 1994). Por outro lado, há um relato de caso de uma mulher com fobia social que desenvolveu um quadro de infecção urinária devido à retenção de urina por evitar usar o banheiro de um trem (Brandt et al., 1994).
Em relação ao Eixo II, há estudos que mostram que os transtornos de personalidade ocorrem com freqüência elevada entre os fóbicos sociais. O transtorno de personalidade evitativa, que tem sido considerado uma forma mais grave de fobia social (Turner et al., 1992; Holt et al., 1992; Herbert et al., 1992), é o que ocorre com maior freqüência. Outros transtornos de personalidade, porém, como o transtorno dependente, esquizotípico, paranóide e borderline, aparecem com uma freqüência maior que a esperada (Alnaes e Torgersen, 1988; Sanderson et al., 1994; Jansen et al., 1994). A presença de um transtorno comórbido do Eixo II parece estar relacionada à maior gravidade do quadro de fobia social e também à sobreposição dos critérios para o diagnóstico dos transtornos dos Eixos I e II. O quadro 2 descreve os critérios diagnósticos do DSM-IV para o transtorno de personalidade evitativa.
Ao se comparar os quadros 1 e 2, fica evidente a sobreposição de critérios, o que explica a freqüência elevada da comorbidade entre fobia social e transtorno de personalidade evitativa.
Diagnóstico diferencial
Ataques de pânico podem estar presentes na fobia social e devem ser devidamente distinguidos do transtorno de pânico, embora seja possível a ocorrência comórbida de ambos. Um experimento realizado por Liebowitz et al. (1985b) evidenciou que a infusão de lactato de sódio desencadeava mais ataques de pânico entre pacientes com transtorno de pânico e agorafobia quando comparados a fóbicos sociais (48% versus 7%, respectivamente).
Enquanto no transtorno de pânico o temor maior está relacionado a um problema físico, como ter um enfarte, derrame ou perder o controle e enlouquecer, na fobia social é o medo de ruborizar, tremer, suar e de ser avaliado negativamente pelas pessoas que estão presentes. Além disso, ataques de pânico espontâneos ocorrem no transtorno de pânico, mas não na fobia social, em que a presença de outras pessoas é necessária para que se faça o diagnóstico. Mesmo quando se considera a ansiedade agorafóbica, por exemplo, em um ambiente cheio de pessoas, o que a caracteriza é o medo de ter um ataque de pânico nessa situação, enquanto na ansiedade social é o medo de estar sendo observado e avaliado pelas pessoas (Turner e Beidel, 1989). Enquanto os fóbicos sociais sentem-se mais confortáveis quando sós, os agorafóbicos preferem a companhia de outras pessoas, sobretudo as mais próximas.
Embora a preocupação com o desempenho possa estar presente no transtorno de ansiedade generalizada, esta não se encontra restrita à presença de outras pessoas, ocorrendo mesmo quando o indivíduo está só.
No transtorno dismórfico corporal, a preocupação está centrada em algum defeito físico real (geralmente de proporção mínima) ou imaginário. É a aparência que está em questão, enquanto na fobia social é o desempenho ou contato interpessoal, isto é, como a pessoa vai se portar nas situações sociais.
Depressão atípica, caracterizada pela presença de ansiedade acentuada e hipersensibilidade à rejeição, que também estão presentes na fobia social, pode ser um diagnóstico diferencial difícil de ser feito em função dessa sobreposição de sintomas. No entanto, não se observam a esquiva e o desconforto em situações sociais presentes nessa última.
Na distimia, embora o desconforto e mesmo a esquiva de situações sociais possam estar presentes, manifestam-se sobretudo nos períodos de piora dos sintomas depressivos, ao passo que, na fobia social, a ansiedade costuma manter-se em níveis constantes.
Nas psicoses, o que se observa são idéias delirantes verdadeiras, difíceis de serem removidas por argumentação lógica. Na fobia social, são as idéias de referência simples que estão presentes, e o paciente geralmente tem crítica de que está fazendo um juízo errado das situações.
Indivíduos com transtorno esquizóide de personalidade não se interessam por contatos sociais, permanecendo, por isto, isolados, ao passo que os fóbicos sociais anseiam por esses contatos, mas têm muita dificuldade ou não conseguem fazê-lo, daí seu isolamento.
Relatos de casos
Caso 1
Paciente D., 38 anos, solteira, professora, queixava-se de pavor de preencher e assinar cheques ou tomar uma bebida na frente de outras pessoas. Passou a evitar sair com os amigos por não se sentir bem ao recusar bebidas, o que, segundo ela, poderia parecer estranho. Evitava usar cheques e também dirigir por achar que iria tremer. O quadro iniciou-se aos 18 anos de idade e a cognição mais freqüente, apresentada pela paciente, era "eu vou tremer".
A paciente foi medicada com propranolol 20 mg ao dia e foi construída uma hierarquia para exposição, na qual ela foi encorajada a enfrentar seus medos fóbicos em um grau crescente de dificuldade. Assim, segundo a paciente, era mais fácil tomar uma bebida na frente das pessoas que preencher um cheque diante delas e que, por sua vez, era mais fácil do que assiná-lo. A evolução foi favorável, tendo havido redução do tremor com o uso do propranolol, o que facilitou a exposição, levando à habituação. Permaneceu a esquiva para dirigir, que a paciente preferiu não tratar.
Caso 2
Paciente S., 26 anos, solteiro, comerciante, apresentava queixa de muita dificuldade no relacionamento com as pessoas desde que era menino. Sua maior dificuldade era conseguir conversar com elas, o que passou a evitar, pois sentia-se muito mal, com tontura, sudorese, taquicardia, tremor, ondas de calor que subiam para a sua face, tensão muscular e dor de cabeça. Nessas ocasiões, não sabia o que dizer, se podia ou não fazer perguntas, se a pessoa estava ou não gostando da sua companhia e sentia-se extremamente constrangido. Pessoas que julgava serem mais inteligentes ou mais bem sucedidas que ele eram as que mais geravam constrangimento no paciente, embora ele mesmo tivesse sucesso profissional (possuía uma franquia). Nas ocasiões em que havia encontros com a família, na casa dos pais, permanecia isolado ou na cozinha, conversando com uma antiga empregada. A única pessoa com quem o paciente se relacionava, além de seus familiares mais próximos, era a namorada, sua vizinha desde a infância e com quem mantinha um relacionamento amoroso há oito anos.
Nesse relacionamento, o paciente preferia ficar em casa com ela. Nas poucas vezes que saíram e foram a um lugar público, ele se sentiu muito mal, achava que todos o observavam e que havia pessoas fazendo comentários e até caçoando dele. Em uma ocasião em que foram a um restaurante, o paciente sentiu-se mal e vomitou. A partir daí não quis mais freqüentar restaurantes. Ao procurar tratamento, o paciente queixava-se de isolamento social praticamente total – evitava sair de sua loja para almoçar, pois sentia-se observado, apresentava considerável grau de anedonia e pensava que morrer talvez solucionasse o seu problema.
O paciente foi medicado com tranilcipromina até 80 mg/dia, com melhora importante dos sintomas depressivos e também da ansiedade social. Em relação à ultima, os sintomas físicos diminuíram de intensidade e as idéias de referência praticamente desapareceram, embora esquiva em relação a uma série de situações sociais permanecesse. O paciente foi então encaminhado para terapia cognitivo-comportamental e evolui satisfatoriamente.
Discussão
Ao se observar esses dois relatos, pode-se afirmar que ambos preenchem critérios para o diagnóstico de fobia social. No primeiro deles, entretanto, a ansiedade restringia-se a tremer em determinadas situações (escrever, beber e dirigir), ao passo que, no segundo, o paciente temia ou se esquivava de quase todas as situações que implicassem estar com as pessoas, tendo apresentado, inclusive, idéias de referência simples e uma síndrome depressiva comórbida. Esse paciente preenchia também critérios para o diagnóstico de transtorno de personalidade evitativa, caracterizando, assim, um quadro mais grave de fobia social. Pode-se dizer que o primeiro é um caso de fobia social de subtipo não generalizado, e o segundo, de subtipo generalizado.
Conclusões
Com a publicação do DSM-IV, o diagnóstico clínico da fobia social ficou mais claro. No entanto, do ponto de vista da pesquisa, ainda há muito para ser feito. O DSM-IV não especifica, por exemplo, a extensão do prejuízo funcional que deve ser considerado para que seja feito o diagnóstico e como proceder para mensurá-lo. Isso acarreta resultados muito diferentes em estudos epidemiológicos que procuram avaliar a prevalência da fobia social.
Em relação aos subtipos, algo similar ocorre, já que o DSM-IV não estabeleceu critérios adicionais para definir o que seria "maioria das situações sociais" para caracterizar o subtipo generalizado de fobia social. Conseqüentemente, também não fica claro o que é fobia social restrita, circunscrita ou não generalizada. Há autores que propõem até que a fobia de falar em público seja separada em um subtipo à parte de fobia social (Stein et al., 1994).
A comorbidade com outros transtornos mentais ocorre em mais de 75% dos casos e é muito variável – depressão, problemas com álcool, transtornos ansiosos, alimentares e desvios sexuais, além de transtornos do Eixo II (excetuando-se o transtorno de personalidade evitativa).
O diagnóstico diferencial deve ser bem feito. A presença de ataques de pânico, por exemplo, não caracteriza transtorno de pânico, sobretudo se ocorrerem em situações de contato interpessoal. É preciso que as situações sociais e de desempenho fiquem bem caracterizadas. Dessa forma, evita-se fazer o diagnóstico de fobia social em pacientes com transtorno de ansiedade generalizada, transtorno dismórfico corporal, depressões atípicas e até mesmo
A fobia social, um transtorno ansioso de evolução crônica, vem despertando crescente interesse em pesquisa nos últimos anos. Neste artigo, algumas características clínicas são abordadas. Os subtipos generalizado e não generalizado de fobia social são revistos e discutidos, além de serem mencionados aspectos relacionados à comorbidade e ao diagnóstico diferencial. Dois breves relatos de casos ilustram o perfil clínico dos subtipos não generalizado e generalizado de fobia social.
INTRODUÇÃO
Embora Hipócrates já tivesse descrito a ansiedade social patológica (Marks, 1985), pouco se abordou sobre o assunto, até que Marks & Gelder (1966) distinguiram-na da agorafobia e de outras fobias. De acordo com Liebowitz et al. (1985a), até a metade da década de 1980, a fobia social era considerada um transtorno ansioso negligenciado. A partir daí, um número crescente de publicações têm surgido, revelando um grande interesse em pesquisa sobre o tema.
O que caracteriza a fobia social é uma intensa ansiedade em situações sociais (de contato interpessoal) ou de desempenho, ou mesmo ambas, acarretando sofrimento excessivo ou interferindo de forma acentuada no dia-a-dia da pessoa. O quadro 1 relaciona os critérios diagnósticos para a fobia social, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais – DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994).
Note-se que o DSM-IV enfatiza que, para se fazer o diagnóstico, é importante que o transtorno cause interferência significativa em alguma área importante da vida do indivíduo (trabalho, vida social, atividades acadêmicas e lazer).
Outras características clínicas
O fóbico social reconhece que o seu medo é exagerado ou irracional e teme mostrar sinais de ansiedade, como rubor facial, tremor e sudorese. Em algumas situações, a ansiedade pode assumir a forma de um ataque de pânico. Entre outros medos que se manifestam estão os de parecer ridículo ou tolo, de ser o centro das atenções, de cometer erros e de não saber o que se espera dele. Idéias de referência simples (não delirantes) ocorrem com freqüência nesse paciente. Desta forma, é comum que ele se sinta alvo de comentários ou gozação por parte de outras pessoas, idéias estas que podem ser corrigidas com argumentação lógica. Um estudo realizado no AMBAN do Instituto de Psiquiatria (IPQ) do HCFMUSP (Barros & Lotufo Neto, 1995) mostrou que 75% da amostra de fóbicos sociais apresentaram idéias de referência não delirantes no Present State Examination (PSE), um instrumento utilizado para avaliação diagnóstica.
Classificação
Com a inclusão do subtipo generalizado de fobia social no DSM-III-R (APA, 1987), como sendo aquele em que o indivíduo teme ou evita a maioria das situações sociais, senão todas, um problema surgiu, uma vez que o DSM-III-R não estabeleceu critérios operacionais que determinassem o que seria a "maioria das situações sociais". Essa lacuna persistiu no DSM-IV.
Algumas tentativas foram feitas para se tentar classificar mais precisamente os subtipos de fobia social. Em uma delas, os pacientes foram divididos em dois grupos: os que apresentavam ansiedade de desempenho, como falar em público, comer, beber, escrever diante das pessoas e usar banheiro público, foram considerados de subtipo restrito e aqueles que temiam situações de interação social, como iniciar e manter conversas, festas, reuniões, foram considerados de subtipo generalizado (Turner et al., 1992). Essa proposta de classificação levou em conta aspectos unicamente qualitativos. A fronteira entre esses dois tipos de ansiedade, entretanto, nem sempre é nítida e, na prática, o que se observa é uma mescla de situações de desempenho e de interação social. Em uma situação de flerte, por exemplo, ambas parecem estar presentes.
Um outro estudo (Holt et al., 1992) dividiu os pacientes em subtipos generalizado (temor da maioria ou de todas as situações sociais), não generalizado (temor de um certo número, mas não da maioria das situações sociais) e restrito (temor de uma ou duas situações sociais). De forma semelhante, Mannuzza et al. (1995) dividiram os pacientes em dois grupos, e os de subtipo generalizado temiam a maioria das situações sociais e os de subtipo não generalizado, a minoria delas. O maior problema desses dois últimos estudos aparece no DSM, isto é, não estabeleceram o que é maioria ou minoria das situações sociais.
O estudo de Barros (1996), utilizando até três situações de esquiva de situações sociais para caracterizar o subtipo não generalizado e quatro ou mais para caracterizar o subtipo generalizado, introduziu um critério operacional adicional até então não identificado em outros estudos. Os resultados mostraram que o subtipo generalizado apresentou um perfil psicopatológico mais grave que o subtipo não generalizado, sendo o número de situações de esquiva um bom critério para diferenciá-los, além de ser um procedimento de fácil aplicabilidade.
Relevância médico-social
Embora não seja considerado um transtorno incapacitante, é reconhecido como passível de acarretar prejuízos graves em diferentes áreas da vida como trabalho, atividades acadêmicas, relacionamento familiar, amoroso e vida social (Schneier et al., 1994).
A idade de início do quadro se dá na adolescência ou mesmo na infância, sendo mais comum em mulheres, indivíduos de nível socioeconômico mais baixo e não casados (Schneier et al., 1992).
Ainda não existem estudos prospectivos sobre o curso natural da fobia social, mas os estudos retrospectivos apontam para um curso crônico de difícil remissão espontânea (Davidson et al., 1993).
Com a criação do subtipo generalizado de fobia social pelo DSM-III-R e a possibilidade de se fazer o diagnóstico concomitante de transtorno de personalidade evitativa, a prevalência da fobia social ao longo da vida elevou-se de 3,8% (Davidson et al., 1993) para 13,3% (Kessler et al., 1994). Entretanto, em relação a esse aspecto, os números parecem variar bastante. Em um dos estudos identificados (Furmark et al., 1999), os autores afirmam que, embora a prevalência estimada em sua amostra tenha sido de 16%, esta pode variar de 2% a 20%, de acordo com os níveis de sofrimento e prejuízo funcional utilizados para definir os casos.
Em um estudo recente, Faravelli et al. (2000) observaram a prevalência de aproximadamente 3% em sua amostra de fóbicos sociais. Sabe-se que a ansiedade social é um fenômeno comum na população em geral. A questão que se coloca é quando considerá-la patológica.
Comorbidade
É elevada a comorbidade em fobia social. Segundo Schneier et al. (1992), transtornos comórbidos ocorrem em 69% dos fóbicos sociais, sendo, de um modo geral, secundários do ponto de vista cronológico. A presença de comorbidade parece estar relacionada a um maior prejuízo funcional (Wittchen et al., 1999).
Síndromes depressivas ocorrem com freqüências que variam de17% a 70% entre os fóbicos sociais (Amies et al., 1983; Stein et al., 1990; Van Ameringen et al., 1991; Schneier et al., 1992). A depressão maior é citada como mais freqüente que a distimia nestes estudos. Embora a ideação suicida esteja presente entre os pacientes com fobia social, esta parece estar mais relacionada à intensa desmoralização apresentada por esses pacientes que à presença de depressão maior comórbida (Cox et al., 1994). Por outro lado, Dilsaver et al. (1992) observaram que 45% dos pacientes da amostra com diagnóstico primário de depressão maior preenchiam critérios para o diagnóstico de fobia social, e que esta só se manifestava na vigência do quadro depressivo.
Problemas com álcool são citados em alguns estudos que abordam a fobia social. Na maioria deles, o início dos sintomas fóbicos precedeu o início dos problemas com álcool (Mullaney e Trippett, 1979; Schneier et al., 1992). Outros estudos observaram que o abuso de álcool era mais freqüente entre fóbicos sociais quando comparados a agorafóbicos (Amies et al., 1983; Lotufo-Neto e Gentil, 1994).
Comorbidade com outros transtornos de ansiedade também ocorre na fobia social e é citada com prevalências distintas (Turner et al., 1991; Schneier et al., 1992; Marques et al., 1995). Entre os estudos encontrados, o de Goisman et al. (1995) merece uma atenção especial, uma vez que, em sua amostra de mais de 700 pacientes com transtornos ansiosos, foi observado que mais de 75% dos 199 fóbicos sociais apresentavam outro diagnóstico co-mórbido. Para esses autores, os critérios diagnósticos do DSM não foram usados de maneira uniforme, acarretando dificuldades na discussão dos resultados.
Transtornos alimentares também aparecem na literatura em comorbidade com a fobia social. Halmi et al. (1991) observaram elevada ocorrência de fobia social (34%) em sua amostra de 62 pacientes com transtornos alimentares. Entre pacientes com bulimia nervosa, os transtornos que ocorreram com maior freqüência foram os transtornos ansiosos e, entre eles, a fobia social (Brewerton et al., 1995).
Pacientes com parafilias e compulsões sexuais não parafílicas, como masturbação compulsiva, sexo por telefone e outras modalidades de pornografia também apresentaram comorbidade elevada com fobia social 32%, de acordo com Kakta et al. (1994).
A fobia social foi descrita também como secundária a problemas físicos como gagueira e tremor essencial (George e Lydiard, 1994). Por outro lado, há um relato de caso de uma mulher com fobia social que desenvolveu um quadro de infecção urinária devido à retenção de urina por evitar usar o banheiro de um trem (Brandt et al., 1994).
Em relação ao Eixo II, há estudos que mostram que os transtornos de personalidade ocorrem com freqüência elevada entre os fóbicos sociais. O transtorno de personalidade evitativa, que tem sido considerado uma forma mais grave de fobia social (Turner et al., 1992; Holt et al., 1992; Herbert et al., 1992), é o que ocorre com maior freqüência. Outros transtornos de personalidade, porém, como o transtorno dependente, esquizotípico, paranóide e borderline, aparecem com uma freqüência maior que a esperada (Alnaes e Torgersen, 1988; Sanderson et al., 1994; Jansen et al., 1994). A presença de um transtorno comórbido do Eixo II parece estar relacionada à maior gravidade do quadro de fobia social e também à sobreposição dos critérios para o diagnóstico dos transtornos dos Eixos I e II. O quadro 2 descreve os critérios diagnósticos do DSM-IV para o transtorno de personalidade evitativa.
Ao se comparar os quadros 1 e 2, fica evidente a sobreposição de critérios, o que explica a freqüência elevada da comorbidade entre fobia social e transtorno de personalidade evitativa.
Diagnóstico diferencial
Ataques de pânico podem estar presentes na fobia social e devem ser devidamente distinguidos do transtorno de pânico, embora seja possível a ocorrência comórbida de ambos. Um experimento realizado por Liebowitz et al. (1985b) evidenciou que a infusão de lactato de sódio desencadeava mais ataques de pânico entre pacientes com transtorno de pânico e agorafobia quando comparados a fóbicos sociais (48% versus 7%, respectivamente).
Enquanto no transtorno de pânico o temor maior está relacionado a um problema físico, como ter um enfarte, derrame ou perder o controle e enlouquecer, na fobia social é o medo de ruborizar, tremer, suar e de ser avaliado negativamente pelas pessoas que estão presentes. Além disso, ataques de pânico espontâneos ocorrem no transtorno de pânico, mas não na fobia social, em que a presença de outras pessoas é necessária para que se faça o diagnóstico. Mesmo quando se considera a ansiedade agorafóbica, por exemplo, em um ambiente cheio de pessoas, o que a caracteriza é o medo de ter um ataque de pânico nessa situação, enquanto na ansiedade social é o medo de estar sendo observado e avaliado pelas pessoas (Turner e Beidel, 1989). Enquanto os fóbicos sociais sentem-se mais confortáveis quando sós, os agorafóbicos preferem a companhia de outras pessoas, sobretudo as mais próximas.
Embora a preocupação com o desempenho possa estar presente no transtorno de ansiedade generalizada, esta não se encontra restrita à presença de outras pessoas, ocorrendo mesmo quando o indivíduo está só.
No transtorno dismórfico corporal, a preocupação está centrada em algum defeito físico real (geralmente de proporção mínima) ou imaginário. É a aparência que está em questão, enquanto na fobia social é o desempenho ou contato interpessoal, isto é, como a pessoa vai se portar nas situações sociais.
Depressão atípica, caracterizada pela presença de ansiedade acentuada e hipersensibilidade à rejeição, que também estão presentes na fobia social, pode ser um diagnóstico diferencial difícil de ser feito em função dessa sobreposição de sintomas. No entanto, não se observam a esquiva e o desconforto em situações sociais presentes nessa última.
Na distimia, embora o desconforto e mesmo a esquiva de situações sociais possam estar presentes, manifestam-se sobretudo nos períodos de piora dos sintomas depressivos, ao passo que, na fobia social, a ansiedade costuma manter-se em níveis constantes.
Nas psicoses, o que se observa são idéias delirantes verdadeiras, difíceis de serem removidas por argumentação lógica. Na fobia social, são as idéias de referência simples que estão presentes, e o paciente geralmente tem crítica de que está fazendo um juízo errado das situações.
Indivíduos com transtorno esquizóide de personalidade não se interessam por contatos sociais, permanecendo, por isto, isolados, ao passo que os fóbicos sociais anseiam por esses contatos, mas têm muita dificuldade ou não conseguem fazê-lo, daí seu isolamento.
Relatos de casos
Caso 1
Paciente D., 38 anos, solteira, professora, queixava-se de pavor de preencher e assinar cheques ou tomar uma bebida na frente de outras pessoas. Passou a evitar sair com os amigos por não se sentir bem ao recusar bebidas, o que, segundo ela, poderia parecer estranho. Evitava usar cheques e também dirigir por achar que iria tremer. O quadro iniciou-se aos 18 anos de idade e a cognição mais freqüente, apresentada pela paciente, era "eu vou tremer".
A paciente foi medicada com propranolol 20 mg ao dia e foi construída uma hierarquia para exposição, na qual ela foi encorajada a enfrentar seus medos fóbicos em um grau crescente de dificuldade. Assim, segundo a paciente, era mais fácil tomar uma bebida na frente das pessoas que preencher um cheque diante delas e que, por sua vez, era mais fácil do que assiná-lo. A evolução foi favorável, tendo havido redução do tremor com o uso do propranolol, o que facilitou a exposição, levando à habituação. Permaneceu a esquiva para dirigir, que a paciente preferiu não tratar.
Caso 2
Paciente S., 26 anos, solteiro, comerciante, apresentava queixa de muita dificuldade no relacionamento com as pessoas desde que era menino. Sua maior dificuldade era conseguir conversar com elas, o que passou a evitar, pois sentia-se muito mal, com tontura, sudorese, taquicardia, tremor, ondas de calor que subiam para a sua face, tensão muscular e dor de cabeça. Nessas ocasiões, não sabia o que dizer, se podia ou não fazer perguntas, se a pessoa estava ou não gostando da sua companhia e sentia-se extremamente constrangido. Pessoas que julgava serem mais inteligentes ou mais bem sucedidas que ele eram as que mais geravam constrangimento no paciente, embora ele mesmo tivesse sucesso profissional (possuía uma franquia). Nas ocasiões em que havia encontros com a família, na casa dos pais, permanecia isolado ou na cozinha, conversando com uma antiga empregada. A única pessoa com quem o paciente se relacionava, além de seus familiares mais próximos, era a namorada, sua vizinha desde a infância e com quem mantinha um relacionamento amoroso há oito anos.
Nesse relacionamento, o paciente preferia ficar em casa com ela. Nas poucas vezes que saíram e foram a um lugar público, ele se sentiu muito mal, achava que todos o observavam e que havia pessoas fazendo comentários e até caçoando dele. Em uma ocasião em que foram a um restaurante, o paciente sentiu-se mal e vomitou. A partir daí não quis mais freqüentar restaurantes. Ao procurar tratamento, o paciente queixava-se de isolamento social praticamente total – evitava sair de sua loja para almoçar, pois sentia-se observado, apresentava considerável grau de anedonia e pensava que morrer talvez solucionasse o seu problema.
O paciente foi medicado com tranilcipromina até 80 mg/dia, com melhora importante dos sintomas depressivos e também da ansiedade social. Em relação à ultima, os sintomas físicos diminuíram de intensidade e as idéias de referência praticamente desapareceram, embora esquiva em relação a uma série de situações sociais permanecesse. O paciente foi então encaminhado para terapia cognitivo-comportamental e evolui satisfatoriamente.
Discussão
Ao se observar esses dois relatos, pode-se afirmar que ambos preenchem critérios para o diagnóstico de fobia social. No primeiro deles, entretanto, a ansiedade restringia-se a tremer em determinadas situações (escrever, beber e dirigir), ao passo que, no segundo, o paciente temia ou se esquivava de quase todas as situações que implicassem estar com as pessoas, tendo apresentado, inclusive, idéias de referência simples e uma síndrome depressiva comórbida. Esse paciente preenchia também critérios para o diagnóstico de transtorno de personalidade evitativa, caracterizando, assim, um quadro mais grave de fobia social. Pode-se dizer que o primeiro é um caso de fobia social de subtipo não generalizado, e o segundo, de subtipo generalizado.
Conclusões
Com a publicação do DSM-IV, o diagnóstico clínico da fobia social ficou mais claro. No entanto, do ponto de vista da pesquisa, ainda há muito para ser feito. O DSM-IV não especifica, por exemplo, a extensão do prejuízo funcional que deve ser considerado para que seja feito o diagnóstico e como proceder para mensurá-lo. Isso acarreta resultados muito diferentes em estudos epidemiológicos que procuram avaliar a prevalência da fobia social.
Em relação aos subtipos, algo similar ocorre, já que o DSM-IV não estabeleceu critérios adicionais para definir o que seria "maioria das situações sociais" para caracterizar o subtipo generalizado de fobia social. Conseqüentemente, também não fica claro o que é fobia social restrita, circunscrita ou não generalizada. Há autores que propõem até que a fobia de falar em público seja separada em um subtipo à parte de fobia social (Stein et al., 1994).
A comorbidade com outros transtornos mentais ocorre em mais de 75% dos casos e é muito variável – depressão, problemas com álcool, transtornos ansiosos, alimentares e desvios sexuais, além de transtornos do Eixo II (excetuando-se o transtorno de personalidade evitativa).
O diagnóstico diferencial deve ser bem feito. A presença de ataques de pânico, por exemplo, não caracteriza transtorno de pânico, sobretudo se ocorrerem em situações de contato interpessoal. É preciso que as situações sociais e de desempenho fiquem bem caracterizadas. Dessa forma, evita-se fazer o diagnóstico de fobia social em pacientes com transtorno de ansiedade generalizada, transtorno dismórfico corporal, depressões atípicas e até mesmo
quinta-feira, 11 de junho de 2009
O QUE EU PENSO SOBRE DEPRESSÃO: quem já passou por essa terrível doença chamada "Depressão", que é a doença da alma, digo que também sou vítima dessa doença, que "ser feliz é não ter vergonha dos próprios sentimentos; ser feliz é não ter vergonha de falar de si mesmo".DEPRESSÃO Quando se olha o mundo de fora é muito fácil dizer o que se deve fazer,como e até quando.Achamos soluções para todo mundo, desde que não estejamos envolvidos.É fácil falar da dor que não sentimos, do amor que não perdemos, dos problemas que não temos e da vida que não vivemos.Somos assim muito sábios quando o espinho não está em nós!...Os altos e baixos são comuns a todo mundo.Ninguém vive em linha reta.E há pessoas que suportam mais facilmente as subidas e descidas da vida que outras, como umas pegam certas doenças e outras não.Há coisas que não se controla, pois se tivéssemos escolha, optaríamos sempre por uma vida sã.A depressão é uma doença como uma outra, não um capricho de quem deseja mais do que a vida pode oferecer.Só quem passou ou passa por isso sabe entender o que é.E como toda doença, deve ser reconhecida, entendida e tratada como tal.Infelizmente todo mundo não está preparado para ajudar em casos assim etentam resolveros problemas mostrando que há pessoas mais infelizes.Contudo, não é possível minimizar a dor de ninguém, fazendo-o comparar sua infelicidade com as misérias do mundo.Ninguém pode se sentir melhor porque do lado de fora há mais sofrimento.Se fosse assim, seria fácil ir dormir feliz a cada dia, bastando assistir ou ler jornais.É claro que muitas vezes vemos uma coisa triste e pensamos no quanto somos abençoados por não vivermos aquilo.Isso é normal para todo mundo, nos faz refletir sobre a realidade da vida.Mas se passamos nossa vida com comparações não vamos a lugar nenhum,pois sempre haverá parâmetros diferentes e acabaremos nos sentindo perdidos.Precisamos respeitar a dor e sentimento do outro, como respeitamos os limites do seu jardim.Cada vida é única, é própria.Podemos ajudar uma pessoa depressiva mostrando-lhe o lado belo da vida,dando-lhe razões para olhar além do horizonte, criar objetivos e acreditar neles.Podemos tirá-la do isolamento em que se encontra dando-lhe palavras de econforto e amizade, fazendo-a sentir-se amada e útil.Dizer a um depressivo que seus problemas são mínimos porque há coisas piores na vida não o fará sentir-se melhor.Quando Jesus se referiu à pessoas com problemas e ansiedades, mandou que olhassem os lírios dos campos e as aves no céu e se repousassem,apontou para coisas bonitas e alegres, nunca disse para olharem os necessitados. E Ele teve, também, Seu momento de dor, tristeza e lágrima, como todo ser humano.As soluções para os problemas começam com o reconhecimento deles.Ter amigos que possam compreender já é um passo na direção da cura.A compreensão da dor do outro leva-lhe segurança.E, segura, uma pessoa poderá se levantar e recomeçar seu caminho, com toda ajuda que ela deve ter.Depressão? Uma doença sim. E médicos são úteis. Amigos são preciosos. Orações são imprescindíveis. Deus nos abençoe...
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Fique atento aos indícios
"A tristeza é uma emoção normal e saudável; a depressão é uma doença. O desafio é entender e reconhecer a diferença." — Dr. David G. Fassler.
COMO a maioria das outras doenças, a depressão tem sintomas reveladores. Mas nem sempre é fácil reconhecer os indícios. Por quê? Porque quase todos os adolescentes ficam "para baixo" de vez em quando — algo que também ocorre com adultos. Qual é a diferença entre um mero caso de melancolia e a depressão? Tem muito que ver com a intensidade e a duração do problema.
Intensidade refere-se ao grau de aflição que os sentimentos negativos causam no jovem. A depressão é mais grave do que um breve período de desânimo. Trata-se de uma doença emocional intensa que afeta muito a capacidade do adolescente de levar uma vida normal. O Dr. Andrew Slaby descreve a gravidade da doença da seguinte maneira: "Imagine a pior dor física que você já sentiu — um osso fraturado, uma dor de dente ou uma dor de parto —, multiplique-a por dez e retire a causa; daí você talvez tenha uma idéia aproximada da dor causada pela depressão."
Duração refere-se a quanto tempo dura o estado de apatia. Segundo os professores clínicos Leon Cytryn e Donald H. McKnew Jr., "uma criança que não mostra sinais de se consolar ou de voltar à vida normal uma semana depois de ter entrado num período de tristeza (não importa por qual razão) — ou seis meses depois de ter sofrido uma grande perda pessoal — corre risco de desenvolver um distúrbio depressivo".
Sintomas comuns
Obtém-se um diagnóstico de depressão somente quando um jovem apresenta vários dos sintomas todo dia, durante a maior parte do dia, por duas semanas pelo menos. Quando a crise dura relativamente pouco tempo, é chamada de episódio depressivo. Quando os sintomas persistem por pelo menos um ano com no máximo dois meses de alívio, o diagnóstico pode ser de distimia, uma forma mais crônica de depressão leve ou moderada. Seja como for, quais são alguns sintomas comuns de depressão?
Mudança súbita de humor e de comportamento. Um adolescente que antes era dócil de repente se torna hostil. É comum que adolescentes deprimidos apresentem comportamento rebelde e até fujam de casa.
Isolamento social. O adolescente deprimido se afasta dos amigos. Ou pode ser que os amigos se afastem, notando mudanças indesejáveis na atitude e no comportamento dele.
Diminuição de interesse em quase toda atividade. O adolescente fica incomumente passivo. Começa a achar tediosos os passatempos de que antes gostava.
Mudança perceptível nos hábitos alimentares. Muitos especialistas acham que distúrbios como anorexia, bulimia e compulsão alimentar muitas vezes coexistem com a depressão e com freqüência são causados por ela.
Distúrbios do sono. O adolescente dorme muito pouco ou demais. Alguns desenvolvem hábitos irregulares de sono, ficando acordados a noite toda e depois dormindo o dia inteiro.
Queda no rendimento escolar. O adolescente deprimido tem dificuldades para se relacionar com os professores e os colegas, e as notas começam a cair. Logo ele nem quer mais ir à escola.
Comportamento arriscado ou autodestrutivo. ‘Brincar com a morte’ pode indicar que o jovem tem pouco interesse pela vida. Outro possível sintoma é a automutilação (como cortar a pele).
Sentimentos de inutilidade ou de culpa sem razão. O adolescente se torna muito autocrítico, sentindo-se um fracassado, mesmo que os fatos indiquem o contrário.
Problemas psicossomáticos. Quando não se descobre uma causa física para dores de cabeça, de estômago e nas costas ou para problemas similares, esses podem ser indícios de depressão.
Idéias recorrentes de morte ou suicídio. Preocupação com temas mórbidos pode indicar depressão. Ameaças de suicídio também. — Veja o quadro abaixo.
Distúrbio bipolar
Alguns desses sintomas podem indicar outra doença complexa: o distúrbio bipolar. Segundo a Dra. Barbara D. Ingersoll e o Dr. Sam Goldstein, o distúrbio bipolar (antes conhecido como psicose maníaco-depressiva) é "uma condição caracterizada por episódios depressivos intercalados por períodos em que o humor e a energia estão excessivamente elevados, bem acima, de fato, dos níveis normais do bom humor".
Essa fase de euforia é chamada de mania. Os sintomas incluem falar muito, ter raciocínio rápido e menor necessidade de sono. De fato, a vítima talvez passe dias sem dormir, aparentemente sem perder a disposição. Outro sintoma do distúrbio bipolar é o comportamento extremamente impulsivo, sem levar em conta as conseqüências. "A mania muitas vezes afeta o raciocínio, o julgamento e o comportamento social de maneiras que causam problemas graves e embaraço", declara um relatório do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA. Quanto tempo dura a fase da mania? Às vezes apenas alguns dias; em outros casos, vários meses — até ser substituída pela depressão.
Quem tem parentes que sofrem da doença corre maior risco de desenvolver o distúrbio bipolar. A boa notícia é que existe esperança para as vítimas. "Se forem diagnosticadas cedo e tratadas corretamente", diz o livro The Bipolar Child (A Criança Bipolar), "essas crianças e suas famílias podem ter uma vida bem mais estável".
É importante mencionar que nenhum desses sintomas por si só indica depressão ou distúrbio bipolar. Costuma-se obter o diagnóstico quando vários desses sintomas ocorrem ao longo de um determinado período. Mas ainda há uma pergunta que precisa ser respondida: Por que essa doença complexa aflige os adolescentes?
Os sintomas apresentados aqui servem apenas para que se tenha uma idéia do problema e não como critérios para diagnóstico.
Às vezes, o comportamento rebelde é um indício de depressãoAdolescentes deprimidos muitas vezes perdem o interesse por atividades de que antes gostavam
Jovens Que Querem Morrer
Segundo os Centros de Controle de Doenças, dos EUA, em um ano recente mais jovens naquele país morreram de suicídio do que de câncer, doenças cardíacas, Aids, defeitos de nascença, derrame, pneumonia, gripe e doenças pulmonares crônicas somadas. Outro fato preocupante: o número de casos notificados de suicídio de jovens de 10 a 14 anos teve um aumento significativo.
É possível evitar o suicídio de adolescentes? Em alguns casos, sim. "As estatísticas mostram que muitos suicídios são, de fato, precedidos por tentativas ou indícios e avisos verbais", escreve a Dra. Kathleen McCoy. "Quando um filho adolescente dá mesmo que os mais ligeiros indícios de ter idéias suicidas, é hora de dar atenção ao problema e possivelmente buscar ajuda profissional."
Visto que a depressão é comum entre adolescentes, os pais e outros adultos devem levar a sério quaisquer indícios que o jovem apresente de querer tirar a própria vida. "Em quase todo caso de suicídio que estudei, as pistas sobre aquilo que o adolescente planejava fazer foram despercebidas ou desconsideradas", escreve o Dr. Andrew Slaby no livro No One Saw My Pain (Ninguém Notou a Minha Dor). "Os familiares e amigos não se deram conta da enormidade das mudanças que estavam ocorrendo. Eles se concentraram nas conseqüências e não no problema por trás delas, de modo que o diagnóstico foi de ‘problemas familiares’, ‘uso de drogas’ ou ‘anorexia’. Em alguns casos, tratou-se da raiva, da confusão e da irritabilidade, mas não da depressão. O problema básico continuou, alimentando a dor e a raiva."
A mensagem é clara: Leve a sério qualquer indício de tendências suicidas!
"A tristeza é uma emoção normal e saudável; a depressão é uma doença. O desafio é entender e reconhecer a diferença." — Dr. David G. Fassler.
COMO a maioria das outras doenças, a depressão tem sintomas reveladores. Mas nem sempre é fácil reconhecer os indícios. Por quê? Porque quase todos os adolescentes ficam "para baixo" de vez em quando — algo que também ocorre com adultos. Qual é a diferença entre um mero caso de melancolia e a depressão? Tem muito que ver com a intensidade e a duração do problema.
Intensidade refere-se ao grau de aflição que os sentimentos negativos causam no jovem. A depressão é mais grave do que um breve período de desânimo. Trata-se de uma doença emocional intensa que afeta muito a capacidade do adolescente de levar uma vida normal. O Dr. Andrew Slaby descreve a gravidade da doença da seguinte maneira: "Imagine a pior dor física que você já sentiu — um osso fraturado, uma dor de dente ou uma dor de parto —, multiplique-a por dez e retire a causa; daí você talvez tenha uma idéia aproximada da dor causada pela depressão."
Duração refere-se a quanto tempo dura o estado de apatia. Segundo os professores clínicos Leon Cytryn e Donald H. McKnew Jr., "uma criança que não mostra sinais de se consolar ou de voltar à vida normal uma semana depois de ter entrado num período de tristeza (não importa por qual razão) — ou seis meses depois de ter sofrido uma grande perda pessoal — corre risco de desenvolver um distúrbio depressivo".
Sintomas comuns
Obtém-se um diagnóstico de depressão somente quando um jovem apresenta vários dos sintomas todo dia, durante a maior parte do dia, por duas semanas pelo menos. Quando a crise dura relativamente pouco tempo, é chamada de episódio depressivo. Quando os sintomas persistem por pelo menos um ano com no máximo dois meses de alívio, o diagnóstico pode ser de distimia, uma forma mais crônica de depressão leve ou moderada. Seja como for, quais são alguns sintomas comuns de depressão?
Mudança súbita de humor e de comportamento. Um adolescente que antes era dócil de repente se torna hostil. É comum que adolescentes deprimidos apresentem comportamento rebelde e até fujam de casa.
Isolamento social. O adolescente deprimido se afasta dos amigos. Ou pode ser que os amigos se afastem, notando mudanças indesejáveis na atitude e no comportamento dele.
Diminuição de interesse em quase toda atividade. O adolescente fica incomumente passivo. Começa a achar tediosos os passatempos de que antes gostava.
Mudança perceptível nos hábitos alimentares. Muitos especialistas acham que distúrbios como anorexia, bulimia e compulsão alimentar muitas vezes coexistem com a depressão e com freqüência são causados por ela.
Distúrbios do sono. O adolescente dorme muito pouco ou demais. Alguns desenvolvem hábitos irregulares de sono, ficando acordados a noite toda e depois dormindo o dia inteiro.
Queda no rendimento escolar. O adolescente deprimido tem dificuldades para se relacionar com os professores e os colegas, e as notas começam a cair. Logo ele nem quer mais ir à escola.
Comportamento arriscado ou autodestrutivo. ‘Brincar com a morte’ pode indicar que o jovem tem pouco interesse pela vida. Outro possível sintoma é a automutilação (como cortar a pele).
Sentimentos de inutilidade ou de culpa sem razão. O adolescente se torna muito autocrítico, sentindo-se um fracassado, mesmo que os fatos indiquem o contrário.
Problemas psicossomáticos. Quando não se descobre uma causa física para dores de cabeça, de estômago e nas costas ou para problemas similares, esses podem ser indícios de depressão.
Idéias recorrentes de morte ou suicídio. Preocupação com temas mórbidos pode indicar depressão. Ameaças de suicídio também. — Veja o quadro abaixo.
Distúrbio bipolar
Alguns desses sintomas podem indicar outra doença complexa: o distúrbio bipolar. Segundo a Dra. Barbara D. Ingersoll e o Dr. Sam Goldstein, o distúrbio bipolar (antes conhecido como psicose maníaco-depressiva) é "uma condição caracterizada por episódios depressivos intercalados por períodos em que o humor e a energia estão excessivamente elevados, bem acima, de fato, dos níveis normais do bom humor".
Essa fase de euforia é chamada de mania. Os sintomas incluem falar muito, ter raciocínio rápido e menor necessidade de sono. De fato, a vítima talvez passe dias sem dormir, aparentemente sem perder a disposição. Outro sintoma do distúrbio bipolar é o comportamento extremamente impulsivo, sem levar em conta as conseqüências. "A mania muitas vezes afeta o raciocínio, o julgamento e o comportamento social de maneiras que causam problemas graves e embaraço", declara um relatório do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA. Quanto tempo dura a fase da mania? Às vezes apenas alguns dias; em outros casos, vários meses — até ser substituída pela depressão.
Quem tem parentes que sofrem da doença corre maior risco de desenvolver o distúrbio bipolar. A boa notícia é que existe esperança para as vítimas. "Se forem diagnosticadas cedo e tratadas corretamente", diz o livro The Bipolar Child (A Criança Bipolar), "essas crianças e suas famílias podem ter uma vida bem mais estável".
É importante mencionar que nenhum desses sintomas por si só indica depressão ou distúrbio bipolar. Costuma-se obter o diagnóstico quando vários desses sintomas ocorrem ao longo de um determinado período. Mas ainda há uma pergunta que precisa ser respondida: Por que essa doença complexa aflige os adolescentes?
Os sintomas apresentados aqui servem apenas para que se tenha uma idéia do problema e não como critérios para diagnóstico.
Às vezes, o comportamento rebelde é um indício de depressãoAdolescentes deprimidos muitas vezes perdem o interesse por atividades de que antes gostavam
Jovens Que Querem Morrer
Segundo os Centros de Controle de Doenças, dos EUA, em um ano recente mais jovens naquele país morreram de suicídio do que de câncer, doenças cardíacas, Aids, defeitos de nascença, derrame, pneumonia, gripe e doenças pulmonares crônicas somadas. Outro fato preocupante: o número de casos notificados de suicídio de jovens de 10 a 14 anos teve um aumento significativo.
É possível evitar o suicídio de adolescentes? Em alguns casos, sim. "As estatísticas mostram que muitos suicídios são, de fato, precedidos por tentativas ou indícios e avisos verbais", escreve a Dra. Kathleen McCoy. "Quando um filho adolescente dá mesmo que os mais ligeiros indícios de ter idéias suicidas, é hora de dar atenção ao problema e possivelmente buscar ajuda profissional."
Visto que a depressão é comum entre adolescentes, os pais e outros adultos devem levar a sério quaisquer indícios que o jovem apresente de querer tirar a própria vida. "Em quase todo caso de suicídio que estudei, as pistas sobre aquilo que o adolescente planejava fazer foram despercebidas ou desconsideradas", escreve o Dr. Andrew Slaby no livro No One Saw My Pain (Ninguém Notou a Minha Dor). "Os familiares e amigos não se deram conta da enormidade das mudanças que estavam ocorrendo. Eles se concentraram nas conseqüências e não no problema por trás delas, de modo que o diagnóstico foi de ‘problemas familiares’, ‘uso de drogas’ ou ‘anorexia’. Em alguns casos, tratou-se da raiva, da confusão e da irritabilidade, mas não da depressão. O problema básico continuou, alimentando a dor e a raiva."
A mensagem é clara: Leve a sério qualquer indício de tendências suicidas!
Depressão: é tudo simples imaginação?
O RAPAZ ficou deprimido assim que iniciou a reforma de sua casa de 200 anos. Ele dormia mal e achava incomumente difícil fazer qualquer esforço mental persistente. A família dele ficou imaginando se a casa era mal-assombrada! Ele notava que seus piores sintomas, que incluíam dores abdominais, vinham logo depois de períodos gastos na remoção da tinta velha da madeira de dentro da casa. Um médico descobriu que a depressão que ele sentia era devida ao envenenamento causado pelo chumbo contido nas camadas da tinta velha que ele estava removendo.
Sim, às vezes, até mesmo substâncias tóxicas podem causar depressão. Com efeito, talvez se surpreenda de saber que a depressão pode ser provocada por vários fatores físicos.
Há muitos anos, alguns pesquisadores examinaram cuidadosamente 100 pessoas que baixaram a um hospital municipal com problemas psiquiátricos, incluindo a depressão. Em 46 destes casos, descobriu-se que os sintomas emocionais estavam diretamente relacionados com moléstias físicas. Segundo o comunicado feito na revista American Journal of Psychiatry, quando tais males físicos foram tratados, 28 "evidenciaram uma triagem dramática e rápida de seus sintomas psiquiátricos", e 18 "melhoraram substancialmente".
O papel das moléstias físicas na depressão, contudo, é complexo. A experiência tida por muitos médicos é de que o paciente deprimido pode também apresentar um mal orgânico que não é responsável por sua depressão, mas que se torna o ponto focal em sua mente. Todavia, a depressão subjacente muitas vezes precisa ser constatada e tratada.
Embora algumas moléstias orgânicas possam causar ou intensificar os distúrbios emocionais, os sintomas psiquiátricos também podem surgir como reação à doença previamente existente. Por exemplo, depois de uma grande cirurgia, especialmente cardíaca, os pacientes em recuperação quase sempre ficam deprimidos. Quando se recuperam, a depressão geralmente desaparece. A tensão sobre o corpo, causada por grave doença, pode também provocar o distúrbio. Além disso, uma reação alérgica a certos alimentos ou a outras substâncias pode causar profunda depressão em algumas pessoas.
A hereditariedade pode também constituir um fator decisivo quanto a se a pessoa apresentará certos tipos de depressão. No princípio deste ano, alguns pesquisadores anunciaram a descoberta de uma falha genética congênita que se crê predisponha algumas pessoas à depressão psicótica [psicose maníaco-depressiva].
Adicionalmente, alguns peritos médicos afirmam que de 10 a 20 por cento das novas mamães passam por uma depressão clínica totalmente manifesta. Os pesquisadores não concordam entre si, contudo, se o que provoca os distúrbios são as alterações hormonais resultantes do parto ou as tensões emocionais ligadas à maternidade. Recentes descobertas também indicam que a síndrome pré-menstrual, e tomar pílulas anticoncepcionais, tendem a provocar a depressão em algumas mulheres.
A pesquisa corrente também revela que algumas pessoas parecem ter ciclos sazonais de humor, mencionados como Distúrbios Afetivos Sazonais. Tais pessoas se sentem muito deprimidas no outono e no inverno setentrionais. Elas se tornam mais lentas e geralmente dormem demais, afastam-se dos amigos e da família e passam por mudanças de apetite e de preferências alimentares. Mas quando chegam a primavera e o verão setentrionais, elas ficam animadas, tornam-se ativas, cheias de energia, e, geralmente, têm bom desempenho. Algumas foram tratadas com êxito com o uso bem regulado de iluminação artificial.
Assim, a depressão nem sempre é ‘simples imaginação’. Por conseguinte, se a sensação de depressão persistir, é vital fazer um exame médico completo. Mas, e se não for encontrada nenhuma causa física?
Algumas das Causa Físicas da Depressão
A pesquisa médica associa as seguintes coisas com o aparecimento da depressão em algumas pessoas:
Metais e substâncias químicas tóxicas: chumbo, mercúrio, alumínio, monóxido de carbono, e alguns inseticidas.
Deficiências nutritivas: carências de certas vitaminas e de alguns minerais essenciais.
Doenças infecciosas: tuberculose, mononucleose, pneumonia viral, hepatite, e influenza.
Distúrbios do sistema endócrino: problemas da tireóide, mal de Cushing, hipoglicemia, e o diabetes melito.
Doenças do sistema nervoso central: esclerose múltipla, e mal de Parkinson.
Tóxicos "recreativos": PCP [fenciclidina], maconha, anfetaminas, cocaína, heroína, e metadona.
Drogas medicamentosas: barbitúricos, anticonvulsivantes, corticóides, e hormônios. Alguns medicamentos que tratam da pressão arterial alta, de artrite, de problemas cardiovasculares, e de alguns distúrbios mentais.
(Por certo, nem todos estes medicamentos provocarão a depressão, e, mesmo quando existe tal perigo, este geralmente envolve pequena porcentagem daqueles que consomem tal medicamento sob a devida supervisão médica.)
O RAPAZ ficou deprimido assim que iniciou a reforma de sua casa de 200 anos. Ele dormia mal e achava incomumente difícil fazer qualquer esforço mental persistente. A família dele ficou imaginando se a casa era mal-assombrada! Ele notava que seus piores sintomas, que incluíam dores abdominais, vinham logo depois de períodos gastos na remoção da tinta velha da madeira de dentro da casa. Um médico descobriu que a depressão que ele sentia era devida ao envenenamento causado pelo chumbo contido nas camadas da tinta velha que ele estava removendo.
Sim, às vezes, até mesmo substâncias tóxicas podem causar depressão. Com efeito, talvez se surpreenda de saber que a depressão pode ser provocada por vários fatores físicos.
Há muitos anos, alguns pesquisadores examinaram cuidadosamente 100 pessoas que baixaram a um hospital municipal com problemas psiquiátricos, incluindo a depressão. Em 46 destes casos, descobriu-se que os sintomas emocionais estavam diretamente relacionados com moléstias físicas. Segundo o comunicado feito na revista American Journal of Psychiatry, quando tais males físicos foram tratados, 28 "evidenciaram uma triagem dramática e rápida de seus sintomas psiquiátricos", e 18 "melhoraram substancialmente".
O papel das moléstias físicas na depressão, contudo, é complexo. A experiência tida por muitos médicos é de que o paciente deprimido pode também apresentar um mal orgânico que não é responsável por sua depressão, mas que se torna o ponto focal em sua mente. Todavia, a depressão subjacente muitas vezes precisa ser constatada e tratada.
Embora algumas moléstias orgânicas possam causar ou intensificar os distúrbios emocionais, os sintomas psiquiátricos também podem surgir como reação à doença previamente existente. Por exemplo, depois de uma grande cirurgia, especialmente cardíaca, os pacientes em recuperação quase sempre ficam deprimidos. Quando se recuperam, a depressão geralmente desaparece. A tensão sobre o corpo, causada por grave doença, pode também provocar o distúrbio. Além disso, uma reação alérgica a certos alimentos ou a outras substâncias pode causar profunda depressão em algumas pessoas.
A hereditariedade pode também constituir um fator decisivo quanto a se a pessoa apresentará certos tipos de depressão. No princípio deste ano, alguns pesquisadores anunciaram a descoberta de uma falha genética congênita que se crê predisponha algumas pessoas à depressão psicótica [psicose maníaco-depressiva].
Adicionalmente, alguns peritos médicos afirmam que de 10 a 20 por cento das novas mamães passam por uma depressão clínica totalmente manifesta. Os pesquisadores não concordam entre si, contudo, se o que provoca os distúrbios são as alterações hormonais resultantes do parto ou as tensões emocionais ligadas à maternidade. Recentes descobertas também indicam que a síndrome pré-menstrual, e tomar pílulas anticoncepcionais, tendem a provocar a depressão em algumas mulheres.
A pesquisa corrente também revela que algumas pessoas parecem ter ciclos sazonais de humor, mencionados como Distúrbios Afetivos Sazonais. Tais pessoas se sentem muito deprimidas no outono e no inverno setentrionais. Elas se tornam mais lentas e geralmente dormem demais, afastam-se dos amigos e da família e passam por mudanças de apetite e de preferências alimentares. Mas quando chegam a primavera e o verão setentrionais, elas ficam animadas, tornam-se ativas, cheias de energia, e, geralmente, têm bom desempenho. Algumas foram tratadas com êxito com o uso bem regulado de iluminação artificial.
Assim, a depressão nem sempre é ‘simples imaginação’. Por conseguinte, se a sensação de depressão persistir, é vital fazer um exame médico completo. Mas, e se não for encontrada nenhuma causa física?
Algumas das Causa Físicas da Depressão
A pesquisa médica associa as seguintes coisas com o aparecimento da depressão em algumas pessoas:
Metais e substâncias químicas tóxicas: chumbo, mercúrio, alumínio, monóxido de carbono, e alguns inseticidas.
Deficiências nutritivas: carências de certas vitaminas e de alguns minerais essenciais.
Doenças infecciosas: tuberculose, mononucleose, pneumonia viral, hepatite, e influenza.
Distúrbios do sistema endócrino: problemas da tireóide, mal de Cushing, hipoglicemia, e o diabetes melito.
Doenças do sistema nervoso central: esclerose múltipla, e mal de Parkinson.
Tóxicos "recreativos": PCP [fenciclidina], maconha, anfetaminas, cocaína, heroína, e metadona.
Drogas medicamentosas: barbitúricos, anticonvulsivantes, corticóides, e hormônios. Alguns medicamentos que tratam da pressão arterial alta, de artrite, de problemas cardiovasculares, e de alguns distúrbios mentais.
(Por certo, nem todos estes medicamentos provocarão a depressão, e, mesmo quando existe tal perigo, este geralmente envolve pequena porcentagem daqueles que consomem tal medicamento sob a devida supervisão médica.)
depresão aflige milhoes de pessoas
A depressão mental aflige milhões — por quê?
OS SINTOMAS de início talvez não pareçam tão graves. A pessoa talvez sinta fadiga, espasmos estomacais ou dores no peito. Poderá notar que acorda bem cedo, sem nenhum motivo aparente; ou a dificuldade talvez seja a de conseguir dormir. É possível que a mudança de apetite tenha levado à perda de peso; ou quiçá o problema seja excesso de peso, devido ao súbito afã no comer.
Qual de nós já não sentiu alguns destes sintomas? Podem indicar várias enfermidades físicas simples. Mas, e se persistirem e um exame médico revelar que não temos nenhuma doença física? Em tal caso, é a enfermidade apenas imaginária? Não necessariamente.
A fadiga, as dores físicas e a mudança nos hábitos de alimentação ou de sono podem constituir o que os médicos chamam de "máscara somática da depressão". O que é depressão? Por que aflige as pessoas?
As Marcas Identificadoras da Depressão
Todo mundo se sente ‘abatido’ vez por outra. Isto não deve provocar alarme, pois dias ruins desse tipo não são o que os médicos têm presente quando falam da depressão. Numa entrevista registrada em U. S. News World Report, destacado psiquiatra, o Dr. Bertram S. Brown, explicou o significado do termo: "Clinicamente, queremos dizer algo mais sério quando falamos de depressão. No estágio intermediário, as vítimas sentem falta de energia e interesse pela vida, que perdura alguns dias ou algumas semanas, e influi em suas funções vitais."
A pessoa deprimida tem dificuldade de realizar até mesmo as tarefas mais rotineiras, tais como vestir-se, escovar os dentes, preparar o desjejum e fazer decisões rotineiras. "O terceiro nível, em que ninguém pode mais duvidar que está lidando com a depressão", continua o Dr. Brown, "é quando alguém se senta literalmente num canto — quase paralisado — mirando o espaço".
E, usualmente, a depressão apresenta outro sintoma caraterístico. Comentando as descobertas do Dr. Aaron Beck, um artigo da Times Magazine de Nova Iorque declarou:
"Beck deveras verificou, como relata em seu livro: ‘Depressão: Causas e Tratamento’, que os sonhos [das pessoas deprimidas] repetiam, noite após noite, os temas constantes de inferioridade, falta de atrativos, privação, incompetência. . . . Beck notou que estas fantasias noturnas, sombrias, eram acompanhadas de um modo igualmente negativo de pensar durante o dia. Por exemplo, uma mulher deprimida cuja amiga se atrasou para um compromisso ficou convicta de que a amiga não se importava mais com ela, que ninguém gostava dela, e que, com efeito, era impossível alguém gostar dela.
"Beck postulou que quase todas as idéias dos pacientes deprimidos são governadas pelo que ele chama de ‘a tríade cognitiva da depressão’ — conceitos negativos sobre o mundo, eles mesmos, e o futuro. Verificou que as pessoas propensas à depressão exageravam os pequenos obstáculos, transformando-os em barreiras intransponíveis, consideravam-se tolas ou inapelavelmente incompetentes, e viam o futuro como estando apenas cheio de mais fracassos dolorosos."
Os médicos amiúde se referem à depressão como "aguda" ou "crônica". A depressão aguda emana de alguma causa externa, tal como a morte dum ente querido, o divórcio ou alguma outra grande perda. Dependendo da seriedade da causa, a depressão aguda poderá durar semanas ou até meses; mas então desaparece. Por outro lado, nos casos crônicos, os efeitos danosos da depressão persistem mês após mês.
Outro tipo de sofredor é o "maníaco-depressivo". Tal pessoa oscila entre o estado "maníaco" (de manikos, "louco" em grego) e o de depressão. No estado maníaco, a pessoa se torna superativa, impulsiva, amiúde desordenada ao falar e pensar. Daí, segue-se um período "normal", após o qual ela mergulha na depressão. Alguns permanecem no estado maníaco na maior parte do tempo, com apenas breves períodos de abatimento. No caso de outros, dá-se justamente o oposto, eles permanecendo deprimidos na maior parte do tempo. E há aqueles que, na maior parte, permanecem equilibrados, exceto por breves altos e baixos.
"O Resfriado Comum dos Distúrbios Mentais"
Quão ampla é a depressão grave? Segundo o Dr. Nathan S. Kline, do Departamento de Higiene Mental do Estado de Nova Iorque, "calcula-se que 15 por cento da população adulta dos Estados Unidos possuam algum grau de depressão que é bastante grave para necessitar tratamento. Isto equivale a cerca de 20 milhões de pessoas, o que a torna, não só o mais freqüente distúrbio psicológico, mas também um dos mais comuns de todos os quadros clínicos graves." A depressão é tão ampla que tem sido chamada de "o resfriado comum dos distúrbios mentais".
Certos estudos relatam que as mulheres ultrapassam os homens, em sofrer depressão, na proporção de 2 a 1, embora alguns afirmem que isto se dá porque as mulheres estão mais dispostas a admitir que estão deprimidas. A depressão aflige a todas as raças e todo nível social e econômico. Ao passo que a enfermidade é mais comum entre as idades de sessenta e setenta anos, assola todas as faixas etárias e tem aumentado entre as pessoas na casa dos vinte anos.
Por que tantos milhões de pessoas sofrem depressão?
Um Fator É a Sociedade Humana
Fizeram-se muitos estudos para descobrir as causas básicas da depressão mental. As falhas da sociedade humana constituem uma das principais fontes do problema.
Ilustrando um aspecto disto, há os comentários do Dr. John Schwab, da Faculdade de Medicina da Universidade da Flórida: "Estamos agora mesmo numa era de mudanças. Os valores antigos, tais como a velha ética de trabalho, estão sendo rejeitados, e as pessoas estão sendo apanhadas num vácuo ideológico. Os garotos vêem que os frutos de quatrocentos anos de progresso científico talvez sejam mais amargos do que doces — mas eles não sabem o que colocar em seu lugar, e, por conseguinte, há um senso de futilidade." Por causa disso, muitos jovens desiludidos procuram a "fuga" através dos tóxicos e outros meios. "A busca de emoções entre os jovens", observa o Dr. Schwab, "amiúde é apenas uma fuga do desânimo".
Também a "supermobilidade" contribui para o aumento da depressão. As famílias que continuam mudando-se do seu lugar de residência, pulando de uma casa para outra e de uma cidade para outra, não ficam por tempo suficiente em nenhum lugar para criar sólidas relações com outras pessoas. Um psiquiatra Centro de Saúde Mental de Massachusetts, EUA, escreveu: "Os psiquiatras por volta de Boston já há algum tempo do estão cônscios do que é chamado de ‘a síndrome da Rota 128, ou, na Flórida, da síndrome do Cabo Kennedy’. É encontrada nas famílias jovens que se mudaram demais, e seus componentes são um marido concentrado demais em sua carreira, uma esposa deprimida e filhos atribulados."
Às vezes surge a depressão quando a pessoa atinge um "planalto" em sua vida, depois de muitos anos de meticuloso labor. Um ambicioso executivo talvez alcance por fim a posição mais alta em sua firma, apenas para se dar conta de que não mais possui um alvo na vida. As donas-de-casa de seus quarenta e cinqüenta anos amiúde sofrem o que os psiquiatras chamam de "síndrome do ninho vazio". Por volta desse tempo, seus filhos usualmente já cresceram, seus maridos estão trabalhando na maior parte do dia e elas têm de enfrentar horas solitárias em casas vazias.
Que dizer dos sentimentos de inferioridade que amiúde acompanham a depressão? Nisso, também, a responsabilidade cabe à sociedade humana. Como assim? Porque é amiúde em tenra idade que se faz com que as crianças se sintam sem atrativos. Seus colegas talvez zombem delas, se não conseguem fazer o que a maioria reputa estar "na moda". Se um jovem tende a ser desajeitado e descoordenado, os colegas de escola e de folguedos podem influenciar tal criança a crer que "não consegue fazer nada direito". As crianças desse tipo amiúde combinam a generalização: "Eu sou fraca", com a avaliação subjetiva: "É repugnante ser fraco." Tais jovens são prováveis candidatos à depressão.
Fatores Biológicos
Nos anos recentes, considerável pesquisa tem sido feita para mostrar que, em muitos casos, a depressão pode ser devida à atividade química deficiente do cérebro. Por todo o cérebro acham-se espalhadas "aminas biogênicas". Estes compostos químicos se concentram especialmente no "sistema límbico", parte do cérebro que tem muito que ver com as emoções. Os cientistas relacionaram três destas aminas — dopamina, norepinefrina e serotonina — com a transmissão de impulsos de uma célula cerebral para a outra.
É interessante que as experiências tanto com animais como com humanos demonstram que a depressão resulta de se tomar drogas que reduzem o nível das aminas. Por outro lado, animais de laboratório mostraram notável alerteza quando seu nível de aminas foi aumentado. Observa a Times Magazine de Nova Iorque:
"Uma equipe internacional de pesquisas, de cientistas ingleses e norte-americanos, em 1968, acrescentou nova evidência circunstancial em apoio da teoria das aminas, ao descobrir que os cérebros dos pacientes que haviam cometido suicídio pareciam mostrar alguma evidência de níveis reduzidos de aminas. E um estudo recente de pacientes maníaco-depressivos deu-lhe ainda maior apoio: A urina dos pacientes maníaco-depressivos, durante seu período maníaco, mostrava aumentada excreção de norepinefrina, e, o exato oposto, depois de terem passado para a fase normal ou fase depressiva
OS SINTOMAS de início talvez não pareçam tão graves. A pessoa talvez sinta fadiga, espasmos estomacais ou dores no peito. Poderá notar que acorda bem cedo, sem nenhum motivo aparente; ou a dificuldade talvez seja a de conseguir dormir. É possível que a mudança de apetite tenha levado à perda de peso; ou quiçá o problema seja excesso de peso, devido ao súbito afã no comer.
Qual de nós já não sentiu alguns destes sintomas? Podem indicar várias enfermidades físicas simples. Mas, e se persistirem e um exame médico revelar que não temos nenhuma doença física? Em tal caso, é a enfermidade apenas imaginária? Não necessariamente.
A fadiga, as dores físicas e a mudança nos hábitos de alimentação ou de sono podem constituir o que os médicos chamam de "máscara somática da depressão". O que é depressão? Por que aflige as pessoas?
As Marcas Identificadoras da Depressão
Todo mundo se sente ‘abatido’ vez por outra. Isto não deve provocar alarme, pois dias ruins desse tipo não são o que os médicos têm presente quando falam da depressão. Numa entrevista registrada em U. S. News World Report, destacado psiquiatra, o Dr. Bertram S. Brown, explicou o significado do termo: "Clinicamente, queremos dizer algo mais sério quando falamos de depressão. No estágio intermediário, as vítimas sentem falta de energia e interesse pela vida, que perdura alguns dias ou algumas semanas, e influi em suas funções vitais."
A pessoa deprimida tem dificuldade de realizar até mesmo as tarefas mais rotineiras, tais como vestir-se, escovar os dentes, preparar o desjejum e fazer decisões rotineiras. "O terceiro nível, em que ninguém pode mais duvidar que está lidando com a depressão", continua o Dr. Brown, "é quando alguém se senta literalmente num canto — quase paralisado — mirando o espaço".
E, usualmente, a depressão apresenta outro sintoma caraterístico. Comentando as descobertas do Dr. Aaron Beck, um artigo da Times Magazine de Nova Iorque declarou:
"Beck deveras verificou, como relata em seu livro: ‘Depressão: Causas e Tratamento’, que os sonhos [das pessoas deprimidas] repetiam, noite após noite, os temas constantes de inferioridade, falta de atrativos, privação, incompetência. . . . Beck notou que estas fantasias noturnas, sombrias, eram acompanhadas de um modo igualmente negativo de pensar durante o dia. Por exemplo, uma mulher deprimida cuja amiga se atrasou para um compromisso ficou convicta de que a amiga não se importava mais com ela, que ninguém gostava dela, e que, com efeito, era impossível alguém gostar dela.
"Beck postulou que quase todas as idéias dos pacientes deprimidos são governadas pelo que ele chama de ‘a tríade cognitiva da depressão’ — conceitos negativos sobre o mundo, eles mesmos, e o futuro. Verificou que as pessoas propensas à depressão exageravam os pequenos obstáculos, transformando-os em barreiras intransponíveis, consideravam-se tolas ou inapelavelmente incompetentes, e viam o futuro como estando apenas cheio de mais fracassos dolorosos."
Os médicos amiúde se referem à depressão como "aguda" ou "crônica". A depressão aguda emana de alguma causa externa, tal como a morte dum ente querido, o divórcio ou alguma outra grande perda. Dependendo da seriedade da causa, a depressão aguda poderá durar semanas ou até meses; mas então desaparece. Por outro lado, nos casos crônicos, os efeitos danosos da depressão persistem mês após mês.
Outro tipo de sofredor é o "maníaco-depressivo". Tal pessoa oscila entre o estado "maníaco" (de manikos, "louco" em grego) e o de depressão. No estado maníaco, a pessoa se torna superativa, impulsiva, amiúde desordenada ao falar e pensar. Daí, segue-se um período "normal", após o qual ela mergulha na depressão. Alguns permanecem no estado maníaco na maior parte do tempo, com apenas breves períodos de abatimento. No caso de outros, dá-se justamente o oposto, eles permanecendo deprimidos na maior parte do tempo. E há aqueles que, na maior parte, permanecem equilibrados, exceto por breves altos e baixos.
"O Resfriado Comum dos Distúrbios Mentais"
Quão ampla é a depressão grave? Segundo o Dr. Nathan S. Kline, do Departamento de Higiene Mental do Estado de Nova Iorque, "calcula-se que 15 por cento da população adulta dos Estados Unidos possuam algum grau de depressão que é bastante grave para necessitar tratamento. Isto equivale a cerca de 20 milhões de pessoas, o que a torna, não só o mais freqüente distúrbio psicológico, mas também um dos mais comuns de todos os quadros clínicos graves." A depressão é tão ampla que tem sido chamada de "o resfriado comum dos distúrbios mentais".
Certos estudos relatam que as mulheres ultrapassam os homens, em sofrer depressão, na proporção de 2 a 1, embora alguns afirmem que isto se dá porque as mulheres estão mais dispostas a admitir que estão deprimidas. A depressão aflige a todas as raças e todo nível social e econômico. Ao passo que a enfermidade é mais comum entre as idades de sessenta e setenta anos, assola todas as faixas etárias e tem aumentado entre as pessoas na casa dos vinte anos.
Por que tantos milhões de pessoas sofrem depressão?
Um Fator É a Sociedade Humana
Fizeram-se muitos estudos para descobrir as causas básicas da depressão mental. As falhas da sociedade humana constituem uma das principais fontes do problema.
Ilustrando um aspecto disto, há os comentários do Dr. John Schwab, da Faculdade de Medicina da Universidade da Flórida: "Estamos agora mesmo numa era de mudanças. Os valores antigos, tais como a velha ética de trabalho, estão sendo rejeitados, e as pessoas estão sendo apanhadas num vácuo ideológico. Os garotos vêem que os frutos de quatrocentos anos de progresso científico talvez sejam mais amargos do que doces — mas eles não sabem o que colocar em seu lugar, e, por conseguinte, há um senso de futilidade." Por causa disso, muitos jovens desiludidos procuram a "fuga" através dos tóxicos e outros meios. "A busca de emoções entre os jovens", observa o Dr. Schwab, "amiúde é apenas uma fuga do desânimo".
Também a "supermobilidade" contribui para o aumento da depressão. As famílias que continuam mudando-se do seu lugar de residência, pulando de uma casa para outra e de uma cidade para outra, não ficam por tempo suficiente em nenhum lugar para criar sólidas relações com outras pessoas. Um psiquiatra Centro de Saúde Mental de Massachusetts, EUA, escreveu: "Os psiquiatras por volta de Boston já há algum tempo do estão cônscios do que é chamado de ‘a síndrome da Rota 128, ou, na Flórida, da síndrome do Cabo Kennedy’. É encontrada nas famílias jovens que se mudaram demais, e seus componentes são um marido concentrado demais em sua carreira, uma esposa deprimida e filhos atribulados."
Às vezes surge a depressão quando a pessoa atinge um "planalto" em sua vida, depois de muitos anos de meticuloso labor. Um ambicioso executivo talvez alcance por fim a posição mais alta em sua firma, apenas para se dar conta de que não mais possui um alvo na vida. As donas-de-casa de seus quarenta e cinqüenta anos amiúde sofrem o que os psiquiatras chamam de "síndrome do ninho vazio". Por volta desse tempo, seus filhos usualmente já cresceram, seus maridos estão trabalhando na maior parte do dia e elas têm de enfrentar horas solitárias em casas vazias.
Que dizer dos sentimentos de inferioridade que amiúde acompanham a depressão? Nisso, também, a responsabilidade cabe à sociedade humana. Como assim? Porque é amiúde em tenra idade que se faz com que as crianças se sintam sem atrativos. Seus colegas talvez zombem delas, se não conseguem fazer o que a maioria reputa estar "na moda". Se um jovem tende a ser desajeitado e descoordenado, os colegas de escola e de folguedos podem influenciar tal criança a crer que "não consegue fazer nada direito". As crianças desse tipo amiúde combinam a generalização: "Eu sou fraca", com a avaliação subjetiva: "É repugnante ser fraco." Tais jovens são prováveis candidatos à depressão.
Fatores Biológicos
Nos anos recentes, considerável pesquisa tem sido feita para mostrar que, em muitos casos, a depressão pode ser devida à atividade química deficiente do cérebro. Por todo o cérebro acham-se espalhadas "aminas biogênicas". Estes compostos químicos se concentram especialmente no "sistema límbico", parte do cérebro que tem muito que ver com as emoções. Os cientistas relacionaram três destas aminas — dopamina, norepinefrina e serotonina — com a transmissão de impulsos de uma célula cerebral para a outra.
É interessante que as experiências tanto com animais como com humanos demonstram que a depressão resulta de se tomar drogas que reduzem o nível das aminas. Por outro lado, animais de laboratório mostraram notável alerteza quando seu nível de aminas foi aumentado. Observa a Times Magazine de Nova Iorque:
"Uma equipe internacional de pesquisas, de cientistas ingleses e norte-americanos, em 1968, acrescentou nova evidência circunstancial em apoio da teoria das aminas, ao descobrir que os cérebros dos pacientes que haviam cometido suicídio pareciam mostrar alguma evidência de níveis reduzidos de aminas. E um estudo recente de pacientes maníaco-depressivos deu-lhe ainda maior apoio: A urina dos pacientes maníaco-depressivos, durante seu período maníaco, mostrava aumentada excreção de norepinefrina, e, o exato oposto, depois de terem passado para a fase normal ou fase depressiva
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