sexta-feira, 17 de julho de 2009

O QUE EU PENSO SOBRE DEPRESSÃO: quem já passou por essa terrível doença chamada "Depressão", que é a doença da alma, digo que também sou vítima dessa doença, que "ser feliz é não ter vergonha dos próprios sentimentos; ser feliz é não ter vergonha de falar de si mesmo".DEPRESSÃO Quando se olha o mundo de fora é muito fácil dizer o que se deve fazer,como e até quando.Achamos soluções para todo mundo, desde que não estejamos envolvidos.É fácil falar da dor que não sentimos, do amor que não perdemos, dos problemas que não temos e da vida que não vivemos.Somos assim muito sábios quando o espinho não está em nós!...Os altos e baixos são comuns a todo mundo.Ninguém vive em linha reta.E há pessoas que suportam mais facilmente as subidas e descidas da vida que outras, como umas pegam certas doenças e outras não.Há coisas que não se controla, pois se tivéssemos escolha, optaríamos sempre por uma vida sã.A depressão é uma doença como uma outra, não um capricho de quem deseja mais do que a vida pode oferecer.Só quem passou ou passa por isso sabe entender o que é.E como toda doença, deve ser reconhecida, entendida e tratada como tal.Infelizmente todo mundo não está preparado para ajudar em casos assim etentam resolveros problemas mostrando que há pessoas mais infelizes.Contudo, não é possível minimizar a dor de ninguém, fazendo-o comparar sua infelicidade com as misérias do mundo.Ninguém pode se sentir melhor porque do lado de fora há mais sofrimento.Se fosse assim, seria fácil ir dormir feliz a cada dia, bastando assistir ou ler jornais.É claro que muitas vezes vemos uma coisa triste e pensamos no quanto somos abençoados por não vivermos aquilo.Isso é normal para todo mundo, nos faz refletir sobre a realidade da vida.Mas se passamos nossa vida com comparações não vamos a lugar nenhum,pois sempre haverá parâmetros diferentes e acabaremos nos sentindo perdidos.Precisamos respeitar a dor e sentimento do outro, como respeitamos os limites do seu jardim.Cada vida é única, é própria.Podemos ajudar uma pessoa depressiva mostrando-lhe o lado belo da vida,dando-lhe razões para olhar além do horizonte, criar objetivos e acreditar neles.Podemos tirá-la do isolamento em que se encontra dando-lhe palavras de econforto e amizade, fazendo-a sentir-se amada e útil.Dizer a um depressivo que seus problemas são mínimos porque há coisas piores na vida não o fará sentir-se melhor.Quando Jesus se referiu à pessoas com problemas e ansiedades, mandou que olhassem os lírios dos campos e as aves no céu e se repousassem,apontou para coisas bonitas e alegres, nunca disse para olharem os necessitados. E Ele teve, também, Seu momento de dor, tristeza e lágrima, como todo ser humano.As soluções para os problemas começam com o reconhecimento deles.Ter amigos que possam compreender já é um passo na direção da cura.A compreensão da dor do outro leva-lhe segurança.E, segura, uma pessoa poderá se levantar e recomeçar seu caminho, com toda ajuda que ela deve ter.Depressão? Uma doença sim. E médicos são úteis. Amigos são preciosos. Orações são imprescindíveis. Deus nos abençoe...
Como conviver com um transtorno do humor
OS TRANSTORNOS do humor são assustadoramente comuns. Só para citar um exemplo, calcula-se que mais de 330 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão grave, condição caracterizada por tristeza devastadora e perda de prazer em realizar as atividades diárias. Estima-se que em 20 anos, depois das doenças cardiovasculares, a depressão será a moléstia que atingirá o maior número de pessoas. Não é de admirar que, entre as doenças mentais, a depressão seja considerada ‘tão comum quanto um resfriado’.
Em anos recentes, o distúrbio bipolar tem recebido maior atenção do público. Os sintomas dessa doença incluem flutuações drásticas de humor, que oscilam entre a depressão e a mania (euforia exagerada). “Na fase depressiva”, diz um livro recente publicado pela Associação Médica Americana, “a pessoa pode ter pensamentos suicidas recorrentes. Na fase maníaca, ela pode perder totalmente o senso crítico e não enxergar o dano causado pelas suas ações.”
Há estimativas de que o distúrbio bipolar afeta 2% da população dos Estados Unidos, o que significa que há milhões de pessoas com essa doença só naquele país. Mas as estatísticas não dão idéia do sofrimento das pessoas que têm de conviver com um distúrbio do humor.
Depressão — tristeza devastadora
A maioria de nós já nos sentimos tristes. Mas em geral o humor melhora em questão de horas ou dias. A depressão clínica, porém, é muito mais grave. Em que sentido? “Quem não tem depressão sabe que as flutuações de humor são passageiras”, explica o Dr. Mitch Golant. “Mas o indivíduo deprimido tem altos e baixos e alternâncias freqüentes de humor, como se estivesse num trem desgovernado, sem saber direito como ou quando — ou se — vai descer dele.”
Existem diversos tipos de depressão clínica. Algumas pessoas, por exemplo, sofrem do que é chamado de distúrbio afetivo sazonal, que se manifesta numa época específica do ano — geralmente no inverno. “As pessoas com esse distúrbio dizem que quanto mais perto do pólo ártico vivem, e quanto mais nublado o tempo, pior a depressão”, declara um livro publicado pela Sociedade Médica do Povo. “Embora o distúrbio afetivo sazonal tenha sido associado principalmente a dias sombrios de inverno, em alguns casos tem a ver com ambientes de trabalho escuros, dias nublados ou problemas de vista.”
Qual é a causa da depressão clínica? Não se sabe ao certo. Em alguns casos, fatores genéticos podem estar envolvidos. Contudo, na maioria das vezes, as experiências pelas quais a pessoa passa na vida parecem exercer grande influência. Observa-se também que essa doença atinge duas vezes mais mulheres do que homens. Mas isso não significa que os homens sejam imunes. Muito pelo contrário, calcula-se que entre 5% e 12% dos homens terão depressão clínica em alguma época de suas vidas.
Esse tipo de depressão afeta praticamente todos os aspectos da vida. “Ela abala profundamente a pessoa”, diz Sheila, que sofre de depressão. “Corrói a autoconfiança, a auto-estima, a capacidade de pensar com clareza e de tomar decisões. Quando se está no fundo do poço, ela pressiona ainda mais, só para ver se você agüenta.”
Às vezes a pessoa pode obter muito alívio desabafando seus sentimentos com alguém compreensivo. (Jó 10:1) Mesmo assim deve-se admitir que, quando fatores bioquímicos estão envolvidos, pensamentos positivos por si só não bastam para afastar a depressão. Na verdade, em tais casos, a pessoa não tem controle sobre o humor. Além disso, a própria pessoa pode se sentir tão confusa com a situação quanto os familiares e os amigos.
Tomemos o caso de Paula, uma mulher cristã que passou por fases incapacitantes de tristeza intensa antes de se diagnosticar a sua depressão. “Às vezes, depois das reuniões cristãs”, diz ela, “eu corria para o carro e chorava sem nenhum motivo. A solidão e a angústia que eu sentia eram insuportáveis. Embora tivesse prova suficiente de que tinha muitos amigos que se preocupavam comigo, eu simplesmente não conseguia enxergar isso.”
Algo similar aconteceu com Ellen, que teve de ser internada por causa da depressão. “Tenho marido, dois filhos e duas noras maravilhosas — e sei que todos eles me amam muito”, diz. Tudo indicava que ela não tinha motivos para se sentir infeliz e que era muito querida pela família. Mas quando a pessoa está deprimida, os pensamentos negativos — por mais descabidos que possam parecer — podem dominar a pessoa.
Não se deve desperceber o forte impacto que a depressão pode ter sobre os membros da família. “Quando alguém que você ama está deprimido”, escreve o Dr. Golant, “você praticamente vive na incerteza, pois nunca sabe quando a pessoa vai sair ou entrar numa crise depressiva. É possível que sinta um grande vazio — ou até mesmo tristeza e raiva — de que as coisas saíram do seu curso normal e talvez nunca mais voltem a ser como antes.”
Muitas vezes os filhos sabem quando o pai ou a mãe estão deprimidos. “A criança que tem mãe deprimida se torna muito sensível ao estado emocional da mãe e consegue detectar cada flutuação sutil e cada mudança de humor”, escreve o Dr. Golant. A Dra. Carol Watkins diz que os filhos cujo pai ou mãe são deprimidos têm “maior propensão a apresentar problemas de comportamento, dificuldade de aprendizagem e de relacionamento com colegas. Eles também têm maior probabilidade de serem depressivos.”
A imprevisibilidade dos distúrbios bipolares
A depressão clínica sem dúvida é um problema difícil. Mas quando é acompanhada por períodos de euforia, a doença é chamada de distúrbio bipolar. “A única coisa previsível a respeito do distúrbio bipolar é que ele é imprevisível”, diz Lucia, que tem essa doença. Nas fases de mania, diz o The Harvard Mental Health Letter, a pessoa “pode se tornar insuportavelmente inconveniente e dominadora, e a euforia descomedida e agitada pode facilmente transformar-se em irritabilidade ou raiva”.
Lenore se lembra das suas fases de mania. “Eu tinha uma energia inesgotável”, diz. “Muita gente me chamava de mulher-maravilha. As pessoas diziam: ‘Queria ser como você!’ Em geral me sentia poderosa, como se pudesse realizar qualquer coisa. Fazia exercícios sem parar. Dormia só duas ou três horas por noite, mas acordava com o mesmo pique.”
Mas depois de algum tempo, ela começou a se sentir melancólica. “No auge da euforia”, diz ela, “eu sentia uma agitação interna, não conseguia desligar. De uma hora para outra, o meu bom-humor se transformava em agressividade destrutiva. Ofendia alguém da família sem nenhuma razão aparente. Ficava furiosa, era grosseira e perdia todo o controle. Depois dessa explosão assustadora, de repente ficava cansada, chorosa e extremamente deprimida, me sentindo inútil e má. Ou então recobrava a alegria como se nada tivesse acontecido.”
Membros da família muitas vezes se sentem confusos com o comportamento imprevisível dos que têm distúrbio bipolar. Mary, cujo marido tem distúrbio bipolar, diz: “Às vezes fico confusa de ver meu marido alegre e comunicativo e daí, de repente, ficar desanimado e se fechar. É muito difícil aceitar que ele praticamente não tem controle sobre isso.”
Ironicamente, a própria pessoa se sente igualmente — se não mais — aflita com o problema. “Invejo pessoas que são equilibradas e estáveis”, diz Gloria, que sofre da doença. “Para quem tem distúrbio bipolar, os momentos de estabilidade são muito raros.”
O que causa o distúrbio bipolar? O componente genético é mais determinante do que na depressão. “De acordo com alguns estudos científicos”, diz a Associação Médica Americana, “os membros da família imediata — pais, irmãos ou filhos — dos que têm depressão bipolar correm de 8 a 18 vezes maior risco de desenvolver a doença do que os parentes próximos das pessoas saudáveis. Além disso, a pessoa que tem alguém na família imediata com depressão bipolar pode ser mais vulnerável a depressão profunda.”
Diferentemente da depressão, o distúrbio bipolar parece afetar homens e mulheres na mesma proporção. Na maioria dos casos, a doença se manifesta no início da fase adulta, mas pode acometer adolescentes e até crianças. No entanto, mesmo para os especialistas, não é nada fácil analisar os sintomas e chegar a um diagnóstico correto. “O distúrbio bipolar é o camaleão dos transtornos psiquiátricos. Os sintomas variam de um paciente para outro, e o mesmo paciente pode apresentar sintomas diferentes a cada episódio”, escreve o Dr. Francis Mark Mondimore, da Universidade Johns Hopkins de Medicina. “Ele pode acometer a pessoa com melancolia profunda, desaparecer por anos, e daí atacar novamente — mas com uma euforia desmedida.”
Torna-se claro que os transtornos do humor são difíceis de diagnosticar, e conviver com eles pode ser ainda mais difícil. Mas a situação não é sem esperança.
Isso em parte talvez possa ser atribuído à suscetibilidade à depressão pós-parto, bem como às mudanças hormonais na menopausa. E também as mulheres geralmente são as que mais procuram assistência médica e assim recebem o diagnóstico.
Alguns nomes desta série foram mudados.
Os médicos dizem que em geral cada estado de humor dura muitos meses. No entanto, observam que alguns apresentam alternâncias de depressão e mania diversas vezes por ano. Em casos raros, a pessoa vai de um extremo a outro num período de 24 horas.
Distúrbio bipolar
Alguns desses sintomas podem indicar outra doença complexa: o distúrbio bipolar. Segundo a Dra. Barbara D. Ingersoll e o Dr. Sam Goldstein, o distúrbio bipolar (antes conhecido como psicose maníaco-depressiva) é “uma condição caracterizada por episódios depressivos intercalados por períodos em que o humor e a energia estão excessivamente elevados, bem acima, de fato, dos níveis normais do bom humor”.
Essa fase de euforia é chamada de mania. Os sintomas incluem falar muito, ter raciocínio rápido e menor necessidade de sono. De fato, a vítima talvez passe dias sem dormir, aparentemente sem perder a disposição. Outro sintoma do distúrbio bipolar é o comportamento extremamente impulsivo, sem levar em conta as conseqüências. “A mania muitas vezes afeta o raciocínio, o julgamento e o comportamento social de maneiras que causam problemas graves e embaraço”, declara um relatório do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA. Quanto tempo dura a fase da mania? Às vezes apenas alguns dias; em outros casos, vários meses — até ser substituída pela depressão.
Quem tem parentes que sofrem da doença corre maior risco de desenvolver o distúrbio bipolar. A boa notícia é que existe esperança para as vítimas. “Se forem diagnosticadas cedo e tratadas corretamente”, diz o livro The Bipolar Child (A Criança Bipolar), “essas crianças e suas famílias podem ter uma vida bem mais estável”.
É importante mencionar que nenhum desses sintomas por si só indica depressão ou distúrbio bipolar. Costuma-se obter o diagnóstico quando vários desses sintomas ocorrem ao longo de um determinado período. Mas ainda há uma pergunta que precisa ser respondida: Por que essa doença complexa aflige os adolescentes?
Mentes perturbadas
NICOLE tinha crises de melancolia desde os 14 anos. Mas aos 16 ela começou a sentir algo diferente: uma estranha sensação de euforia e aumento incomum de energia. Os pensamentos se aceleravam, falava coisas sem nexo, tinha insônia e achava que os amigos estavam tentando tirar vantagem dela. Depois começou a dizer que conseguia mudar a cor dos objetos quando e como quisesse. A essa altura a mãe de Nicole percebeu que a filha precisava de tratamento e a levou ao hospital. Após fazer um monitoramento minucioso das flutuações de humor de Nicole, os médicos finalmente chegaram a um diagnóstico: Nicole sofria de distúrbio bipolar.
Assim como Nicole, milhões de pessoas no mundo sofrem de algum tipo de transtorno do humor — que pode ser o distúrbio bipolar ou uma forma de depressão clínica. Os efeitos dessas doenças podem ser devastadores. “Sofri bastante por muitos anos”, diz Steven, que tem distúrbio bipolar. “Eu tinha fases extremamente depressivas seguidas por períodos de grande euforia. A terapia e a medicação ajudaram, mas ainda assim precisava continuar lutando.”
Quais são as causas dos transtornos do humor? Como se sente a pessoa que sofre de depressão ou de distúrbio bipolar? Como a pessoa que tem o problema — e os que cuidam dela — podem receber o apoio de que necessitam?

Também chamado de distúrbio maníaco depressivo. Alguns dos sintomas acima descritos podem estar relacionados com esquizofrenia, uso de drogas ou mesmo com as transições normais da adolescência. Somente uma avaliação extensiva feita por um especialista poderá estabelecer o diagnóstico da doença.
Atormentados por fobias
“As fobias freqüentemente são alvos de zombaria. Mas ‘divertidas’ é o que elas não são.”
— Jerilyn Ross, diretora de um centro de tratamento de distúrbios da ansiedade
A PALAVRA “fobia” significa um medo intenso, irrealístico, de um objeto, de um evento ou de um sentimento. Mas uma simples definição não consegue exprimir o terror e a solidão que marcam essa doença. Raeann Dumont, que há mais de 20 anos trata fobias, observa: “Os fóbicos talvez evitem tantas situações que acabam confinando-se em casa, ou talvez vivam num estado de ansiedade constante e implacável, ou aliviem a sua ansiedade com álcool, o que pode causar problemas adicionais.”
As fobias são classificadas entre um grupo de males chamado de distúrbios da ansiedade. Estima-se que 12% da população adulta nos Estados Unidos terá um caso de fobia em algum período de sua vida. Muitos destes sofrerão em silêncio por anos. “Infelizmente”, informa a Associação Americana de Distúrbios da Ansiedade, “cerca de três quartos dos indivíduos com fobia jamais recebem ajuda. Muitos fóbicos relutam em procurar ajuda devido ao constrangimento. Outros não sabem o que têm, ou onde encontrar ajuda, e há os que temem o próprio tratamento.”
Há centenas de fobias conhecidas, mas os especialistas em geral as classificam em três categorias. Fobias simples concentram-se num objeto ou numa situação, tais como insetos, animais, andar de avião ou estar em ambientes fechados. A agorafobia ocorre usualmente em conjunto com ataques de pânico. De tanto medo de sofrer um novo ataque de pânico a vítima evita todos os lugares e situações em que ocorreram ataques anteriores. Fobias sociais são marcadas pelo medo de embaraçar-se em público, como ao falar a uma assistência.
Considere apenas uma dessas três — as fobias sociais. A revista The Washingtonian observa: “Combine todas as fobias simples, como o medo de cobras ou de andar de avião, e elas não chegarão nem perto da fobia social como causa de sofrimento.” É realmente assim? Se for, por quê? Vejamos.
Outros distúrbios da ansiedade incluem a síndrome do pânico, o distúrbio obsessivo-compulsivo, o distúrbio de estresse pós-traumático e o distúrbio da ansiedade generalizada.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Uma geração em perigo(jovens)
“Até dois meses atrás, eu era feliz e bem-disposto. Agora, toda vez que tenho oportunidade de fazer algo, estou cansado demais. Eu me sinto péssimo e me irrito tão facilmente que não sei como alguém me suporta. É difícil dizer por que me sinto tão mal, assim de repente.” — Paul.
“Eu choro e sinto uma dor muito grande. Quando não é a dor, é como se estivesse morta por dentro. Nada melhora o meu humor. Não gosto mais de estar com meus amigos. Durmo demais. Na maioria dos dias, não consigo me levantar para ir à escola e minhas notas já caíram muito.” — Melanie.
PAUL e Melanie não são os únicos. Estudos indicam que aproximadamente 8% dos adolescentes dos Estados Unidos sofrem de alguma forma de depressão e todo ano cerca de 4% ficam gravemente deprimidos. No Brasil, uma pesquisa indicou que 20% dos alunos de escolas públicas apresentam sintomas depressivos. Mas estatísticas não dão uma idéia clara do pleno alcance do problema, porque a depressão muitas vezes é diagnosticada incorretamente ou passa totalmente despercebida. “De fato”, escreve o psicólogo de adolescentes David G. Fassler, “depois de analisar pesquisas feitas com crianças e adolescentes, acredito que mais de um em cada quatro jovens terá um episódio grave de depressão até completar 18 anos”.
Efeitos devastadores
A depressão tem efeitos devastadores sobre os adolescentes. Na verdade, os especialistas acreditam que ela é uma das causas básicas dos distúrbios alimentares, das doenças psicossomáticas, das deficiências de aprendizagem e do abuso de drogas e álcool por parte de adolescentes.
O mais trágico é que a depressão está ligada ao suicídio de adolescentes. Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA, até 7% dos jovens gravemente deprimidos tiram a própria vida. Mas nem isso revela a abrangência do problema porque, segundo se acredita, para cada jovem que se suicida muitos outros tentam fazer isso. Assim, um relatório do Conselho Carnegie sobre o Desenvolvimento dos Adolescentes tem boas razões para afirmar: “Atualmente, não levar a sério os problemas dos adolescentes é brincar com o perigo. Esse tipo de negligência coloca toda uma geração em perigo.”
Vida despreocupada?
Alguns acham difícil acreditar que os adolescentes podem mesmo ficar deprimidos. ‘São apenas jovens’, raciocinam os adultos. ‘Levam uma vida despreocupada e sem dúvida não têm as ansiedades dos adultos.’ Ou será que têm? Na verdade, os adolescentes enfrentam pressões muito mais intensas do que a maioria dos adultos imagina. O Dr. Daniel Goleman declara: “Cada sucessiva geração mundial desde o início do século [20] viveu em maior risco que seus pais de sofrer uma grande depressão — não apenas tristeza, mas uma paralisante apatia, desânimo e pena de si mesmo — no transcorrer da vida. E esses episódios estão começando em idades cada vez mais baixas.”
Mas muitos pais talvez argumentem: ‘Nós passamos pela adolescência sem ficar deprimidos. Por que nossos filhos são esmagados por sentimentos negativos?’ Mas os adultos não devem comparar sua adolescência com a dos jovens de hoje. Afinal, as pessoas encaram o mundo ao seu redor e reagem a ele de forma diferente.
Além disso, os adolescentes de hoje enfrentam um desafio extra. “Eles crescem em um mundo bem diferente daquele que os pais enfrentaram quando eram jovens”, escreve a Dra. Kathleen McCoy no livro Understanding Your Teenager’s Depression (Entenda a Depressão do seu Filho Adolescente). Depois de citar várias mudanças significativas que ocorreram nas últimas décadas, a Dra. McCoy conclui: “Os adolescentes hoje se sentem menos seguros, menos confiantes e menos esperançosos do que nos sentíamos uma geração atrás.”
O alto preço da depressão
“A depressão — muito mais do que as doenças físicas — é a principal causa das faltas ao trabalho no mundo e da baixa qualidade na produção”, diz O Globo, um jornal brasileiro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ‘em 1997, os distúrbios mentais causaram 200 mil mortes. Somente nos Estados Unidos, a depressão provoca prejuízos anuais de 53 bilhões de dólares’. A OMS mostra também que ‘mais de 146 milhões de pessoas no mundo tiveram suas atividades profissionais prejudicadas por causa de distúrbios mentais, em comparação com 123 milhões de trabalhadores que tiveram problemas de ouvido e 25 milhões que sofreram acidente de trabalho’. Também, um estudo indica que nos próximos anos a depressão será “uma enorme carga para a sociedade, causando perdas milionárias na produtividade e elevando os custos dos tratamentos atuais
Trabalhar muito — é perigoso para a sua saúde?
PENDENDO contra o seu carro, um vendedor de apólices de seguro de meia-idade vomitou e caiu. Ele ainda agarrava a sua pasta, o símbolo de seu trabalho. Trabalhando sob o lema de sua empresa: “A hora crucial é agora. Exerça seu poder a 150 por cento de sua capacidade”, ele havia percorrido uns 3.000 quilômetros de carro durante o mês em que caiu. Quatro dias mais tarde, morreu.
Não é um caso isolado. Os “guerreiros de empresa”, como são chamados no Japão, são perseguidos pelo pesadelo do karoshi, ou morte por excesso de trabalho. Um advogado especialista em tais casos estima que há “pelo menos 30.000 vítimas de karoshi no Japão todos os anos”. Não é de admirar que mais de 40 por cento dos funcionários de escritório japoneses recentemente entrevistados temessem uma possível morte por excesso de trabalho.
Embora possa ser difícil provar a ligação entre excesso de trabalho e problemas de saúde, as famílias das vítimas pouco duvidam disso. De fato, a expressão “morte por excesso de trabalho” foi cunhada nos processos de indenização movidos por famílias enlutadas. “Do ponto de vista médico”, diz Tetsunojo Uehata do Instituto de Saúde Pública do Japão, “refere-se à morte ou à invalidez causada por apoplexia cerebral, infarto do miocárdio ou agudas deficiências cardíacas em resultado de labor opressivo que agrava a hipertensão ou a arteriosclerose”. Um recente relatório do Ministério da Saúde e Bem-Estar do Japão alerta que constantes horas extras de trabalho privam a pessoa do sono e por fim levam à má saúde e à doença.
Todavia, assim como os fumantes odeiam admitir os perigos do fumar, e os alcoólatras odeiam admitir os perigos do abuso de álcool, os viciados em trabalho relutam em reconhecer os perigos de desarrazoadas longas horas de trabalho. E a morte não é o único perigo.
Exaustão e depressão
Ao passo que alguns fanáticos pelo trabalho caem vítimas da invalidez ou da morte, outros sucumbem à exaustão. “A exaustão não tem definição médica precisa”, explica a revista Fortune, “mas os sintomas em geral aceitos incluem fadiga, melancolia, absenteísmo, crescentes problemas de saúde e abuso de drogas ou de álcool”. Algumas vítimas se tornam hostis, ao passo que outras passam a cometer erros por falta de atenção. Como, porém, as pessoas se tornam vítimas da exaustão no trabalho?
Em geral, isto não acontece com os desajustados ou emocionalmente transtornados. Não raro é com pessoas que se preocupam profundamente com o seu trabalho. Talvez lutem para sobreviver a uma feroz competição ou labutem para subir na empresa. Trabalham arduamente longas horas, tentando assenhorear-se plenamente do trabalho. Mas quando a inabalável devoção e o trabalho contínuo não produzem a esperada satisfação e recompensa, ficam desiludidos, esgotados, e tornam-se vítimas de exaustão do trabalho.
Quais são as conseqüências? Em Tóquio, um serviço telefônico chamado de Linha da Vida, criado para ajudar suicidas em potencial, recebe um crescente número de chamadas de desesperados funcionários de escritório de meia idade e mais idosos. Dos mais de 25.000 suicidas no Japão em 1986, surpreendentes 40 por cento estavam na casa dos 40 ou 50 anos de idade e 70 por cento destes eram homens. “É porque a depressão entre arrimos de família de meia-idade está aumentando”, lamenta Hiroshi Inamura, um professor de psiquiatria.
Há também o que se convencionou chamar de neurose de feriado. Os sintomas? Irritação nos feriados por causa da inatividade. Levada pela compulsão de trabalhar, a consciência do devoto do trabalho o aflige nos dias de folga. Incapaz de encontrar paz mental, ele anda dum lado para o outro no seu pequeno quarto como um animal numa jaula. Quando chega segunda-feira, lá vai ele para o escritório, aliviado.
Um tipo ímpar de depressão que atualmente está levando trabalhadores de meia-idade ao médico é a chamada síndrome da fobia do lar. Trabalhadores esgotados demoram-se em cafés e bares depois do trabalho. Por fim, deixam inteiramente de ir para casa. Por que temem voltar para casa? Embora uma esposa não compreensiva possa ser um fator, “muitos vinham trabalhando duro demais e perderam a habilidade de ajustar-se ao mundo exterior, em muitos casos até mesmo à sua própria família”, diz o Dr. Toru Sekiya, que cuida de um “Sistema de Hospital Noturno” para tais pacientes.
Sufocada a vida familiar
O viciado em trabalho talvez não seja o que mais sofre. O vício do trabalho “não raro é mais um problema para as pessoas que partilham a sua vida com um viciado no trabalho”, observa a revista Entrepreneur. A vida do cônjuge pode virar um pesadelo. O viciado ou a viciada em trabalho “já encontrou o amor de sua vida”, diz a revista The Bulletin de Sídnei, Austrália, “e aceitar ocupar o segundo lugar nem sempre é fácil”. O que acontece num casamento assim?
Tome o caso de Larry, um americano empregado por uma empresa japonesa nos Estados Unidos. Ele trabalhou longas horas extras sem ser pago para isso, aumentando a produtividade da fábrica em 234 por cento. Sucesso e felicidade? “Louco!”, exclamou sua esposa no tribunal quando se divorciou dele.
Ainda pior era a situação de um executivo japonês que saía todos os dias às cinco horas da manhã para o serviço e não voltava para casa antes das nove da noite. Sua esposa passou a beber demais. Certo dia, discutindo a respeito disto, o homem estrangulou a esposa. O juiz declarou-o culpado de homicídio e disse: “Completamente devotado ao trabalho, o senhor não se deu conta da solidão de sua esposa e não fez suficiente esforço para dar a ela razões para gostar de viver.”
Estrangular o cônjuge é um resultado extremo, mas o excesso de trabalho pode sufocar a vida familiar de outras maneiras. Quando o marido está em casa aos domingos, ele talvez apenas se espreguice diante do aparelho de tevê ligado no seu programa de esportes preferido, passando assim a tarde inteira sem fazer nada. Maridos assim não se dão conta de quão fora da realidade com outros aspectos da vida eles vieram a ficar. Sobrecarregados pelo seu trabalho, negligenciam algo muitíssimo valioso na vida, sua família. Ignorando a necessidade de comunicação em família, pavimentam um caminho seguro para uma aposentadoria solitária.
Idosos, porém descontentes
O livro At Work (No Trabalho) soou um aviso na sua introdução: “Na nossa sociedade, . . . o vínculo entre o trabalho, a auto-estima e a posição social é tão forte que, ao se aposentarem, alguns acham extremamente difícil ajustar-se a uma vida livre de seus anteriores papéis no trabalho.” Aqueles que centralizam a sua vida no trabalho têm de perguntar-se: ‘O que me restará se me for tirado o trabalho?’ Lembre-se, quando a pessoa se aposenta, sua vida talvez passe a girar em torno de sua família e da comunidade.
Os que negligenciaram a necessidade de comunicação com a sua família e com seus vizinhos depois da aposentadoria ficam sem saber o que falar com eles. “Estão pagando por se terem recusado a olhar para qualquer outra coisa que não fosse o trabalho, não estão?”, diz uma veterana conselheira para casais de meia-idade no Japão. “Faltava na vida deles o aspecto humano, e eles achavam que todas as outras coisas viriam automaticamente só porque eram o arrimo da família. Ao se aposentarem, porém, os resultados se invertem.”
Aqueles 30 ou 40 anos de trabalho duro, supostamente em favor da família, podem produzir resultados contrários. Quão triste é quando, depois de anos de trabalho árduo, ex-arrimos de família são encarados por suas famílias como “refugo industrial” e nureochiba (folhas caídas molhadas). Esta expressão é usada no Japão para descrever maridos aposentados que nada têm a fazer senão matar o tempo com suas esposas o dia inteiro. São assim comparados a folhas molhadas que grudam na vassoura e não saem ao serem sacudidas, nada mais do que um incômodo.
PROBLEMA AMPLO
Sentir-se deprimido significa estar triste, melancólico e abatido. Significa estar desanimado, desalentado. Significa ser pessimista quanto ao presente e ao futuro.
Muitos se sentem hoje deprimidos por causa das condições deploráveis do mundo. Outros se sentem abatidos por causa da falta de saúde, da idade avançada ou de outro impedimento físico, tal como a vista fraca. Não são poucos os que se sentem deprimidos por causa da solidão, como no caso de homens e mulheres solteiros, que não são mais jovens, e dos que perderam um ente querido na morte.
Ainda outros permitem que os males, as dificuldades e as injustiças que sofreram os deixem desalentados. Às vezes, os amantes da justiça ficam desanimados por causa de suas fraquezas e faltas
É A CAUSA FÍSICA?
Ou se deve a sua depressão à sua péssima condição física? A saúde fraca amiúde faz que a situação pareça deprimente, muito pior do que realmente é. Neste caso, procure remediar isso por usar de moderação em todas as coisas, no trabalho, nos prazeres e no alimento. Aprenda a descontrair-se, e cuide de que tenha suficiente descanso e sono. Se tiver uma ocupação ou um modo de vida sedentário, talvez ache bastante útil alguma espécie de exercício diário.
O sentimento de depressão também pode ser “usado por algum impedimento físico. Se tiver este problema, lembre-se do apóstolo Paulo. Ele conta que tinha um “espinho na carne”, a respeito do qual pediu repetidas vezes a Deus que o removesse. Mas, em vez de livrar Paulo deste fardo, Deus disse-lhe: “Basta-te a minha benignidade imerecida; pois o meu poder está sendo aperfeiçoado na fraqueza.” Longe de se sentir deprimido, por não se ter removido este obstáculo, Paulo disse: “De muito bom grado, portanto, jactar-me-ei antes com respeito às minhas fraquezas, para que o poder do Cristo permaneça sobre mim igual a uma tenda.” Sim, torne o seu impedimento causa para jactância no Senhor, em vez de motivo de depressão, e faça-o por prosseguir apesar dele! Como exemplo moderno disso, pense no ministro Casimiro, já mencionado antes. — 2 Cor. 12:7-9.
Por outro lado, pode ser que a sua depressão tenha causa mais profunda. Sabe-se que a hipoglicemia, a falta de açúcar no sangue, pode fazer a pessoa sentir-se deprimida. Por outro lado, as vicissitudes duma mulher ou a ‘mudança na vida’ podem fazer que ela se sinta assim. Em tais casos, o remédio talvez seja a espécie correta de terapia ou medicação
Alívio da depressão
SENTE-SE DEPRIMIDO? NESTE CASO, HÁ MUITO QUE PODERÁ FAZER PARA ALIVIAR ISSO.
CASIMIRO era uma pessoa muito feliz. Havia servido por anos como missionário cristão num país estrangeiro. Depois, certo dia, por causa dum envenenamento com DDT, ele ficou parcialmente paralítico. Isto o fez retornar do campo missionário, mas não para uma vida de ociosidade.
Embora nunca recuperasse o pleno uso dos seus membros, continuou no ministério de tempo integral do melhor modo possível, até que certo dia, recentemente, sucumbiu num ataque cardíaco na idade de sessenta e seis anos. Ele se poderia ter sentido muito deprimido por causa da grande dificuldade em se locomover, mas entregou-se ele a tais sentimentos? Não; manteve a sua disposição alegre e extrovertida, para a sua própria bênção, bem como para a bênção dos em volta dele. Deu um bom exemplo aos outros, que às vezes talvez sofram dificuldades e por isso estejam inclinados a se sentirem deprimidos.
PROBLEMA AMPLO
Sentir-se deprimido significa estar triste, melancólico e abatido. Significa estar desanimado, desalentado. Significa ser pessimista quanto ao presente e ao futuro.
Muitos se sentem hoje deprimidos por causa das condições deploráveis do mundo. Outros se sentem abatidos por causa da falta de saúde, da idade avançada ou de outro impedimento físico, tal como a vista fraca. Não são poucos os que se sentem deprimidos por causa da solidão, como no caso de homens e mulheres solteiros, que não são mais jovens, e dos que perderam um ente querido na morte.
Ainda outros permitem que os males, as dificuldades e as injustiças que sofreram os deixem desalentados. Às vezes, os amantes da justiça ficam desanimados por causa de suas fraquezas e faltas. Por outro lado, o ministro cristão talvez se sinta melancólico por causa da oposição ou indiferença que encontra, ao continuar a pregar as boas novas do reino de Deus.
AFLIGEM-NO AS CONDIÇÕES DO MUNDO?
Sente-se aflito por causa delas? Neste caso, isto pelo menos é melhor do que ficar tão furioso, que recorra à violência, assim como fazem tantos hoje em dia. Tais pessoas tornam as coisas apenas piores para si mesmas e para outros. Felizmente, há ainda outra alternativa. Não precisa nem ficar deprimido, nem explodir em ira. Pode consolar-se com a Palavra de Deus. Ele vê o que está acontecendo. — Heb. 4:13.
Sim, dê ouvidos ao sábio Rei Salomão, que advertiu: “Se vires o de poucos meios sofrer opressão, e o arrebatamento violento do juízo e da justiça . . . não fiques pasmado com o assunto, pois alguém que é mais alto do que o alto está vigiando, e há os que estão alto por cima deles.” — Ecl. 5:8.
Jeová Deus não só vê tudo o que está acontecendo, mas ele também endireitará tudo no seu tempo devido, assim como nos assegura Salomão: “Por não se ter executado prontamente a sentença contra um trabalho mau é que o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal. Embora o pecador faça o mal cem vezes e continue por longo tempo conforme quiser, contudo, estou também apercebido de que resultará em bem para os que temem o verdadeiro Deus, porque têm tido temor dele. Mas não resultará em nada de bom para o iníquo, nem prolongará ele os seus dias, que são como uma sombra, porque ele não tem temor de Deus.” — Ecl. 8:11-13.
É verdade que estas palavras foram escritas há muito tempo, mas o cumprimento de profecia bíblica nos dá motivos para crer que esta geração presenciará como Jeová Deus se levantará no seu zelo ardente para devorar toda a iniqüidade. (Mat. 21:3-34; Sof. 3:8) Uma vez que é assim, temos motivos para fazer o que Jesus disse: “Erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.” — Luc. 21:28.
É A CAUSA FÍSICA?
Ou se deve a sua depressão à sua péssima condição física? A saúde fraca amiúde faz que a situação pareça deprimente, muito pior do que realmente é. Neste caso, procure remediar isso por usar de moderação em todas as coisas, no trabalho, nos prazeres e no alimento. Aprenda a descontrair-se, e cuide de que tenha suficiente descanso e sono. Se tiver uma ocupação ou um modo de vida sedentário, talvez ache bastante útil alguma espécie de exercício diário.
O sentimento de depressão também pode ser “usado por algum impedimento físico. Se tiver este problema, lembre-se do apóstolo Paulo. Ele conta que tinha um “espinho na carne”, a respeito do qual pediu repetidas vezes a Deus que o removesse. Mas, em vez de livrar Paulo deste fardo, Deus disse-lhe: “Basta-te a minha benignidade imerecida; pois o meu poder está sendo aperfeiçoado na fraqueza.” Longe de se sentir deprimido, por não se ter removido este obstáculo, Paulo disse: “De muito bom grado, portanto, jactar-me-ei antes com respeito às minhas fraquezas, para que o poder do Cristo permaneça sobre mim igual a uma tenda.” Sim, torne o seu impedimento causa para jactância no Senhor, em vez de motivo de depressão, e faça-o por prosseguir apesar dele! Como exemplo moderno disso, pense no ministro Casimiro, já mencionado antes. — 2 Cor. 12:7-9.
Por outro lado, pode ser que a sua depressão tenha causa mais profunda. Sabe-se que a hipoglicemia, a falta de açúcar no sangue, pode fazer a pessoa sentir-se deprimida. Por outro lado, as vicissitudes duma mulher ou a ‘mudança na vida’ podem fazer que ela se sinta assim. Em tais casos, o remédio talvez seja a espécie correta de terapia ou medicação.
Há muita necessidade de consolo!
“Eis as lágrimas dos oprimidos, mas eles não tinham consolador; e do lado dos seus opressores havia poder, de modo que não tinham consolador.” — ECLESIASTES 4:1.
ESTÁ precisando de consolo? Está ansiando ver um raio de consolo irromper pelas nuvens escuras do desespero? Almeja ter um pouco de alívio para suavizar a vida amargurada por sofrimentos e acontecimentos desagradáveis?
Em uma ou outra ocasião, todos nós precisamos seriamente de consolo e de encorajamento. Isto se dá porque na vida há tantas coisas que causam tristeza. Todos nós precisamos de proteção, carinho e abraços. Alguns de nós já envelhecemos e isso não nos agrada muito. Outros ficam profundamente desapontados porque a vida não passou a ser como esperavam. Ainda outros ficam abalados pela notícia que recebem dum laboratório de patologia.
Além disso, poucos contestariam que os acontecimentos no nosso tempo criaram uma enorme necessidade de consolo e de esperança. Somente no último século, mais de cem milhões de pessoas morreram em guerras. Quase todas elas deixaram para trás uma família enlutada — mães e pais, irmãs e irmãos, viúvas e órfãos — desesperadamente necessitada de alívio. Atualmente, mais de um bilhão de pessoas vive em extrema pobreza. Metade da população do mundo não tem acesso regular a tratamento médico e a remédios essenciais. Nas ruas de megacidades poluídas perambulam milhões de crianças abandonadas, muitas delas usando drogas ou praticando prostituição. Milhões de refugiados definham em horríveis acampamentos.
Números, porém — não importa quão constrangedores sejam — não revelam a dor e a aflição individual que alguns sofrem na vida.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Os amigos genuínos são aqueles que 'nascem para quando há aflição' e que realmente não abandonam a pessoa deprimida. (Provérbios 17:17
Poderia Ser Depressão Profunda?
Qualquer pessoa pode sofrer temporariamente de um ou mais dos seguintes sintomas, sem que seu problema seja grave. No entanto, se persistirem vários destes sintomas, ou se um deles for grave a ponto de interferir nas suas atividades normais, poderá (1) ser portador duma doença física e precisar de um exame médico geral, ou (2) sofrer de grave distúrbio mental — a depressão profunda.
Nada Lhe Dá Prazer. Não consegue sentir prazer em atividades que antes apreciava. Sente-se irreal, como se estivesse no meio duma bruma e simplesmente está vivendo por viver.
Total Inutilidade. Sente-se como se sua vida não tivesse nada de importante para contribuir e fosse totalmente inútil. Talvez se sinta cheio de culpa.
Drástica Mudança de Disposição. Se antes era extrovertido, talvez passe a ser introvertido, ou vice-versa. Talvez chore com freqüência.
Desesperança Total. Acha que as coisas vão mal, que não há nada que se possa fazer, e que a situação jamais melhorará.
Preferiria Morrer. A angústia é tamanha que freqüentemente você acha que seria melhor se estivesse morto.
Não Consegue Concentrar-se. Fica remoendo, vez após vez, certos pensamentos, ou lê sem compreender o que lê.
Alteração dos Hábitos Alimentares ou Intestinais. Não tem apetite ou come demais. Intermitente prisão de ventre ou diarréia.
Alteração nos Hábitos de Dormir. Dorme mal, ou demais. Talvez tenha freqüentes pesadelos.
Dores e Aflições. Dores de cabeça, cãibras, e dores no abdômen e no peito. Talvez se sinta sempre cansado, sem boa razão.

Por que fico tão deprimido?
Márcia sempre vivera de acordo com o ideal de criança perfeita aos olhos de sua mãe — até completar os 17 anos. Daí, ela abandonou as atividades escolares, parou de aceitar convites para festas e nem parecia importar-se mais quando suas notas caíram da nota máxima para outras inferiores. Quando os pais dela perguntavam gentilmente o que havia de errado, ela saía bruscamente, dizendo: “Deixem-me em paz! Não há nada de errado.”
Marcos, aos 14 anos, era impulsivo e hostil, tendo temperamento explosivo. Na escola, era irrequieto e perturbador. Quando ficava frustrado ou irritado, corria pelo deserto de motocicleta, ou arremessava-se por ladeiras bem íngremes no seu “skate”.
TANTO Márcia como Marcos sofriam de diferentes formas da mesma doença — a depressão. O Dr. Donald McKnew, do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA, afirma que de 10 a 15 por cento das crianças e jovens em idade escolar talvez sofram de distúrbios de temperamento. Um número menor sofre de depressão profunda.
Às vezes, existe uma causa biológica para o problema. Algumas infecções ou doenças do sistema endócrino, as alterações hormonais do ciclo menstrual, a hipoglicemia, certos medicamentos, a exposição a metais ou substâncias químicas tóxicas, as reações alérgicas, uma dieta desequilibrada, a anemia — tudo isto pode provocar a depressão.
Pressões Causam Depressão
No entanto, os próprios anos da adolescência são, muitas vezes, a fonte do stress emocional. Não dispondo da experiência dum adulto para lidar com os altos e baixos da vida, o jovem pode achar que ninguém se importa, e pode ficar dolorosamente deprimido diante de assuntos relativamente comuns.
Não conseguir satisfazer às expectativas dos pais, dos professores, ou dos amigos, é outra causa da melancolia. Danilo, por exemplo, achava que tinha de sair-se muito bem na escola para agradar a seus pais bem-instruídos. Não conseguindo isso, ficou deprimido e alimentou idéias suicidas. “Nunca fiz nada direito. Sempre desapontei a todo o mundo”, lamentava-se Danilo.
Que a sensação de fracasso pode provocar depressão é evidente no caso de um rapaz chamado Epafrodito. No primeiro século, este cristão fiel foi enviado numa missão especial, para ajudar o apóstolo Paulo, que estava preso. Mas quando ele chegou até Paulo, logo ficou doente — e foi Paulo que teve de cuidar dele! Pode imaginar, então, o motivo de Epafrodito talvez se ter considerado um fracasso, e ter ficado “deprimido”. Pelo visto, ele despercebeu todo o bem que havia realizado antes de ficar doente. — Filipenses 2:25-30.
Sentimento de Perda
Francine Klagsbrun escreveu em seu livro Too Young to Die—Youth and Suicide (Jovem Demais Para Morrer — A Juventude e o Suicídio): “Na raiz de muitas depressões de ordem emocional jaz um profundo sentimento de perda, de alguém ou de algo que tenha sido amado profundamente.” Assim, a perda dum genitor, seja na morte, seja através do divórcio, a perda dum emprego ou duma carreira, ou até mesmo a perda da saúde física, também poderia ser a causa da depressão.
Uma das mui devastadoras perdas para o jovem, porém, é a privação do amor, o sentimento de não ser desejado nem ter alguém que se importe com ele. “Quando minha mãe nos deixou, eu me senti traída e sozinha”, revelou uma jovem chamada Marie. “Meu mundo subitamente parecia ter virado de cabeça para baixo.”
Imagine, então, quão desnorteados e feridos se sentem alguns jovens quando confrontados com problemas familiares, tais como o divórcio, o alcoolismo, o incesto, o espancamento da esposa, o abuso sexual de menores, ou a simples rejeição por parte do pai (ou da mãe) que está mergulhado em seus próprios problemas. Quão veraz é o provérbio bíblico: “Mostraste-te desanimado no dia da aflição? Teu poder [inclusive a capacidade de resistir à depressão] será escasso”! (Provérbios 24:10) O jovem talvez até mesmo se culpe, erroneamente, pelos problemas da família.
Reconhecer os Sintomas
Há diferentes graus de depressão. Um jovem poderia, temporariamente, ficar com o moral baixo por algum transtorno. Mas, em geral, tal melancolia é relativamente curta.
No entanto, se persiste a disposição melancólica e deprimida, e o jovem nutre generalizado sentimento negativo, junto com sentimentos de inutilidade, de ansiedade e de ira, isto pode transformar-se no que os médicos chamam de depressão crônica de baixo grau [primária]. Como mostram as experiências de Marcos e de Márcia (mencionados no início), os sintomas podem variar consideravelmente. Um jovem pode ter episódios de ansiedade. Outro pode sentir-se sempre cansado, não ter apetite, ter dificuldades de dormir, perder peso, ou sofrer uma série de acidentes.
Alguns jovens tentam dissimular a depressão por se entregarem à busca louca de prazer: uma rodada infindável de festas, promiscuidade sexual, vandalismo, beber em excesso, e coisas semelhantes. “Realmente não sei por que tenho de sair o tempo todo”, confessou um rapaz de 14 anos. “Só sei que, quando estou sozinho, sem ninguém, eu me dou conta de quão mal me sinto.” É exatamente como a Bíblia descreveu: “Mesmo no riso o coração talvez sinta dor.” — Provérbios 14:13.
Quando Se Trata de Algo Mais do que Melancolia
Caso não se combata a depressão crônica de baixo grau, ela pode tornar-se uma doença mais grave — a depressão profunda. (Veja a página 107.) “Eu me sentia constantemente como se estivesse ‘morta’ por dentro”, explicou Marie, vítima de depressão profunda. “Eu simplesmente existia, sem sentir emoção alguma. Sentia-me constantemente apreensiva.” Na depressão profunda, a disposição tristonha é constante, e pode prosseguir durante meses. Por conseguinte, este tipo de depressão é o ingrediente mais comum no caso dos suicídios de adolescentes — o que agora é considerado uma “epidemia oculta” em muitos países.
A emoção mais persistente ligada à depressão profunda — e a mais mortífera — é uma profunda sensação de desesperança. O Professor John E. Mack escreve a respeito duma jovem de 14 anos, chamada Vivienne, vítima de depressão profunda. Segundo todas as aparências, ela era uma jovem ideal, tendo pais que se importavam com ela. Todavia, nas profundezas do desespero, ela se enforcou! Escreveu o Professor Mack: “A incapacidade de Vivienne de prever que sua depressão pudesse dissipar-se algum dia, que ela tivesse alguma esperança de finalmente obter alívio de sua dor, é um importante elemento na decisão dela de se matar.”
Os que padecem de depressão profunda sentem-se, assim, como se jamais fossem melhorar, como se não existisse o amanhã. Tal desesperança, de acordo com os peritos, não raro leva ao comportamento suicida.
O suicídio, contudo, não é a solução. Admitiu Marie, cuja vida se tornara um pesadelo vivo: “Idéias suicidas certamente me passaram pela mente. Mas compreendi que, conquanto eu não me matasse, sempre haveria uma esperança.” Pôr fim a tudo deveras não resolve nada. Infelizmente, diante duma situação desesperada, muitos jovens não conseguem sequer visualizar alternativas, ou a possibilidade de um desfecho favorável. Marie, assim, tentou ocultar seu problema por tomar injeções de heroína. Disse ela: “Eu me sentia muito autoconfiante — até passar o efeito da droga.”
Lidar com Tensões Menores
Há meios sensatos de se lidar com sentimentos depressivos. “Alguns ficam deprimidos porque estão com fome”, comentou o Dr. Nathan S. Kline, especialista em depressão, de Nova Iorque, EUA. “A pessoa talvez não tome seu desjejum, e, por alguma razão, deixe de almoçar. Daí, lá pelas quinze horas, começa a se perguntar por que não se sente bem.”
Aquilo que você come também pode fazer diferença. Admitiu Débora, uma moça afligida por sentimentos de desespero: “Eu não imaginava que tais alimentos sem valor nutritivo fossem tão prejudiciais ao meu estado de ânimo. Comia muito disso. Noto agora que me sinto melhor quando como menos doces.” Outras medidas úteis: Alguma espécie de exercício pode fazê-lo recobrar o ânimo. Em alguns casos, um exame médico geral seria apropriado, uma vez que a depressão pode ser sintoma duma doença física.
Vencer a Batalha da Mente
Muitas vezes, a depressão é provocada ou agravada por a pessoa nutrir pensamentos negativos sobre si mesma. “Quando você já passou por situações em que muitas pessoas a magoaram”, lamentou-se Etelvina, de 18 anos, “isso a leva a pensar que você não tem nenhum valor”.
Considere o seguinte: Cabe realmente a outros decidir o seu valor como pessoa? O apóstolo Paulo sofreu similar zombaria. Alguns diziam que ele era um orador fraco e sem talento. Será que isto fez com que Paulo se sentisse imprestável? De jeito nenhum! Paulo sabia que o que importava era satisfazer o padrão de Deus. Ele podia jactar-se daquilo que tinha realizado, com a ajuda de Deus — apesar do que os outros diziam. Se você, também, lembrar a si mesmo de que tem uma posição perante Deus, muitas vezes isto dissipa a disposição melancólica. — 2 Coríntios 10:7, 10, 17, 18.
E se você se sente deprimido por causa duma fraqueza, ou dum pecado que tenha cometido? “Embora os vossos pecados se mostrem como escarlate”, Deus disse a Israel, “serão tornados brancos como a neve”. (Isaías 1:18) Jamais desperceba a compaixão e a paciência de nosso Pai celeste. (Salmo 103:8-14) Mas está também esforçando-se arduamente para superar seu problema? Você precisa fazer sua parte, se há de aliviar a mente de sentimentos de culpa. Como diz o provérbio: “Ter-se-á misericórdia com aquele que . . . confessa e abandona [suas transgressões].” — Provérbios 28:13.
Outro meio de combater a melancolia é fixar alvos realísticos para si mesmo. Para ser bem-sucedido, você não precisa ser o primeiro aluno da turma. (Eclesiastes 7:16-18) Aceite a realidade de que os desapontamentos fazem parte da vida. Quando estes ocorrerem, em vez de pensar: ‘Ninguém se importa com o que acontece comigo e ninguém jamais se importará’, diga a si mesmo: ‘Eu vou superar isso.’ E não existe nada de errado em chorar bastante.
O Valor das Realizações
“O desespero não desaparece por si”, aconselha Daphne, que conseguiu superar com êxito algumas crises de desânimo. “A pessoa tem de pensar em sentido diferente ou envolver-se em alguma atividade física. Precisa começar a fazer alguma coisa.” Considere Linda, que declarou o seguinte, ao empenhar-se arduamente para combater seu estado melancólico: “Eu atualmente me dedico de forma intensa à costura. Cuido do meu guarda-roupa e, com o tempo, eu me esqueço do que me aflige. Isso realmente ajuda.” Fazer coisas em que você é bom pode elevar seu amor-próprio — que geralmente fica lá embaixo, na depressão.
É também proveitoso empenhar-se em atividades que lhe dêem prazer. Tente ir fazer compras de algo que muito aprecie pessoalmente, participar em jogos, preparar seu prato favorito, dar uma espiada numa livraria, jantar fora, ler, ou mesmo resolver palavras cruzadas, tais como as publicadas na revista Despertai!.
Débora verificou que, por planejar viagens curtas ou fixar pequenos alvos para si mesma, ela conseguia enfrentar sua disposição depressiva. No entanto, fazer coisas pelos outros provou-se uma das coisas que mais a ajudaram. “Encontrei essa jovem senhora muito deprimida, e passei a ajudá-la a estudar a Bíblia”, revelou Débora. “Estas palestras semanais me deram a oportunidade de dizer a ela como poderia sobrepujar sua depressão. A Bíblia lhe deu verdadeira esperança. Ao mesmo tempo, isto me ajudou.” Como Jesus disse: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” — Atos 20:35.
Converse com Alguém Sobre Isso
“A ansiedade no coração do homem é o que o fará curvar-se, mas a boa palavra é o que o alegra.” (Provérbios 12:25) Uma “boa palavra” que parta duma pessoa compreensiva pode constituir toda a diferença no mundo. Nenhum humano consegue ler seu coração, assim, abra-se com alguém em quem confie e que tenha a capacidade de ajudá-lo. “O amigo ama sempre e na desgraça ele se torna um irmão”, de acordo com Provérbios 17:17. (A Bíblia na Linguagem de Hoje) “Quando você guarda para si o que sente, é como se levasse sozinho uma pesada carga”, disse Ivan, de 22 anos. “Mas, quando você compartilha isso com alguém habilitado a ajudá-lo, isso se torna bem mais leve.”
‘Mas eu já tentei fazer isso’, talvez diga, ‘e tudo que ouvi foi um sermão sobre como ver o lado bom da vida’. Onde, então, poderá achar alguém que não só seja um ouvinte compreensivo, mas também um conselheiro objetivo? — Provérbios 27:5, 6.
Obter Ajuda
Comece por ‘dar seu coração’ a seus pais. (Provérbios 23:26) Eles o conhecem melhor do que ninguém, e, muitas vezes, podem ajudá-lo, se você deixar. Se eles discernirem que o problema é grave, talvez até mesmo façam arranjos para que você receba a ajuda dum profissional habilitado.
Membros da congregação cristã são outra fonte de ajuda. “Ao longo dos anos, eu simulava tão bem que ninguém realmente sabia quão deprimida me sentia”, revelou Marie. “Daí, porém, confidenciei meu problema a uma das senhoras de mais idade na congregação. Ela foi muito compreensiva! Ela havia tido algumas das mesmas experiências que eu. Assim, fui incentivada a compreender que outras pessoas tinham passado por coisas semelhantes e se saíram muito bem.”
Não, a depressão de Marie não desapareceu de imediato. Mas, gradativamente, ela passou a saber lidar com suas emoções, à medida que foi aprofundando seu relacionamento com Deus. Entre os verdadeiros adoradores de Jeová, você também poderá encontrar amigos, e uma “família” que estão genuinamente interessados em seu bem-estar. — Marcos 10:29, 30; João 13:34, 35.
Poder Além do Normal
A mais poderosa ajuda para dissipar a melancolia, contudo, é aquilo que o apóstolo Paulo chamou de “poder além do normal”, que provém de Deus. (2 Coríntios 4:7) Ele pode ajudá-lo a combater a depressão, se você se apoiar nele. (Salmo 55:22) Junto com seu espírito santo, ele lhe concederá poder além de seus recursos normais.
Esta amizade com Deus é deveras reconfortante. “Nos meus momentos de tristeza”, disse uma jovem mulher chamada Geórgia, “eu oro bastante. Sei que Jeová proverá uma saída, não importa quão profundo seja o meu problema”. Daphne concorda, acrescentando: “Você pode contar tudo a Jeová. Você simplesmente abre seu coração, e sabe que, mesmo se nenhum humano for capaz, ele realmente a compreende e se importa com você”.
Assim, se estiver deprimido, ore a Deus, e procure alguém sábio e compreensivo com quem possa externar seus sentimentos. Na congregação cristã, você encontrará “anciãos” que são conselheiros peritos. (Tiago 5:14, 15) Eles estão prontos a ajudá-lo a manter seu relacionamento com Deus. Pois Deus o compreende e o convida a lançar suas ansiedades sobre ele, ‘porque tem cuidado de você’. (1 Pedro 5:6, 7) Deveras, a Bíblia promete: “A paz de Deus, que excede todo pensamento, guardará os vossos corações e as vossas faculdades mentais por meio de Cristo Jesus.” — Filipenses 4:7.
[Nota(s) de rodapé]
A maioria dos especialistas médicos aconselham que as vítimas da depressão profunda devem receber ajuda dum profissional habilitado por causa do perigo de suicídio. Por exemplo, talvez haja necessidade de medicação, a qual só pode ser receitada por alguém da classe médica.

ficarem deprimidas quando sentem prolongada ansiedade, medo, pesar ou outras emoções negativas. A causa da depressão ou de profunda tristeza pode ser a morte de um parente, o divórcio, a perda do emprego ou uma doença persistente. As pessoas também ficam deprimidas quando desenvolvem sentimentos de inutilidade, quando acham que são um fracasso e que decepcionam a todos. Uma situação estressante pode devastar a qualquer um, mas quando a pessoa desenvolve sentimentos de desesperança e não consegue ver uma saída da situação ruim, o resultado pode ser a depressão profunda.
A ansiedade pode ser prejudicial para o bem-estar da pessoa. Pode levar à depressão, privando a pessoa de força e da iniciativa de agir. Diz o inspirado provérbio: “A ansiedade no coração do homem é o que o fará curvar-se.” (Pr 12:25) A preocupação pode provocar graves manifestações físicas. O livro How to Master Your Nerves (Como Dominar Seus Nervos) observa: “Os médicos sabem como a ansiedade pode afetar as funções do organismo. Pode elevar (ou baixar) a pressão arterial; pode elevar a contagem dos glóbulos brancos no sangue; pode repentinamente afetar o açúcar no sangue pela ação da adrenalina sobre o fígado. Pode até mesmo alterar seu eletrocardiograma. O Dr. Charles Mayo disse: ‘A preocupação afeta a circulação, o coração, as glândulas, todo o sistema nervoso.’” — Dos Drs. P. Steincrohn e D. La-Fia, 1970, p. 14.
Se sua esposa está deprimida, que tal tentar encorajá-la em harmonia com as palavras de Provérbios 31:28, 29? Lemos ali: “Seu dono se levanta e a louva. Há muitas filhas que demonstraram capacidade, mas tu — tu sobrepujaste a todas elas.” Pode ser, porém, que a esposa deprimida não aceite tal avaliação, visto que talvez se sinta um fracasso por não conseguir cuidar das tarefas domésticas tão bem quanto ela acha que deveria. Contudo, fazendo-a lembrar-se da mulher que ela é por dentro e do que ela era antes de ficar deprimida, você talvez possa convencê-la de que os seus elogios não são lisonjas vazias. Reconheça também que seja o que for que ela faça agora, isto representa um tremendo esforço. Poderá dizer: ‘Sei quanto lhe custou fazer isso. É muito elogiável que você está se esforçando tanto!’ Receber a aprovação e o louvor do cônjuge e dos filhos, aqueles que melhor conhecem a pessoa deprimida, é vital para o restabelecimento do respeito próprio. — Veja 1 Coríntios 7:33, 34.
O uso de exemplos bíblicos pode ajudar a pessoa deprimida a ver que mudanças no modo de pensar talvez sejam necessárias. Por exemplo, alguém pode ser muito sensível às opiniões dos outros. Talvez queira considerar o exemplo de Epafradito e perguntar: ‘Na sua opinião, por que ele ficou deprimido quando soube que sua congregação de origem tomara conhecimento de sua doença? Será que ele era mesmo um fracasso? Por que Paulo recomendou que os irmãos o tivessem em estima? Será que o real valor de Epafrodito, como pessoa, dependia do privilégio de serviço que tinha?’ Tais perguntas podem ajudar o cristão deprimido a fazer uma aplicação pessoal e a se dar conta de que não é um fracasso.
Como Fortificar com Palavras
A pessoa profundamente deprimida sente-se não apenas triste, mas provavelmente inútil e sem esperança. A palavra grega traduzida “almas deprimidas” significa literalmente “os de pouca alma”. Certo erudito em grego define-a assim: “Alguém que labuta com tanta dificuldade que seu coração afunda dentro de si.” Assim, suas reservas emocionais se esgotam e seu respeito próprio decai. — Veja Provérbios 17:22.
Primeiro, “compartilhando os sentimentos”, você poderá ajudar a pessoa deprimida a revelar a “ansiedade” no coração. A seguir, uma “boa palavra” da sua parte poderá ajudá-la a alegrar-se. (1 Pedro 3:8; Provérbios 12:25) Simplesmente deixar que ela fale a vontade e sinta que você se interessa poderá aliviá-la bastante. “Eu tinha alguns amigos para quem eu podia realmente abrir meu coração”, explicou Maria, uma cristã solteira que lutou contra a depressão. “Eu precisava de alguém que me ouvisse.” Ter alguém com quem compartilhar pensamentos íntimos sobre as tribulações da vida pode significar muito.
Contudo, é necessário mais do que apenas escutar e dar conselhos superficiais como: “Veja o lado bom da vida” ou “Tenha pensamentos positivos”. Tais palavras poderiam revelar falta de empatia e ser inteiramente inoportunas quando outra pessoa está deprimida, assim como Provérbios 25:20 indica, dizendo: “Quem tira a roupa num dia de frio é como . . . o cantor com canções para o coração sombrio.” Observações otimistas que não condizem com a realidade também podem fazer a pessoa deprimida sentir-se ainda mais perturbada. Por quê? Porque tais tentativas de ajudar não chegam às causas da sua depressão.
Este exemplo ilustra que, embora os cristãos, como um todo, ‘se alegrem no Senhor’, alguns dentre eles sofrem diversas formas de depressão. (Filipenses 4:4) A depressão mental profunda é um grave distúrbio emocional que tem até levado alguns ao suicídio. Às vezes, a química do cérebro e outros fatores físicos estão envolvidos. Todavia, não raro se pode reduzir a depressão mediante a ajuda discernidora provida por outros.
As palavras de Kirsten nos lembram que, no mundo atual, não podemos esperar ficar alegres o tempo todo. A vida tem altos e baixos. E há ocasiões em que devemos ficar tristes, quando expressões de alegria são completamente inapropriadas. (Eclesiastes 3:1, 4; 7:2-4) Além disso, alguns talvez tenham de lutar contra a depressão, que pode ter muitas causas. No entanto, as promessas da Bíblia são muito consoladoras, e a sabedoria incomparável que encontramos nela pode ajudar-nos a evitar as muitas armadilhas que trazem infelicidade. Deus diz: “Quanto àquele que me escuta, residirá em segurança e estará despreocupado do pavor da calamidade.” — Provérbios 1:33.

É possível lidar com a depressão
A DEPRESSÃO é algo comum a todos. Quando ocorre apenas ocasionalmente, não é motivo de preocupação. Antes, é um indício de que se deve fazer algo de construtivo para dissipá-la. Estes breves períodos, em que talvez nos sintamos muito “abatidos”, não são normalmente a verdadeira depressão. Calamidades tais como o falecimento de um ente querido, a perda de emprego, reveses financeiros, acidentes, e assim por diante, costumam ser vencidas pela maioria num tempo relativamente curto. Mas, a alguns, causam verdadeira depressão.
Um artigo sobre a depressão, publicado na revista Science World de 16 de dezembro de 1975, citou o Dr. Nathan S. Kline, professor clínico de psiquiatria da Universidade de Colúmbia, na cidade de Nova Iorque, como dizendo que o sintoma mais comum de verdadeira depressão não é a própria depressão, mas anedonia (palavra derivada do grego), que ele define como sendo “ausência de alegria e prazer. A incapacidade de apreciar as coisas que realmente dão valor à vida”.
O artigo prossegue dizendo que a perda de interesse no comer, resultando em perda de peso, é um dos sintomas de depressão. A pessoa acha dificuldade em dormir, e, mesmo que passe a noite dormindo bem, ainda se sente cansada. Ele ou ela não consegue concentrar-se e perde a capacidade de trabalhar. Por outro lado, alguns dormem excessivamente, passando a maior parte de seu tempo na cama. Para eles, o sono torna-se uma fuga da vida.
Para combater a depressão, primeiro procure analisar os motivos de sua condição e examine seus sentimentos e motivações mais íntimos. Veja se a sua situação realmente é “tão ruim assim”, se as circunstâncias justificam seu sentimento de depressão. Também, visto que a depressão pode ter uma causa física, verifique se sofre dum distúrbio do metabolismo, de hipoglicemia, anemia, mononucleose, diabetes ou outra doença que talvez possa contribuir para a fraqueza e o desânimo. Veja quanto de sua depressão está na sua própria atitude mental e quais as influências que sofre, produzindo tal sensação de “abatimento”. Talvez verifique que está tendo uma reação de “escapismo” ou que, de maneira mórbida, até mesmo “goste” de seu estado deprimido — uma espécie de comiseração de si mesmo.
O QUE PODERÁ FAZER
O que poderá fazer, especialmente quando descobre que não há base clínica para a sua condição de depressão? Embora a psiquiatria talvez lhe possa dar ajuda em certos casos, a melhor e realmente duradoura ajuda pode ser obtida da Bíblia e da congregação cristã. Por quê? Porque Deus criou o corpo e a mente do homem, e conhece a constituição humana. O salmista disse: “Senhor, vós me perscruteis e me conheceis, sabeis quando me sento e quando me levanto, de longe penetrais os meus pensamentos. Vós examinais o meu caminhar e as minhas paradas, e todo o meu proceder vos é familiar.” (Sal. 139:1-3, Pontifício Instituto Bíblico) Portanto, o conselho de Deus é a melhor terapia mental.
Aquilo de que o deprimido tem mais necessidade, portanto, é a oração a Jeová Deus. Davi, servo de Deus, mais de uma vez esteve num estado muito deprimido, às vezes por causa de seus próprios erros, e outras vezes porque seus inimigos estavam prestes a sobrevir-lhe com a intenção de matá-lo. Nestas situações, ele sempre orava fervorosamente. Em certa ocasião, ele expressou seu desânimo no apelo que fez a Deus:
“Mostra-me favor, ó Jeová, pois estou definhando. Sara-me, ó Jeová, porque os meus ossos foram perturbados. Sim, a minha própria alma ficou muito perturbada; e tu, ó Jeová — até quando? Retorna deveras, o Jeová, socorre deveras a minha alma; salva-me por causa da tua benevolência. Porque na morte não há menção de ti; no Seol, quem te elogiará? Fatiguei-me com o meu suspiro; a noite inteira faço nadar o meu leito; faço transbordar o meu próprio divã com as minhas lágrimas.” — Sal. 8:2-6.
Sabemos, do registro bíblico, que Deus respondeu às orações de Davi e o fortaleceu, para prosseguir e realizar algo meritório. Mesmo quando achamos que nenhum humano entende, sabemos que Deus compreende. Ele diz a respeito de si mesmo: “Não se esquadrinha o seu entendimento. Ele dá poder ao cansado; e faz abundar a plena força para aquele que está sem energia dinâmica. . . . Os que esperam em Jeová recuperarão poder. Ascenderão com asas quais águias. Correrão e não se fatigarão; andarão e não se cansarão.” — Isa. 40:28-31.
O apóstolo Paulo aconselha: “Persisti em oração, permanecendo despertos nela com agradecimento.” (Col. 4:2) Mas, talvez se sinta vencido, parecendo que tudo recai sobre sua pessoa. Neste caso, lembre-se de Jonas, afundando no mar, com algas marinhas enroladas na cabeça. Sua ‘alma se debilitou’. Mas, ele orou. Mais tarde, ficou muito irado e deprimido por causa de sua própria atitude errônea. Achava que seria melhor morrer do que continuar a viver. Não obstante, ele orou. Em ambos os casos, ele foi liberto. — Jonas 2:5-7; 4:1-8.
Mas, talvez fique tão deprimido, que acha que não pode mais orar a Deus. Talvez pense que não está mais habilitado para se chegar a Deus. O apóstolo João escreveu para nosso consolo em tal situação:
“Por meio disso é que saberemos que nos originamos da verdade e asseguraremos os nossos corações diante dele quanto a tudo em que os nossos corações nos possam condenar, porque Deus é maior do que os nossos corações e ele sabe todas as coisas. Amados, se os nossos corações não nos condenarem, temos franqueza no falar para com Deus; e tudo o que pedimos, recebemos dele, porque estamos observando os seus mandamentos e estamos fazendo as coisas que são agradáveis aos seus olhos. Deveras, este é o seu mandamento, que tenhamos fé no nome do seu Filho Jesus Cristo e que estejamos amando uns aos outros, assim como ele nos deu mandamento.” — 1 João 3:19-23.
João nos diz ali que, quando nosso próprio coração parece condenar-nos, quando nos sentimos impróprios ou indignos de orar a Deus, Ele não pensa assim a nosso respeito. Deus pode ver e entender o sentimento tenebroso que temos. Ele sabe que não queremos estar nesta situação. Se nos apercebermos disso, venceremos nossas dúvidas ou nossos temores, e nos chegaremos a Deus, apresentando-lhe toda a nossa aflição. Ele ouvirá compadecido e agirá para equilibrar novamente as nossas idéias. — 1 João 4:17; 18:1; 1 Ped. 3:12.
Entretanto, se não conseguir orar, poderá receber ajuda por recorrer aos anciãos da congregação cristã. Tiago, meio-irmão de Jesus, nos diz: “Há alguém doente entre vós [em sentido espiritual]? Chame a si os [anciãos] da congregação, e orem sobre ele, untando-o com óleo em nome de Jeová. E a oração de fé fará que o indisposto fique bom, e Jeová o levantará. Também, se ele tiver cometido pecados, ser-lhe-á isso perdoado.” — Tia. 5:14, 15.
Além da oração, obtenha da Palavra de Deus sabedoria equilibrada e consolo, por lê-la e meditar sobre ela diariamente. Se não sentir vontade de ler, peça que alguém leia para você. A palestra sobre o que se lê o animará grandemente. — Jos. 1:8; Sal. 63:6, 7; 77:12.
EXIGE ESFORÇO
Em tudo isso, também precisa ter a atitude de querer restabelecer-se da sua depressão. Até mesmo com a ajuda e as orações de outros, você mesmo precisa fazer algum esforço em harmonia com a fé. Jesus disse a Pedro, predizendo a então futura negação de Pedro a seu respeito e o estado de extrema depressão em que Pedro se sentiria depois: “Tenho feito súplica por ti, para que a tua fé não fraquejasse; e tu, uma vez que tiveres voltado, fortalece os teus irmãos.” (Luc. 22:32; veja Lucas 22:54-62.) Pedro tinha de ter também compaixão com seus irmãos cristãos, os quais, após a morte de Jesus, precisavam de encorajamento e ajuda, e ele tinha de ter o desejo de ajudá-los. O interesse nos outros é uma das maiores ajudas para se vencer a depressão. Pense naqueles que lhe são achegados, considere suas necessidades e a responsabilidade que tem para com eles. Até certo ponto, eles também sofrem assim como você, por causa de sua depressão. Pense em quão felizes eles se sentirão quando você se restabelecer de seu estado deprimido.
Nunca deve achar que seu caso é diferente de todos os demais, e que seu fardo, não importa qual seja, é mais do que pode agüentar. Não pense que é impossível enfrentar a situação com a esperança de sair-se vitorioso. O apóstolo Paulo descreveu uma situação que o deprimia profundamente. “No distrito da Ásia”, disse ele, “estávamos sob extrema pressão, além de nossa força, de modo que estávamos muito incertos até mesmo quanto às nossas vidas. De fato, sentimos em nosso íntimo que tínhamos recebido a sentença de morte. Isto se deu para que tivéssemos confiança, não em nós mesmos, mas no Deus que levanta os mortos.” (2 Cor. 1:8, 9) Paulo assegurou aos cristãos coríntios, que também suportavam sofrimentos, que sua tribulação não era impossível de suportar: “Não vos tomou nenhuma tentação exceto a que é comum aos homens. Mas Deus é fiel, e ele não deixará que sejais tentados além daquilo que podeis agüentar, mas, junto com a tentação, ele proverá também a saída, a fim de que a possais agüentar.” (1 Cor. 10:13) Não há situação da qual Deus não nos possa restabelecer, se expressarmos fé.
Mesmo se achar que ninguém mais entende a sua situação — se se sentir abandonado por todos, console-se com as palavras de Davi: “Caso meu próprio pai e minha própria mãe me abandonassem, o próprio Jeová me acolheria.” (Sal. 27:10) Naturalmente, seus irmãos na congregação cristã não vão abandoná-lo. De fato, o conselho deles, às vezes, pode parecer-lhe fora de propósito — mostrar falta de entendimento de como se sente. Talvez pareçam firmes demais, na sua tentativa de incitá-lo a fazer alguns esforços para você ajudar a si mesmo. Mas, lembre-se de que eles procuram ajudá-lo, e você, no seu estado deprimido, está inclinado a se ofender com mais facilidade. Escute o que eles têm a dizer, reconhecendo o interesse deles, e faça o que puder segundo as sugestões deles.
Além disso, faça todo o empenho para associar-se com concristãos. Eles têm o espírito de Deus e podem estimulá-lo ao amor e a obras excelentes. Onde está o espírito de Jeová, ali há liberdade — está livre da servidão à opressão. (Heb. 10:24; 2 Cor. 3:17) Evite isolar-se. (Pro. 18:1) Convide seus amigos a que o visitem. Assista às reuniões cristãs. — Heb. 10:25.
Visto que a depressão é um estado em que há falta de alegria, quem está deprimido precisa tentar sentir alegria com as coisas que tem e sente. Reflita sobre as coisas pelas quais deve ser grato e alegre; rejeite pensamentos negativos e mórbidos. (Fil. 4:8) Isto o ajudará a evitar os males que podem ser causados pela depressão, ou, se estiver deprimido por padecer de algum mal, esse pensamento sadio pode aliviar-lhe o sofrimento. Talvez lhe ajude passar alguns dias ou semanas num ambiente diferente — em algum lugar agradável, onde não é constantemente lembrado das coisas associadas com a sua dificuldade. É reconhecido em círculos médicos que “o coração alegre faz bem como alguém que cura, mas o espírito abatido resseca os ossos”. Também é verdade que “o coração alegre tem bom efeito sobre o semblante, mas por causa da dor de coração há um espírito abatido”. — Pro. 17:22; 15:13.
OS OUTROS PRECISAM SER LONGÂNIMES PARA COM OS DEPRIMIDOS
Os parentes e amigos precisam lembrar-se de que a pessoa deprimida tem dificuldade em ajudar a si mesma. É também importante ser paciente, não se devendo achar que o deprimido procura ser birrento e irritante para com os outros. Sempre fale com bondade e amor. Há ocasiões, porém, em que talvez precise falar com firmeza, para convencer o deprimido da necessidade de se esforçar.
Os que são da congregação cristã devem fazer todo o possível para consolar e ajudar o desalentado. Use de bom senso com respeito a quando e quantas vezes o deve visitar, mas não fique desanimado se os seus esforços não produzirem logo frutos. Não desista da pessoa, como estando além de ajuda. Havia pessoas deprimidas na primitiva congregação cristã, o que motivou o apóstolo Paulo a escrever: “Exortamo-vos, irmãos: admoestai os desordeiros, falai consoladoramente às almas deprimidas, amparai os fracos, sede longânimes para com todos”, e, “endireitai as mãos pendentes e os joelhos debilitados”. — 1 Tes. 5:14; Heb. 12:12.
Toda pessoa, no seu próprio coração, quer ser feliz. Se reconhecermos este fato, seremos compassivos com aquele que é infeliz, reconhecendo que há um obstáculo, bem real para aquela pessoa, que se lhe interpõe no caminho. Com o profundo desejo de ajudar, procuraremos descobrir, se possível, qual é este obstáculo, e fazer todo o possível para lhe restabelecer a felicidade. Por outro lado, a pessoa infeliz e deprimida precisa fazer empenho para ter um estado mental feliz, aceitando a ajuda no espírito em que é oferecida e fazendo esforço para se restabelecer, primeiro por meio da oração, e depois fazendo o que se acha ser necessário.
Fobia social
A fobia social, um transtorno ansioso de evolução crônica, vem despertando crescente interesse em pesquisa nos últimos anos. Neste artigo, algumas características clínicas são abordadas. Os subtipos generalizado e não generalizado de fobia social são revistos e discutidos, além de serem mencionados aspectos relacionados à comorbidade e ao diagnóstico diferencial. Dois breves relatos de casos ilustram o perfil clínico dos subtipos não generalizado e generalizado de fobia social.

INTRODUÇÃO
Embora Hipócrates já tivesse descrito a ansiedade social patológica (Marks, 1985), pouco se abordou sobre o assunto, até que Marks & Gelder (1966) distinguiram-na da agorafobia e de outras fobias. De acordo com Liebowitz et al. (1985a), até a metade da década de 1980, a fobia social era considerada um transtorno ansioso negligenciado. A partir daí, um número crescente de publicações têm surgido, revelando um grande interesse em pesquisa sobre o tema.
O que caracteriza a fobia social é uma intensa ansiedade em situações sociais (de contato interpessoal) ou de desempenho, ou mesmo ambas, acarretando sofrimento excessivo ou interferindo de forma acentuada no dia-a-dia da pessoa. O quadro 1 relaciona os critérios diagnósticos para a fobia social, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais – DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994).
Note-se que o DSM-IV enfatiza que, para se fazer o diagnóstico, é importante que o transtorno cause interferência significativa em alguma área importante da vida do indivíduo (trabalho, vida social, atividades acadêmicas e lazer).
Outras características clínicas
O fóbico social reconhece que o seu medo é exagerado ou irracional e teme mostrar sinais de ansiedade, como rubor facial, tremor e sudorese. Em algumas situações, a ansiedade pode assumir a forma de um ataque de pânico. Entre outros medos que se manifestam estão os de parecer ridículo ou tolo, de ser o centro das atenções, de cometer erros e de não saber o que se espera dele. Idéias de referência simples (não delirantes) ocorrem com freqüência nesse paciente. Desta forma, é comum que ele se sinta alvo de comentários ou gozação por parte de outras pessoas, idéias estas que podem ser corrigidas com argumentação lógica. Um estudo realizado no AMBAN do Instituto de Psiquiatria (IPQ) do HCFMUSP (Barros & Lotufo Neto, 1995) mostrou que 75% da amostra de fóbicos sociais apresentaram idéias de referência não delirantes no Present State Examination (PSE), um instrumento utilizado para avaliação diagnóstica.
Classificação
Com a inclusão do subtipo generalizado de fobia social no DSM-III-R (APA, 1987), como sendo aquele em que o indivíduo teme ou evita a maioria das situações sociais, senão todas, um problema surgiu, uma vez que o DSM-III-R não estabeleceu critérios operacionais que determinassem o que seria a "maioria das situações sociais". Essa lacuna persistiu no DSM-IV.
Algumas tentativas foram feitas para se tentar classificar mais precisamente os subtipos de fobia social. Em uma delas, os pacientes foram divididos em dois grupos: os que apresentavam ansiedade de desempenho, como falar em público, comer, beber, escrever diante das pessoas e usar banheiro público, foram considerados de subtipo restrito e aqueles que temiam situações de interação social, como iniciar e manter conversas, festas, reuniões, foram considerados de subtipo generalizado (Turner et al., 1992). Essa proposta de classificação levou em conta aspectos unicamente qualitativos. A fronteira entre esses dois tipos de ansiedade, entretanto, nem sempre é nítida e, na prática, o que se observa é uma mescla de situações de desempenho e de interação social. Em uma situação de flerte, por exemplo, ambas parecem estar presentes.
Um outro estudo (Holt et al., 1992) dividiu os pacientes em subtipos generalizado (temor da maioria ou de todas as situações sociais), não generalizado (temor de um certo número, mas não da maioria das situações sociais) e restrito (temor de uma ou duas situações sociais). De forma semelhante, Mannuzza et al. (1995) dividiram os pacientes em dois grupos, e os de subtipo generalizado temiam a maioria das situações sociais e os de subtipo não generalizado, a minoria delas. O maior problema desses dois últimos estudos aparece no DSM, isto é, não estabeleceram o que é maioria ou minoria das situações sociais.
O estudo de Barros (1996), utilizando até três situações de esquiva de situações sociais para caracterizar o subtipo não generalizado e quatro ou mais para caracterizar o subtipo generalizado, introduziu um critério operacional adicional até então não identificado em outros estudos. Os resultados mostraram que o subtipo generalizado apresentou um perfil psicopatológico mais grave que o subtipo não generalizado, sendo o número de situações de esquiva um bom critério para diferenciá-los, além de ser um procedimento de fácil aplicabilidade.
Relevância médico-social
Embora não seja considerado um transtorno incapacitante, é reconhecido como passível de acarretar prejuízos graves em diferentes áreas da vida como trabalho, atividades acadêmicas, relacionamento familiar, amoroso e vida social (Schneier et al., 1994).
A idade de início do quadro se dá na adolescência ou mesmo na infância, sendo mais comum em mulheres, indivíduos de nível socioeconômico mais baixo e não casados (Schneier et al., 1992).
Ainda não existem estudos prospectivos sobre o curso natural da fobia social, mas os estudos retrospectivos apontam para um curso crônico de difícil remissão espontânea (Davidson et al., 1993).
Com a criação do subtipo generalizado de fobia social pelo DSM-III-R e a possibilidade de se fazer o diagnóstico concomitante de transtorno de personalidade evitativa, a prevalência da fobia social ao longo da vida elevou-se de 3,8% (Davidson et al., 1993) para 13,3% (Kessler et al., 1994). Entretanto, em relação a esse aspecto, os números parecem variar bastante. Em um dos estudos identificados (Furmark et al., 1999), os autores afirmam que, embora a prevalência estimada em sua amostra tenha sido de 16%, esta pode variar de 2% a 20%, de acordo com os níveis de sofrimento e prejuízo funcional utilizados para definir os casos.
Em um estudo recente, Faravelli et al. (2000) observaram a prevalência de aproximadamente 3% em sua amostra de fóbicos sociais. Sabe-se que a ansiedade social é um fenômeno comum na população em geral. A questão que se coloca é quando considerá-la patológica.
Comorbidade
É elevada a comorbidade em fobia social. Segundo Schneier et al. (1992), transtornos comórbidos ocorrem em 69% dos fóbicos sociais, sendo, de um modo geral, secundários do ponto de vista cronológico. A presença de comorbidade parece estar relacionada a um maior prejuízo funcional (Wittchen et al., 1999).
Síndromes depressivas ocorrem com freqüências que variam de17% a 70% entre os fóbicos sociais (Amies et al., 1983; Stein et al., 1990; Van Ameringen et al., 1991; Schneier et al., 1992). A depressão maior é citada como mais freqüente que a distimia nestes estudos. Embora a ideação suicida esteja presente entre os pacientes com fobia social, esta parece estar mais relacionada à intensa desmoralização apresentada por esses pacientes que à presença de depressão maior comórbida (Cox et al., 1994). Por outro lado, Dilsaver et al. (1992) observaram que 45% dos pacientes da amostra com diagnóstico primário de depressão maior preenchiam critérios para o diagnóstico de fobia social, e que esta só se manifestava na vigência do quadro depressivo.
Problemas com álcool são citados em alguns estudos que abordam a fobia social. Na maioria deles, o início dos sintomas fóbicos precedeu o início dos problemas com álcool (Mullaney e Trippett, 1979; Schneier et al., 1992). Outros estudos observaram que o abuso de álcool era mais freqüente entre fóbicos sociais quando comparados a agorafóbicos (Amies et al., 1983; Lotufo-Neto e Gentil, 1994).
Comorbidade com outros transtornos de ansiedade também ocorre na fobia social e é citada com prevalências distintas (Turner et al., 1991; Schneier et al., 1992; Marques et al., 1995). Entre os estudos encontrados, o de Goisman et al. (1995) merece uma atenção especial, uma vez que, em sua amostra de mais de 700 pacientes com transtornos ansiosos, foi observado que mais de 75% dos 199 fóbicos sociais apresentavam outro diagnóstico co-mórbido. Para esses autores, os critérios diagnósticos do DSM não foram usados de maneira uniforme, acarretando dificuldades na discussão dos resultados.
Transtornos alimentares também aparecem na literatura em comorbidade com a fobia social. Halmi et al. (1991) observaram elevada ocorrência de fobia social (34%) em sua amostra de 62 pacientes com transtornos alimentares. Entre pacientes com bulimia nervosa, os transtornos que ocorreram com maior freqüência foram os transtornos ansiosos e, entre eles, a fobia social (Brewerton et al., 1995).
Pacientes com parafilias e compulsões sexuais não parafílicas, como masturbação compulsiva, sexo por telefone e outras modalidades de pornografia também apresentaram comorbidade elevada com fobia social 32%, de acordo com Kakta et al. (1994).
A fobia social foi descrita também como secundária a problemas físicos como gagueira e tremor essencial (George e Lydiard, 1994). Por outro lado, há um relato de caso de uma mulher com fobia social que desenvolveu um quadro de infecção urinária devido à retenção de urina por evitar usar o banheiro de um trem (Brandt et al., 1994).
Em relação ao Eixo II, há estudos que mostram que os transtornos de personalidade ocorrem com freqüência elevada entre os fóbicos sociais. O transtorno de personalidade evitativa, que tem sido considerado uma forma mais grave de fobia social (Turner et al., 1992; Holt et al., 1992; Herbert et al., 1992), é o que ocorre com maior freqüência. Outros transtornos de personalidade, porém, como o transtorno dependente, esquizotípico, paranóide e borderline, aparecem com uma freqüência maior que a esperada (Alnaes e Torgersen, 1988; Sanderson et al., 1994; Jansen et al., 1994). A presença de um transtorno comórbido do Eixo II parece estar relacionada à maior gravidade do quadro de fobia social e também à sobreposição dos critérios para o diagnóstico dos transtornos dos Eixos I e II. O quadro 2 descreve os critérios diagnósticos do DSM-IV para o transtorno de personalidade evitativa.
Ao se comparar os quadros 1 e 2, fica evidente a sobreposição de critérios, o que explica a freqüência elevada da comorbidade entre fobia social e transtorno de personalidade evitativa.
Diagnóstico diferencial
Ataques de pânico podem estar presentes na fobia social e devem ser devidamente distinguidos do transtorno de pânico, embora seja possível a ocorrência comórbida de ambos. Um experimento realizado por Liebowitz et al. (1985b) evidenciou que a infusão de lactato de sódio desencadeava mais ataques de pânico entre pacientes com transtorno de pânico e agorafobia quando comparados a fóbicos sociais (48% versus 7%, respectivamente).
Enquanto no transtorno de pânico o temor maior está relacionado a um problema físico, como ter um enfarte, derrame ou perder o controle e enlouquecer, na fobia social é o medo de ruborizar, tremer, suar e de ser avaliado negativamente pelas pessoas que estão presentes. Além disso, ataques de pânico espontâneos ocorrem no transtorno de pânico, mas não na fobia social, em que a presença de outras pessoas é necessária para que se faça o diagnóstico. Mesmo quando se considera a ansiedade agorafóbica, por exemplo, em um ambiente cheio de pessoas, o que a caracteriza é o medo de ter um ataque de pânico nessa situação, enquanto na ansiedade social é o medo de estar sendo observado e avaliado pelas pessoas (Turner e Beidel, 1989). Enquanto os fóbicos sociais sentem-se mais confortáveis quando sós, os agorafóbicos preferem a companhia de outras pessoas, sobretudo as mais próximas.
Embora a preocupação com o desempenho possa estar presente no transtorno de ansiedade generalizada, esta não se encontra restrita à presença de outras pessoas, ocorrendo mesmo quando o indivíduo está só.
No transtorno dismórfico corporal, a preocupação está centrada em algum defeito físico real (geralmente de proporção mínima) ou imaginário. É a aparência que está em questão, enquanto na fobia social é o desempenho ou contato interpessoal, isto é, como a pessoa vai se portar nas situações sociais.
Depressão atípica, caracterizada pela presença de ansiedade acentuada e hipersensibilidade à rejeição, que também estão presentes na fobia social, pode ser um diagnóstico diferencial difícil de ser feito em função dessa sobreposição de sintomas. No entanto, não se observam a esquiva e o desconforto em situações sociais presentes nessa última.
Na distimia, embora o desconforto e mesmo a esquiva de situações sociais possam estar presentes, manifestam-se sobretudo nos períodos de piora dos sintomas depressivos, ao passo que, na fobia social, a ansiedade costuma manter-se em níveis constantes.
Nas psicoses, o que se observa são idéias delirantes verdadeiras, difíceis de serem removidas por argumentação lógica. Na fobia social, são as idéias de referência simples que estão presentes, e o paciente geralmente tem crítica de que está fazendo um juízo errado das situações.
Indivíduos com transtorno esquizóide de personalidade não se interessam por contatos sociais, permanecendo, por isto, isolados, ao passo que os fóbicos sociais anseiam por esses contatos, mas têm muita dificuldade ou não conseguem fazê-lo, daí seu isolamento.
Relatos de casos
Caso 1
Paciente D., 38 anos, solteira, professora, queixava-se de pavor de preencher e assinar cheques ou tomar uma bebida na frente de outras pessoas. Passou a evitar sair com os amigos por não se sentir bem ao recusar bebidas, o que, segundo ela, poderia parecer estranho. Evitava usar cheques e também dirigir por achar que iria tremer. O quadro iniciou-se aos 18 anos de idade e a cognição mais freqüente, apresentada pela paciente, era "eu vou tremer".
A paciente foi medicada com propranolol 20 mg ao dia e foi construída uma hierarquia para exposição, na qual ela foi encorajada a enfrentar seus medos fóbicos em um grau crescente de dificuldade. Assim, segundo a paciente, era mais fácil tomar uma bebida na frente das pessoas que preencher um cheque diante delas e que, por sua vez, era mais fácil do que assiná-lo. A evolução foi favorável, tendo havido redução do tremor com o uso do propranolol, o que facilitou a exposição, levando à habituação. Permaneceu a esquiva para dirigir, que a paciente preferiu não tratar.
Caso 2
Paciente S., 26 anos, solteiro, comerciante, apresentava queixa de muita dificuldade no relacionamento com as pessoas desde que era menino. Sua maior dificuldade era conseguir conversar com elas, o que passou a evitar, pois sentia-se muito mal, com tontura, sudorese, taquicardia, tremor, ondas de calor que subiam para a sua face, tensão muscular e dor de cabeça. Nessas ocasiões, não sabia o que dizer, se podia ou não fazer perguntas, se a pessoa estava ou não gostando da sua companhia e sentia-se extremamente constrangido. Pessoas que julgava serem mais inteligentes ou mais bem sucedidas que ele eram as que mais geravam constrangimento no paciente, embora ele mesmo tivesse sucesso profissional (possuía uma franquia). Nas ocasiões em que havia encontros com a família, na casa dos pais, permanecia isolado ou na cozinha, conversando com uma antiga empregada. A única pessoa com quem o paciente se relacionava, além de seus familiares mais próximos, era a namorada, sua vizinha desde a infância e com quem mantinha um relacionamento amoroso há oito anos.
Nesse relacionamento, o paciente preferia ficar em casa com ela. Nas poucas vezes que saíram e foram a um lugar público, ele se sentiu muito mal, achava que todos o observavam e que havia pessoas fazendo comentários e até caçoando dele. Em uma ocasião em que foram a um restaurante, o paciente sentiu-se mal e vomitou. A partir daí não quis mais freqüentar restaurantes. Ao procurar tratamento, o paciente queixava-se de isolamento social praticamente total – evitava sair de sua loja para almoçar, pois sentia-se observado, apresentava considerável grau de anedonia e pensava que morrer talvez solucionasse o seu problema.
O paciente foi medicado com tranilcipromina até 80 mg/dia, com melhora importante dos sintomas depressivos e também da ansiedade social. Em relação à ultima, os sintomas físicos diminuíram de intensidade e as idéias de referência praticamente desapareceram, embora esquiva em relação a uma série de situações sociais permanecesse. O paciente foi então encaminhado para terapia cognitivo-comportamental e evolui satisfatoriamente.
Discussão
Ao se observar esses dois relatos, pode-se afirmar que ambos preenchem critérios para o diagnóstico de fobia social. No primeiro deles, entretanto, a ansiedade restringia-se a tremer em determinadas situações (escrever, beber e dirigir), ao passo que, no segundo, o paciente temia ou se esquivava de quase todas as situações que implicassem estar com as pessoas, tendo apresentado, inclusive, idéias de referência simples e uma síndrome depressiva comórbida. Esse paciente preenchia também critérios para o diagnóstico de transtorno de personalidade evitativa, caracterizando, assim, um quadro mais grave de fobia social. Pode-se dizer que o primeiro é um caso de fobia social de subtipo não generalizado, e o segundo, de subtipo generalizado.
Conclusões
Com a publicação do DSM-IV, o diagnóstico clínico da fobia social ficou mais claro. No entanto, do ponto de vista da pesquisa, ainda há muito para ser feito. O DSM-IV não especifica, por exemplo, a extensão do prejuízo funcional que deve ser considerado para que seja feito o diagnóstico e como proceder para mensurá-lo. Isso acarreta resultados muito diferentes em estudos epidemiológicos que procuram avaliar a prevalência da fobia social.
Em relação aos subtipos, algo similar ocorre, já que o DSM-IV não estabeleceu critérios adicionais para definir o que seria "maioria das situações sociais" para caracterizar o subtipo generalizado de fobia social. Conseqüentemente, também não fica claro o que é fobia social restrita, circunscrita ou não generalizada. Há autores que propõem até que a fobia de falar em público seja separada em um subtipo à parte de fobia social (Stein et al., 1994).
A comorbidade com outros transtornos mentais ocorre em mais de 75% dos casos e é muito variável – depressão, problemas com álcool, transtornos ansiosos, alimentares e desvios sexuais, além de transtornos do Eixo II (excetuando-se o transtorno de personalidade evitativa).
O diagnóstico diferencial deve ser bem feito. A presença de ataques de pânico, por exemplo, não caracteriza transtorno de pânico, sobretudo se ocorrerem em situações de contato interpessoal. É preciso que as situações sociais e de desempenho fiquem bem caracterizadas. Dessa forma, evita-se fazer o diagnóstico de fobia social em pacientes com transtorno de ansiedade generalizada, transtorno dismórfico corporal, depressões atípicas e até mesmo

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O QUE EU PENSO SOBRE DEPRESSÃO: quem já passou por essa terrível doença chamada "Depressão", que é a doença da alma, digo que também sou vítima dessa doença, que "ser feliz é não ter vergonha dos próprios sentimentos; ser feliz é não ter vergonha de falar de si mesmo".DEPRESSÃO Quando se olha o mundo de fora é muito fácil dizer o que se deve fazer,como e até quando.Achamos soluções para todo mundo, desde que não estejamos envolvidos.É fácil falar da dor que não sentimos, do amor que não perdemos, dos problemas que não temos e da vida que não vivemos.Somos assim muito sábios quando o espinho não está em nós!...Os altos e baixos são comuns a todo mundo.Ninguém vive em linha reta.E há pessoas que suportam mais facilmente as subidas e descidas da vida que outras, como umas pegam certas doenças e outras não.Há coisas que não se controla, pois se tivéssemos escolha, optaríamos sempre por uma vida sã.A depressão é uma doença como uma outra, não um capricho de quem deseja mais do que a vida pode oferecer.Só quem passou ou passa por isso sabe entender o que é.E como toda doença, deve ser reconhecida, entendida e tratada como tal.Infelizmente todo mundo não está preparado para ajudar em casos assim etentam resolveros problemas mostrando que há pessoas mais infelizes.Contudo, não é possível minimizar a dor de ninguém, fazendo-o comparar sua infelicidade com as misérias do mundo.Ninguém pode se sentir melhor porque do lado de fora há mais sofrimento.Se fosse assim, seria fácil ir dormir feliz a cada dia, bastando assistir ou ler jornais.É claro que muitas vezes vemos uma coisa triste e pensamos no quanto somos abençoados por não vivermos aquilo.Isso é normal para todo mundo, nos faz refletir sobre a realidade da vida.Mas se passamos nossa vida com comparações não vamos a lugar nenhum,pois sempre haverá parâmetros diferentes e acabaremos nos sentindo perdidos.Precisamos respeitar a dor e sentimento do outro, como respeitamos os limites do seu jardim.Cada vida é única, é própria.Podemos ajudar uma pessoa depressiva mostrando-lhe o lado belo da vida,dando-lhe razões para olhar além do horizonte, criar objetivos e acreditar neles.Podemos tirá-la do isolamento em que se encontra dando-lhe palavras de econforto e amizade, fazendo-a sentir-se amada e útil.Dizer a um depressivo que seus problemas são mínimos porque há coisas piores na vida não o fará sentir-se melhor.Quando Jesus se referiu à pessoas com problemas e ansiedades, mandou que olhassem os lírios dos campos e as aves no céu e se repousassem,apontou para coisas bonitas e alegres, nunca disse para olharem os necessitados. E Ele teve, também, Seu momento de dor, tristeza e lágrima, como todo ser humano.As soluções para os problemas começam com o reconhecimento deles.Ter amigos que possam compreender já é um passo na direção da cura.A compreensão da dor do outro leva-lhe segurança.E, segura, uma pessoa poderá se levantar e recomeçar seu caminho, com toda ajuda que ela deve ter.Depressão? Uma doença sim. E médicos são úteis. Amigos são preciosos. Orações são imprescindíveis. Deus nos abençoe...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Fique atento aos indícios
"A tristeza é uma emoção normal e saudável; a depressão é uma doença. O desafio é entender e reconhecer a diferença." — Dr. David G. Fassler.
COMO a maioria das outras doenças, a depressão tem sintomas reveladores. Mas nem sempre é fácil reconhecer os indícios. Por quê? Porque quase todos os adolescentes ficam "para baixo" de vez em quando — algo que também ocorre com adultos. Qual é a diferença entre um mero caso de melancolia e a depressão? Tem muito que ver com a intensidade e a duração do problema.
Intensidade refere-se ao grau de aflição que os sentimentos negativos causam no jovem. A depressão é mais grave do que um breve período de desânimo. Trata-se de uma doença emocional intensa que afeta muito a capacidade do adolescente de levar uma vida normal. O Dr. Andrew Slaby descreve a gravidade da doença da seguinte maneira: "Imagine a pior dor física que você já sentiu — um osso fraturado, uma dor de dente ou uma dor de parto —, multiplique-a por dez e retire a causa; daí você talvez tenha uma idéia aproximada da dor causada pela depressão."
Duração refere-se a quanto tempo dura o estado de apatia. Segundo os professores clínicos Leon Cytryn e Donald H. McKnew Jr., "uma criança que não mostra sinais de se consolar ou de voltar à vida normal uma semana depois de ter entrado num período de tristeza (não importa por qual razão) — ou seis meses depois de ter sofrido uma grande perda pessoal — corre risco de desenvolver um distúrbio depressivo".
Sintomas comuns
Obtém-se um diagnóstico de depressão somente quando um jovem apresenta vários dos sintomas todo dia, durante a maior parte do dia, por duas semanas pelo menos. Quando a crise dura relativamente pouco tempo, é chamada de episódio depressivo. Quando os sintomas persistem por pelo menos um ano com no máximo dois meses de alívio, o diagnóstico pode ser de distimia, uma forma mais crônica de depressão leve ou moderada. Seja como for, quais são alguns sintomas comuns de depressão?
Mudança súbita de humor e de comportamento. Um adolescente que antes era dócil de repente se torna hostil. É comum que adolescentes deprimidos apresentem comportamento rebelde e até fujam de casa.
Isolamento social. O adolescente deprimido se afasta dos amigos. Ou pode ser que os amigos se afastem, notando mudanças indesejáveis na atitude e no comportamento dele.
Diminuição de interesse em quase toda atividade. O adolescente fica incomumente passivo. Começa a achar tediosos os passatempos de que antes gostava.
Mudança perceptível nos hábitos alimentares. Muitos especialistas acham que distúrbios como anorexia, bulimia e compulsão alimentar muitas vezes coexistem com a depressão e com freqüência são causados por ela.
Distúrbios do sono. O adolescente dorme muito pouco ou demais. Alguns desenvolvem hábitos irregulares de sono, ficando acordados a noite toda e depois dormindo o dia inteiro.
Queda no rendimento escolar. O adolescente deprimido tem dificuldades para se relacionar com os professores e os colegas, e as notas começam a cair. Logo ele nem quer mais ir à escola.
Comportamento arriscado ou autodestrutivo. ‘Brincar com a morte’ pode indicar que o jovem tem pouco interesse pela vida. Outro possível sintoma é a automutilação (como cortar a pele).
Sentimentos de inutilidade ou de culpa sem razão. O adolescente se torna muito autocrítico, sentindo-se um fracassado, mesmo que os fatos indiquem o contrário.
Problemas psicossomáticos. Quando não se descobre uma causa física para dores de cabeça, de estômago e nas costas ou para problemas similares, esses podem ser indícios de depressão.
Idéias recorrentes de morte ou suicídio. Preocupação com temas mórbidos pode indicar depressão. Ameaças de suicídio também. — Veja o quadro abaixo.
Distúrbio bipolar
Alguns desses sintomas podem indicar outra doença complexa: o distúrbio bipolar. Segundo a Dra. Barbara D. Ingersoll e o Dr. Sam Goldstein, o distúrbio bipolar (antes conhecido como psicose maníaco-depressiva) é "uma condição caracterizada por episódios depressivos intercalados por períodos em que o humor e a energia estão excessivamente elevados, bem acima, de fato, dos níveis normais do bom humor".
Essa fase de euforia é chamada de mania. Os sintomas incluem falar muito, ter raciocínio rápido e menor necessidade de sono. De fato, a vítima talvez passe dias sem dormir, aparentemente sem perder a disposição. Outro sintoma do distúrbio bipolar é o comportamento extremamente impulsivo, sem levar em conta as conseqüências. "A mania muitas vezes afeta o raciocínio, o julgamento e o comportamento social de maneiras que causam problemas graves e embaraço", declara um relatório do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA. Quanto tempo dura a fase da mania? Às vezes apenas alguns dias; em outros casos, vários meses — até ser substituída pela depressão.
Quem tem parentes que sofrem da doença corre maior risco de desenvolver o distúrbio bipolar. A boa notícia é que existe esperança para as vítimas. "Se forem diagnosticadas cedo e tratadas corretamente", diz o livro The Bipolar Child (A Criança Bipolar), "essas crianças e suas famílias podem ter uma vida bem mais estável".
É importante mencionar que nenhum desses sintomas por si só indica depressão ou distúrbio bipolar. Costuma-se obter o diagnóstico quando vários desses sintomas ocorrem ao longo de um determinado período. Mas ainda há uma pergunta que precisa ser respondida: Por que essa doença complexa aflige os adolescentes?
Os sintomas apresentados aqui servem apenas para que se tenha uma idéia do problema e não como critérios para diagnóstico.
Às vezes, o comportamento rebelde é um indício de depressãoAdolescentes deprimidos muitas vezes perdem o interesse por atividades de que antes gostavam

Jovens Que Querem Morrer
Segundo os Centros de Controle de Doenças, dos EUA, em um ano recente mais jovens naquele país morreram de suicídio do que de câncer, doenças cardíacas, Aids, defeitos de nascença, derrame, pneumonia, gripe e doenças pulmonares crônicas somadas. Outro fato preocupante: o número de casos notificados de suicídio de jovens de 10 a 14 anos teve um aumento significativo.
É possível evitar o suicídio de adolescentes? Em alguns casos, sim. "As estatísticas mostram que muitos suicídios são, de fato, precedidos por tentativas ou indícios e avisos verbais", escreve a Dra. Kathleen McCoy. "Quando um filho adolescente dá mesmo que os mais ligeiros indícios de ter idéias suicidas, é hora de dar atenção ao problema e possivelmente buscar ajuda profissional."
Visto que a depressão é comum entre adolescentes, os pais e outros adultos devem levar a sério quaisquer indícios que o jovem apresente de querer tirar a própria vida. "Em quase todo caso de suicídio que estudei, as pistas sobre aquilo que o adolescente planejava fazer foram despercebidas ou desconsideradas", escreve o Dr. Andrew Slaby no livro No One Saw My Pain (Ninguém Notou a Minha Dor). "Os familiares e amigos não se deram conta da enormidade das mudanças que estavam ocorrendo. Eles se concentraram nas conseqüências e não no problema por trás delas, de modo que o diagnóstico foi de ‘problemas familiares’, ‘uso de drogas’ ou ‘anorexia’. Em alguns casos, tratou-se da raiva, da confusão e da irritabilidade, mas não da depressão. O problema básico continuou, alimentando a dor e a raiva."
A mensagem é clara: Leve a sério qualquer indício de tendências suicidas!